Entrevista exclusiva: Dinho Ouro Preto fala sobre novo show do Capital Inicial, ‘Acústico 25 anos’, que chega a JF

Líder da banda Capital Inicial dá detalhes sobre a apresentação que será realizada em Juiz de Fora, nesta sexta-feira, durante o Festival de Inverno 2025


Por Mafê Braga*

03/07/2025 às 07h00

CAPITAL FotoOficial
Capital Inicial está em atividade há mais de quatro décadas (Foto: Fernando Schlaepfer)

Este ano, o Capital Inicial completa 25 anos do lançamento do álbum “Acústico MTV”, considerado um divisor de águas na carreira da banda. Lançado em 2000, o trabalho reúne grandes sucessos como “O passageiro”, “Natasha” e “Primeiros erros”. A turnê de aniversário teve início em março e, na agenda, há shows marcados em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Em Juiz de Fora, o Capital Inicial marca presença no primeiro dia do “Festival de Inverno 2025”, realizado na próxima sexta-feira (4) e sábado (5), no Shopping Jardim Norte. Em conversa exclusiva com Dinho Ouro Preto, o cantor revela os bastidores dessa celebração tão marcante para a trajetória da banda.

Tribuna: O Capital Inicial tem um público cativo em Juiz de Fora. Quais as expectativas de retornar à cidade para reencontrar os fãs nesta edição do Festival de Inverno?

Dinho: O Capital tem um público em Juiz de Fora, os shows são sempre bacanas, sempre são super divertidos, mas desse vez é diferente. Dessa vez a gente vai apresentar os 25 anos do “Acústico”, é muito diferente de qualquer outro projeto que a gente tenha colocado de pé. Ele é exatamente como foi gravado, integralmente, disco inteiro, com as participações do Kiko Zambianchi e do Denny Conceição na percussão, então são quase as mesmas pessoas. Tirando só o guitarrista, o Loro Jones, e o tecladista, o Aislan Gomes, todos estão presentes. Também é um projeto cenográfico muito bonito, assim, é algo bonito de se ver (risos), em todos os sentidos: o som é inacreditável, o visual é inacreditável, vai ser uma noite surreal, eu tenho certeza. Nesse sentido, é diferente das apresentações anteriores, vale a pena ver! Tem que vir ver, é de cair o queixo!

O show integra a turnê de celebração dos 25 anos do “Acústico”. Qual foi o impacto desse álbum na carreira do Capital, e o que mais tem surpreendido vocês nos shows desse projeto?

Olha, esse álbum pra gente foi um divisor de águas, mudou a nossa vida, a gente pôde reescrever um novo capítulo da carreira do Capital. A gente tinha se separado nos anos 1990. Nos reunimos em 1998, ficamos quase cinco anos separados, e esse disco veio e supreendeu a todo mundo. Ninguém esperava que ele pudesse vir a tomar a proporção que ele tomou, ficou gigantesco, o Capital ficou imenso (risos)… Na verdade, a volta dele (Capital Inicial) nos anos 1990 é maior do que ele tinha sido antes (risos). Foi algo supreendente e muito, muito bem-vindo. O que tem surpreendido na turnê do “Acústico” é o tamanho das multidões, das plateias que têm vindo ver a gente. Os ingressos estão esgotados em quase todos os lugares pelos quais a gente passa (risos). Muita gente se comovendo, as pessoas se comovem de ouvir aquelas músicas, acho que o disco foi muito importante na vida de muita gente, não só da nossa.

O “Acústico” fez com que muitos fãs conhecessem a banda, nos anos 2000. Como você tenta equilibrar o sentimento de nostalgia do público com o Capital Inicial da época e o de agora?

Muita gente conheceu a gente no “Acústico”, muita gente achava que o Capital ‘tava’ começando ali, que começou no anos 2000 (risos). Agora, muita gente tá indo relembrar o que foi aquilo, mas também tem muita gente nova, tem muita garotada, tem crianças (risos), tem gente de todas as idades. Eu acho legal isso, acho legal poder olhar pro futuro, é gozado eu ‘tá’ dizendo isso, justamente, quando estamos fazendo um projeto meio nostálgico, mas vamos lançar também músicas novas, agora no segundo semestre. A gente fez o 4.0 do Capital Inicial, dos 40 anos do Capital, e emendou nesse dos 25 anos do “Acústico”, acho que chega disso, temos que mostrar composições novas e ideias novas. A gente vai começar a fazer isso a partir do semestre que vem, não sei exatamente se vai ser antes ou depois do “The Town”.

Com o passar do tempo, muitas músicas podem ganhar novos significados. Você acha que isso aconteceu com alguma canção do álbum? 

Boa pergunta! Eu acho o seguinte, o significado ‘tá’ nos ouvidos e na cabeça da pessoa que ouve, a menos que seja algo muito explícito, muito claro, sabe? Muitas vezes, uma canção é aberta a várias interpretações, as pessoas veem um objeto ou uma canção e divergem a respeito de seu significado. Uma vê luz, a outra vê sombra, a outra vê otimismo, a outra cautela e pessimismo… sei lá, as coisas variam… Eu não acho ruim isso, é legal, como aquela expressão de que “você tem filhos pro mundo”, eu acho que o destino cabe a eles, acho que é esse o sentido dessa frase. Acho que a música também é assim, você cria música pro mundo e você larga, como vai ser interpretado, como vai ser recebido deixa, deixa as pessoas decidirem e verem o que elas querem ver. Eu não me incomodo.

O Dinho de agora, em 2025, tem alguma mensagem para o Dinho dos anos 2000, que gravou o “Acústico”?

Olha, eu diria ‘”se preocupe menos, tenha mais calma”, eu sempre fui ansioso, minha vida inteira. A música que eu cantaria pra mim mesmo seria “Não olhe pra trás”, do próprio Capital (risos) que, aliás, a gente vai tocar nesse show também. Mas eu diria aquela letra ali, “nem tudo é como você quer/ nem tudo pode ser perfeito”… e tudo bem! Acho que a vida é assim, são essas lições que você aprende meio batendo a cabeça na parede. O mundo nem sempre é do jeito que você quer, as coisas são complicadas, são difíceis, e você tem que seguir em frente. Você vai tropeçar e precisa se levantar e continuar andando. Acho que essa é a lição que eu tiro, porque o Capital já tinha passado por um perrengue nos anos 1990, quem diria que a gente iria conseguir resgatar e botar ele de pé, fazer dele algo maior do que ele já tinha sido antes? Eu não diria, foi uma surpresa absoluta! Acho que é isso que eu diria: coisas inesperadas acontecem, relaxe e aproveite a vida.

* Estagiária sob supervisão da editora Gracielle Nocelli

Serviço

Festival de inverno 2025

Data: 4 de julho (sexta)
Horário: 18h abertura dos portões
Shows: Acoustic n’Roll e Capital Inicial

Data: 5 de julho (sábado)
Horário: 17h abertura dos portões
Shows: Paralamas do Sucesso, Toni Garrido e Jota Quest

Local: Shopping Jardim Norte (Av. Brasil, 6345 – Mariano Procópio)

Compra de ingressos pela plataforma digital Central dos Eventos ou nas lojas Óticas Araújo (Rua Santa Rita, 490), Taco (Shopping Jardim Norte) e Uptake (Rua Rei Alberto, 122)

Classificação: 18 anos