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A maestria de Chiquinha Gonzaga


Por BRUNO CALIXTO

02/11/2011 às 08h00

A origem do choro remonta a meados de 1870, quando o flautista Joaquim Antônio da Silva Callado, responsável pela formação do grupo Choro Carioca, compôs a polca Flor amorosa. Surge aí a primeira geração do choro, na qual pontificam, entre outros, o próprio Callado, Ernesto Nazareth e a maestrina Chiquinha Gonzaga. Posteriormente, a segunda geração de chorões revelou os nomes de Anacleto de Medeiros e Albertino Pimentel. Focado nas tendências que reviraram a música popular brasileira naquele período, o Clube do Choro, de Juiz de Fora, volta ao Hotel Renascença amanhã para apresentar o show No tempo da Chiquinha.

Sexta de uma série de oito, essa performance, segundo o percussionista Márcio Gomes, dá continuidade à ênfase que os músicos locais vêm demonstrando a partir de clássicos da primeira geração do ritmo, que tem ainda o juiz-forano Alfredinho do Flautim, nascido em 1884 e que iniciou sua carreira musical no Rio aos 12 anos ao lado de Alfredo da Rocha Viana, pai de Pixinguinha.

Ao definir os oito shows temáticos do projeto ‘Choro na praça’, entendemos que seria de fundamental importância homenagear os pioneiros do gênero, sendo que Chiquinha Gonzaga é a figura emblemática desse período; por isso o nome ‘No tempo de Chiquinha’, de modo a lembrar seus contemporâneos, mas também destacar o nome de Chiquinha como símbolo de surgimento da música instrumental com características marcadamente brasileiras. Quem justifica é Márcio Gomes, ressaltando que na época de Flor amorosa a compositora tinha apenas 23 anos. Segundo dizem, Callado teria composto essa música para Chiquinha, (pois seria ela) a própria flor amorosa. Nessa época, Chiquinha, mãe de três filhos, já havia rompido seu casamento com Jacinto do Amaral, porque ele não admitia que ela cultivasse a música. Por volta de 1875, Chiquinha, para sustentar seus filhos, começou sua carreira musical, dando aulas de piano, compondo e tocando em grupos de choro. Em 1877, compôs a polca ‘Atraente’, com grande sucesso. Em 1899, fez a marcha de carnaval ‘Abre-Alas’, sendo portanto a pioneira do gênero.

Abolicionista, republicana, defensora dos direitos autorais, Chiquinha Gonzaga faleceu em 1935, com 87 anos, contribuindo, junto aos seus contemporâneos, para a formação do nacionalismo musical e a consolidação do gênero no país. Sendo Chiquinha uma integrante da primeira geração do choro e desenvolvendo intensa atividade musical como pianista e compositora nas décadas seguintes, ela influenciou os compositores de choro, ajudando a dar ao gênero a ‘cara’ que ele tem hoje, acrescenta Gomes, adiantando que a homenagem contará ainda com outras composições da pianista, como Corta-jaca.

Uma prova de que a música transborda o recipiente do tempo, transcorridos mais de 160 anos de seu nascimento, Chiquinha Gonzaga continua viva, tendo sido sempre objeto de gravações para os mais diversos artistas. Entre esses, Márcio Gomes destaca os instrumentistas Antônio Adolfo, Leandro Braga, Clara Sverner, Maria Teresa Madeira e Marcus Viana e as cantoras Leila Pinheiro, Olivia Hime e Lecy Brandão.

CLUBE DO CHORO

Amanhã, às 20h

Hotel Renascença

(Praça da Estação)