Trabalhadores da Amac mantêm paralisação e cobram repasses da Prefeitura

Categoria condiciona fim do movimento à reunião com a Secretaria da Fazenda sobre a recomposição dos valores pagos pelo Município


Por Mariana Souza

10/06/2026 às 18h10

Trabalhadores da Amac mantêm paralisação em Juiz de Fora e condicionam fim do movimento a reunião sobre repasses do Município
Trabalhadores da Amac mantêm paralisação em Juiz de Fora e condicionam fim do movimento a reunião sobre repasses do Município (Foto: Leonardo Costa)

Trabalhadores da Associação Municipal de Apoio Comunitário (Amac) decidiram, nesta quarta-feira (10), manter a paralisação iniciada na terça (9). A categoria cobra o reequilíbrio dos contratos firmados com a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), com retroativo a janeiro de 2026, além da manutenção dos Curumins, que integram o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, e melhores condições de trabalho em creches e unidades atendidas pela associação. Segundo o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserpu-JF), a paralisação foi mantida até esta quinta-feira (11), quando nova assembleia vai avaliar o andamento das negociações e definir os rumos do movimento.

Em manifestação realizada nesta quarta, trabalhadores de creches; Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculo – SCFV/Curumins; Programa Gente em Primeiro Lugar; Casas de Passagem; Casa de Acolhimento e Abordagem Social se concentraram em frente no pátio da Prefeitura, na Avenida Brasil, e seguiram em direção à Câmara Municipal, no Parque Halfeld.

Durante assembleia, os trabalhadores rejeitaram uma proposta apresentada pela direção da Amac. De acordo com o Sinserpu-JF, a oferta previa o retorno ao trabalho sem a definição de uma data para a reunião com o secretário da Fazenda. Em ofício enviado no mesmo dia à Secretaria de Governo e à direção da associação, o sindicato afirma que a proposta foi rejeitada por não contemplar os parâmetros mínimos reivindicados pela categoria e por não apresentar resposta satisfatória à pauta sobre reequilíbrio dos termos da parceria entre a entidade e o Município.

No documento, o sindicato também informa que a suspensão ou o encerramento do movimento está condicionado à realização de uma reunião entre a gestão municipal e a direção da Amac para discutir a parceria, especialmente a recomposição dos valores repassados pelo Município à entidade, além de nova deliberação da categoria .

Ainda segundo o ofício, a direção da Amac informou ao sindicato que a administração municipal teria assumido o compromisso de realizar uma reunião com a entidade até sexta-feira (12). 

Sindicato cobra mesa de negociação conjunta

De acordo com o Sinserpu-JF, uma comissão formada por dirigentes do sindicato e trabalhadores da Amac foi recebida, na terça-feira, por representantes da Prefeitura. O encontro terminou sem acordo, porque, segundo a entidade, não foi apresentada data para reunião com a Secretaria da Fazenda. A categoria reivindica que a pasta participe das negociações sobre o reequilíbrio dos contratos. O pedido foi formalizado em ofício enviado, na terça, à Secretaria de Governo e à direção da Amac.

No mesmo dia, o Sinserpu-JF também se reuniu com a direção da Amac, que informou sobre a reunião proposta pela secretária de Educação para a próxima quarta-feira (17). O sindicato, no entanto, afirma que a pauta financeira depende de negociação com a Fazenda.

A Tribuna questionou a Prefeitura se a reunião proposta pela Secretaria de Educação está confirmada, qual será a pauta do encontro e quem deve participar. A reportagem também se há previsão para reunião com a Secretaria da Fazenda. Até a publicação desta matéria, não houve retorno.

Curumins e creches estão entre as pautas

Além do reequilíbrio contratual, os trabalhadores cobram a manutenção dos Curumins. Segundo o Sinserpu-JF, o serviço estaria sendo esvaziado por decisões administrativas da Prefeitura, com risco de redução ou fechamento de unidades. Um dos casos citados pelo sindicato é o do Curumim Olavo Costa, onde um trabalhador tem se mobilizado contra a possibilidade de fechamento da unidade. De acordo com a entidade, ele foi atendido pelo serviço quando criança e hoje atua no local.

A Tribuna questionou a Prefeitura se existe decisão administrativa de encerrar ou reduzir o atendimento dos Curumins, quais unidades poderiam ser afetadas e qual seria a justificativa. O Executivo não respondeu até a publicação desta matéria.

O sindicato também relata problemas em creches e unidades atendidas pela Amac, como falta de alimentação, materiais pedagógicos e insumos básicos. Conforme a entidade, a mobilização levou trabalhadores de diferentes frentes a denunciarem condições precárias de trabalho, incluindo relatos de assédio moral e falta de estrutura para equipes de abordagem social, que atuariam sem acesso adequado a banheiro e local para alimentação.

A reportagem questionou a Prefeitura sobre as situações relatadas. Também foi solicitada a informação sobre quais secretarias são responsáveis pelos contratos e convênios com a Amac. Até a publicação desta matéria, a Prefeitura não havia respondido. O espaço segue aberto para manifestação.

Apoio à mobilização

A paralisação também altera a rotina de famílias que dependem das creches vinculadas à Amac. A mãe de uma criança matriculada em uma das unidades, que preferiu não se identificar, contou à Tribuna que precisou reorganizar os dias de trabalho por causa da suspensão das atividades. Mesmo assim, afirma apoiar a mobilização.

Segundo ela, a creche é essencial para que consiga trabalhar, mas a situação das profissionais também precisa ser considerada. A mãe relata que, no dia a dia, pais e responsáveis percebem dificuldades que nem sempre aparecem publicamente, como a falta de merenda e materiais usados nas atividades. Em alguns casos, segundo ela, as próprias trabalhadoras acabam comprando materiais para as crianças.

Apesar dos problemas, ela afirma que o atendimento prestado pelas creches é de qualidade e destaca o vínculo das profissionais com as crianças. Para a mãe, justamente por exercerem uma função tão necessária, as trabalhadoras deveriam ser mais valorizadas. “Apoio muito e estou com elas nessa luta.”

Ela também defende que outras famílias acompanhem mais de perto a mobilização. Na avaliação dela, embora a paralisação cause dificuldades imediatas para quem depende da creche, a pauta tem relação direta com a qualidade do serviço oferecido às crianças. “Sei que está difícil para todo mundo, mas é por um bem maior”, afirmou.