Mistura de peso
É impossível ficar de fora da diversidade de ritmos e sons do pré-carnaval juiz-forano. Neste ano, nem mesmo Michael Jackson resistiu à farra. "Tem um momento em que até o rei do pop reencarna em mim e vira um suburbano. De favelado acaba rei do samba", brinca Serjão Loroza, que nesta noite, a partir das 21h, leva para a Praça da Estação, arrematando a programação do Corredor da Folia, o show "US Madureira". "Não é um espetáculo de humor e nem de artes cênicas, mas misturo tudo", conta o músico, com sua voz grave e inigualável, logo após o "E aí beleza?", dito ao telefone.
De pequeno não tem nada, mas o "Neguinho de Madureira", como gosta de ser chamado, promete enlouquecer o público com sua "zona maneira". Reggae, rock ‘n’ roll, forró e as tradicionais marchinhas são apenas alguns dos gêneros que receberão a batida dos instrumentos de percussão. Canções autorais e de artistas como Gilberto Gil, Cláudio Zoli, Sandra de Sá e Lenini fazem parte do set list de peso. "A tônica é a diversão, mas a vedete é o samba", afirma o ex-Monobloco.
Simpático durante toda a entrevista, Serjão entrega que Juiz de Fora não é só uma vizinha querida. A proximidade com a terrinha de Minas ultrapassa os "s" puxados por alguns. "O estilo de vida é bem parecido, e isso faz com que a galera vibre e curta, além disso, minha mãe e vários tios meus nasceram aí. Por isso é um lugar onde me sinto em casa", finaliza, lançando um rastro de seu bom humor. "Tem um amigo meu daí que, quando vem para o Rio, alguém diz que ele foi ali na praia e já volta. Você sabe que Juiz de Fora é bem mais perto do mar que Madureira, né?" Antes de Loroza, sobem ao palco da Praça da Estação os grupos Bombocado, às 15h, e Segredo, às 18h.
Banda Daki na UFJF
Esquentando os tamborins para o desfile do próximo sábado, os músicos da Banda Daki agitam, neste domingo, o Campus da Universidade Federal de Juiz de Fora. Das 10h ao meio-dia, os frequentadores do local estão convidados para a "Caminhada do Bloco", no entorno do lago e do prédio da reitoria. A iniciativa faz parte do projeto de integração entre a UFJF e a comunidade, idealizado pelo pró-reitor de cultura, Gerson Guedes. "Ali tem um público flutuante muito grande, principalmente o infantil. É só uma experiência e um pontapé inicial dos meus trabalhos. A ideia é que no ano que vem formemos um bloco com as pessoas que utilizam aquele espaço para caminhar", diz o pró-reitor.
Para crianças e adultos
Os privilegiados na abertura da programação deste domingo são os pequenos. Às 10h30, o grupo juiz-forano Trupicada leva o show "Trupifolia" para o Parque da Lajinha. Músicas do universo infantil e sucessos da MPB, que agradarão até aos mais velhos, fazem parte do roteiro: "Cocoricó", de Hélio Ziskind; "Palavra cantada", de Paulo Tatit; "Maracangalha", de Dorival Caymmi; "Morena de Angola", de Chico Buarque; "Tem gato na tuba", de Braguinha; "Os peixinhos do mar", de Pixinguinha e "Bloco da farinha", de Felipe Tavares, além das marchinhas "Mamãe eu quero", "Se a canoa não virar" e "Marcha da cueca".
No Centro da cidade, a partir das 11h, a Rua Paulo de Frontin, entre as praças Antônio Carlos e da Estação, vai servir de passarela para as escolas de samba mirins. A primeira a entrar na avenida, entoando o samba-enredo "Alegria, alegria, hoje é dia de folia", é a estreante Herdeiros da Vila. Em seguida, às 11h40, é a vez de dar passagem à Semente de Bambas, com o lema "Tem povo, tem circo e tem alegria". Às 12h20, é a garotada do Império da Torre que mostrará que tem samba no pé, fazendo uma ode aos "Mascotes de todas as copas". O encerramento fica por conta da bateria da Escola de Samba Real Grandeza.
Vários blocos desfilam hoje em diversos bairros da cidade. No Centro, o "Parangolé Valvulado" tem concentração agendada para as 14h, no Largo do Riachuelo. Os foliões percorrerão as ruas do Centro revivendo a Tropicália. Personagens da cultura nacional, como Hélio Oiticica, Caetano Veloso e Gilberto Gil, serão lembrados no frevo-enredo do bloco composto por artistas locais. Mais tarde, o endereço da festa muda de lugar. Sobem ao palco da Praça Antônio Carlos, às 16h30, os integrantes do Jassambô, de Petrópolis. Já às 19h30, é a vez do Quarteto Visceral recorrer ao repertório de Paulinho da Viola, Cartola, Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho, entre outros "monstros" do samba. "É um som que sai das entranhas", conta o músico Fabrício Nogueira, justificando a escolha do nome do grupo. Dentro da programação paga estão a Batalha de Confete, do Clube Bom Pastor, a partir do meio-dia, e a Festa do Marujo, no clube do Náutico, às 13h.









