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Fórmula para um cinema independente


Por MÁRCIO CORINO Repórter

01/12/2012 às 07h00

Um cinema independente e criativo é o que o cineasta e professor do Curso de Cinema e Audiovisual da UFJF, Luís Rocha Melo, apresenta em seu primeiro longa-metragem Nenhuma fórmula para a contemporânea visão do mundo, que estreia no Festival de Cinema Primeiro Plano, neste sábado, às 15h, no Espaço Alameda de Cinema. Luís já produziu, dirigiu e roteirizou diversos trabalhos de curta e média-metragem, como o média O galante rei da Boca (2004), co-dirigido com Alessandro Gamo, e o curta de ficção em 35mm Que cavação é essa? (2008), dividindo a direção com Estevão Garcia. Os dois filmes foram exibidos em festivais como É Tudo Verdade, Festival de Havana , Recine, Festival de Brasília e Cinesul.

Nenhuma fórmula para a contemporânea visão do mundo é uma comédia sobre as dificuldades de se viver da criação artística no Brasil. O longa narra a história de Carola Brecker (Anna Karinne Ballalai), uma jovem escritora em crise de criatividade. Logo após se separar de seu marido Mickey, é contratada pelo produtor cultural Al Gazarra (Alessandro Gamo) para escrever nada menos que 42 peças de teatro sobre o deus Pan, a serem encenadas pelo excêntrico diretor polonês Tadeusz Karkovski (Roman Stulbach). O filme foi feito de forma livre e inventiva, ousando sem a preocupação de errar, e por isso mesmo resultando em um trabalho que deve ser visto e ouvido da forma mais livre possível, informa o diretor, que propõe uma crítica ao mercado artístico atual. O filme recusa a atual visão melancólica e elitista que enxerga no ato de criar ou de fazer arte um privilégio de poucos. Carola Brecker, com todas as complexidades e limitações de qualquer ser humano, é uma personagem aberta ao mundo, que dá um solene adeus às ‘panelinhas’ e alça o seu próprio vôo.

Rodado no Rio de Janeiro e em São Paulo, o longa foi realizado e finalizado em suporte digital, de forma totalmente independente, com equipamentos próprios e sem qualquer financiamento externo ou oficial. E só saiu do papel graças aos artistas que participaram dele, de forma parceira e colaborativa. Entre os atores, destacam-se Roman Stulbach, montador de um clássico do cinema brasileiro, o longa Bang bang, de Andrea Tonacci (1970), e Otoniel Serra, ator de longas como Copacabana mon amour, de Rogério Sganzerla (1970), e A lira do delírio ((1978) , de Walter Lima Jr . A mútua colaboração e o clima descontraído das filmagens deram o tom do trabalho. Os diálogos, por exemplo, foram em grande parte criados de improviso pelos atores, com base em situações previstas pelo roteiro. Isso conferiu muita espontaneidade ao trabalho do elenco. O editor de som e mixador Luís Eduardo Carmo também elaborou com muita sensibilidade o desenho sonoro do filme.

Completam a programação do dia, no Espaço Alameda de Cinema, às 19h, três curtas realizados por diretores da cidade, abordando diferentes temas. Casa de boneca, de Adriana Barata, financiado pela Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura, lança um alerta sobre o abuso de crianças e adolescentes em áreas rurais. A produção do filme tomou bastante cuidado ao abordar o tema, inclusive porque o elenco contava com crianças e adolescentes. Para trabalhar com assunto tão delicado e polêmico, agregamos profissionais à equipe. Um consultor jurídico, respaldando a realização, e um psicólogo, Diego Zanotti, responsável tanto pela preparação do elenco quanto pelo acompanhamento clínico disponibilizado às atrizes e seus familiares. Assim, asseguramos que a experiência da atuação fosse vivenciada e compreendida de maneira específica, esclarece Adriana.

Sugestão, do professor da Faculdade de Comunicação Social da UFJF, Nilson Alvarenga, foi realizado em parceria com alunos da graduação, com recursos próprios. O filme foi feito pensando a partir de um conceito que surgiu da pesquisa sobre realismo afetivo, algo que trabalhei na pós-graduação. Embora, a princípio, tenha uma levada mais experimental, ele dialoga também com o que se entende hoje como realismo no cinema contemporâneo, explica Nilson.

O documentário estará representado por Veredas Santeiro, escrito e dirigido por Leandro Domith. O curta explora a trajetória do cineasta Sérgio Santeiro a partir do depoimento de Luiz Rosemberg Filho, Raul Magalhães e Gilberto Vasconcellos sobre cultura brasileira, marxismo e Cinema Novo, tentando resgatar a importante contribuição deste curta-metragista para a história do cinema e da cultura brasileira.

NENHUMA FÓRMULA

Hoje, às 15h

Curtas locais

Hoje, às 19h

Espaço Alameda de Cinema