Banda Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo faz show em Juiz de Fora
O grupo paulista se apresenta no Muzik, neste sábado (2), com show de abertura da juiz-forana Varanda


Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo. O nome extenso vem estampado de lado a lado em um disco vermelho, com o rosto do quarteto bem em cima. O álbum, lançado no ano passado, leva o nome da banda porque ele, por si só, é suficiente para dar conta da miscelânea registrada por Sophia Chablau (voz, guitarra), Téo Serson (baixo), Theo Cecato (bateria) e Vicente Tassara (guitarra, teclados). O encontro entre eles tinha que acontecer de alguma forma, afinal, já sabiam como é bom poder tocar um instrumento e, mais ainda – quando tudo se encaixa – porque os quatro viram uma coisa só. E, no show, isso fica ainda mais nítido: as composições de humor ácido, frenéticas, dão espaço para o movimento do ao vivo. Encaixa também. A banda nasceu assim: no palco. E, no palco do Muzik, no sábado (2), às 22h, eles pisam pela segunda vez em solo mineiro (a primeira aconteceu na noite anterior, em Belo Horizonte). A banda juiz-forana Varanda é que faz a abertura, apresentando o disco recém-lançado “Ode ao infinito”. A entrevista que se segue foi feita por email, intermedida pela produtora do grupo paulista.
Tribuna – Como surgiu a banda?
SCUEPT – Foi uma grande paixão por música que juntou nós quatro. Paixão de tocar, de ouvir discos, de colar em shows, de trocar ideias sobre bandas e sons loucos. Nos conhecemos e começamos a conviver mais por causa da música do que por qualquer coisa – tocávamos juntos em bandas, víamos shows uns dos outros e frequentávamos as mesmas casas de shows e os mesmos festivais. Acho que a ideia da “enorme perda de tempo,” no fundo, tem muito a ver com isso: com o potencial que a música independente tem de juntar pessoas, produzir galeras e fomentar o desperdício coletivo de tempo. E foi nessa convivência musical coletiva que nós descobrimos as afinidades entre nós quatro. De maneira que, quando a Sophia chamou a Enorme Perda de Tempo, até então um power trio de roque triste, pra fazer um show no Rio, com músicas da Sô arranjadas de um jeito doidão-pauleira-punk, foi a concretização de um negócio que já estava pra rolar, uma interação maluca e subterrânea que existia entre nós quatro e que tinha de acontecer de alguma maneira. Coisas cósmicas.
Como reunir, em um disco, tantos gêneros e, no final, ter uma unicidade, como acontece no que vocês lançaram?
É maluco como isso acontece, né? Porque, realmente, o disco transborda de influências as mais múltiplas. Isso tem muito a ver com o nosso approach com relação aos arranjos: a ideia de encarar cada música como um universo lírico e sonoro próprio, que exige toda vez um novo campo de referências. Mas esse negócio de referência é sempre um papo meio duvidoso quando vem da boca do artista, né?! Porque na hora do vamos ver, do arranjo, da gravação, a referência acaba passando por um monte de transformações e filtros: o jeito de cantar do vocalista, a pegada dos instrumentistas, os equipamentos de gravação que sempre deixam sua marca de algum jeito. Acho que isso é muito verdade sobre o nosso disco. Apesar da gente lançar mão de um monte de referência o tempo inteiro, My Bloody Valentine e Caetano Veloso, Guilherme Arantes e Steve Reich, no fundo, somos sempre nós quatro tocando, e é isso que dá a unidade pro negócio: o jeito de cantar da Sophia, nossa formação instrumental, nossa pegada, o som maravilhoso do estúdio Canoa, a produção brilhante da Ana Frango Elétrico: tudo isso acaba dando uma liga em tudo, e a doideira acaba fazendo sentido no fim.
Vocês se relacionam com músicos do Rio de Janeiro, como Bala Desejo e Ana Frango Elétrico, e eles têm a mesma vibe de vocês. Como essa relação acontece? É essa a cena musical atual?
A música brasileira tem muitas caras, né? Sempre teve, quanto mais hoje, com a internet, o fácil acesso a recursos de gravação, a distribuição independente, etc. Acho que é sempre importante lembrar disso: a cena em que a gente participa é apenas uma pequena parte da produção musical nacional, e tem coisas incríveis acontecendo em muitos campos diferentes – seja no rap, seja no funk, na música experimental, na música eletrônica ou no mainstream do pop. E, levando em conta essa multiplicidade, acho que fica muito visível a afinidade e proximidade que temos com essa cena de cancionistas cariocas, como o Bala Desejo e a Ana Frango Elétrico: eles operam num campo artístico muito próximo do nosso, o da música alternativa, e, em larga medida, elencam muitas das mesmas referências musicais que a gente. Nada mais natural que curtir o trabalho desses artistas, e querer topar com eles na vida, no rolê, e especialmente, na música. Agora, se isso vem a configurar uma cena, isso é outra questão. Prefiro pensar que são várias cenas diferentes – geográficas, estilísticas, geracionais – que acabam interagindo das mais variadas maneiras.
Vocês estão tendo a oportunidade de vir a Minas Gerais pela primeira vez, com show em Juiz de Fora e em Belo Horizonte. Como tem sido rodar com essa turnê?
Estamos sentindo muito frio na barriga e muito entusiasmo também. Acho que no fundo fazer shows por aí sempre foi o que nós quatro mais quisemos fazendo música, sem contar a parte criativa, é claro. Mas uma vez que a música está pronta, o mais legal é poder circular com ela, ver a reação das pessoas, dos corpos, dos lugares. Compartilhar a música e também as emoções, os momentos, as energias. É o mais importante. Se não fosse por isso a gente trabalhava com outra coisa e, sei lá, tocava junto no fim de semana. Além do fato de nós quatro adorarmos tocar ao vivo e viajar, então estamos muito, muito animados mesmo!











