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Coletânea revela o poeta Paulo Leminski por inteiro


Por MAURO MORAIS

03/03/2013 às 07h00

Se por um lado as redes sociais insistem em vulgarizar a obra do escritor curitibano Paulo Leminski, a academia e o mercado literário trabalham no sentido inverso. Lançado na última quarta, Toda poesia reúne os haikais, as poesias concretas, os poemas-piada de influência oswaldiana, os slogans e as canções do escritor reconhecido por seu grosso bigode, que estampa a capa da edição. Com apresentação de Alice Ruiz, poeta e esposa de Leminski; posfácio do crítico e compositor José Miguel Wisnik; e apêndice que reúne textos de, entre outros, Caetano Veloso, Haroldo de Campos e Leyla Perrone-Moisés, o livro ajuda a compreender a tênue linha entre o concretismo e a geração mimeógrafo, na qual trafega a literatura do autor de pelos caminhos que ando/um dia vai ser/só não sei quando.

Segundo o escritor e professor da Faculdade de Letras da UFJF Alexandre Faria, Paulo Leminski é um poeta bastante complexo. O mais erudito dos marginais. Autor de mais de duas dezenas de títulos, dentre eles Tripas, de 1980, eDistraídos venceremos, de 1987, Leminski morreu em meados de 1989, aos 44 anos, em consequência de uma cirrose hepática que o acompanhou durante longos anos e era fruto da vida boêmia que levava na capital paranaense. Os romances dele ainda são pouco conhecidos e são de uma genialidade muito grande, comenta Faria, referindo-se a Catatau, prosa experimental publicada em 1975, ao romance Agora é que são elas, de 1984, e ao livro de contos Descartes com lentes, obra póstuma, lançada em 1995.

A aposta na liberdade foi um ato que Leminski exerceu intensamente em sua curta vida dedicada às letras, defende a escritora e professora da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Maria Esther Maciel no prefácio do livro Leminski, guerreiro da linguagem. A leitura da obra dele é sempre um desafio, comenta Faria, apontando que o autor será eternamente lido e relido, nos muitos sentidos que lhe são possíveis. Leminski experimentou e mesclou todos os gêneros, num movimento de abertura ao híbrido, ao mutante, destaca Maria Esther, dando pistas de que Toda poesia guarda muito mais que palavras, mas ideias e atitudes que nem o Facebook, nem o Twitter, nem qualquer outro meio são capazes de expressar.