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Juiz-foranas presas na Tailândia pedem ajuda para voltar

Grupo de sete mulheres, incluindo duas da cidade de Guarani, teve o voo cancelado por conta da pandemia

Por Marcos Araújo

31/03/2020 às 22h12

Cinco mulheres de Juiz de Fora e duas do município de Guarani foram, em grupo, para Bangkok, na Tailândia, a cerca de 17 mil quilômetros do Brasil, mas a viagem, que tinha como objetivo uma imersão de meditação e autoconhecimento, terminou com elas impedidas de voltar ao país de origem, uma vez que tiveram seus voos cancelados em razão da pandemia de coronavírus (Covid-19). A viagem teve início no dia 17 de março, e a volta estava agendada para o último dia 27. Em vídeo publicado nas redes sociais, elas pedem ajuda para o regresso.

Luciana Fiel, uma das presas em Bangkok, afirma que o grupo já entrou em contato com a embaixada do Brasil, na Tailândia, mas ainda não teve solução. “Nenhuma resposta, posicionamento, nenhuma perspectiva de volta para o nosso país. Contamos com vocês, com a ajuda de vocês, com o apoio de vocês, com a vibração de vocês, na busca de uma solução para nossa volta no Brasil, para nossa pátria, para nossas famílias”, diz Luciana, ao longo do vídeo. Ela ainda ressalta que todas estão bem e com saúde, mas precisam voltar. “Nos ajudem, por favor! Contamos com vocês! Juntos somos mais fortes! Gratidão!”, concluiu.

Mayara Delgado Reis, outra integrante do grupo, em entrevista à Tribuna, nesta terça-feira (31), por meio do WhatsApp, contou sobre suas condições no exterior. “Alugamos uma casa até o dia 2 de abril e depois disso precisaremos ver outra opção. Fomos ao mercado hoje (terça) comprar mais comida. Mas estamos comprando só o básico, porque não sabemos até quando vamos ficar nessa situação.”

Ainda de acordo com Mayara, o maior temor é não saber por quanto tempo elas terão que permanecer por lá, uma vez que o dinheiro que dispõem irá acabar. “Essa já é realidade de uma das meninas que está com a gente. E tem outra que toma remédio para quimioterapia oral e está acabando”, relata, acrescentando que há mais brasileiros na Tailândia. Segundo ela, eram 365 quando chegaram ao país, mas, agora, Mayara afirma que esse número já diminuiu.

Preocupação e saudade

O agropecuarista Marcos Gomes de Carvalho é o marido e o pai, respectivamente, das guaranienses Lucimar Carvalho e Mariana Carvalho que fazem parte do grupo, em Bangkok. Segundo ele, além da saudade, a preocupação com as condições em que se encontram a mulher e a filha é bastante. “Temos receio dessa situação provocada pelo coronavírus e delas estarem, neste momento, em outro país. Sabemos que estão bem, mas seria melhor se já estivessem aqui”, afirma.

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Ele conta que consegue se comunicar com as duas com mais facilidade, por meio do WhatsApp, todos os dias, por volta das 21h, já que existe uma diferença de fuso horário de cerca de 10 horas. “Dinheiro elas ainda têm, mas vai acabar. Assim, quando pensamos na situação, ficamos sem chão”, diz Marcos.

Ele lembra que elas já solicitaram ajuda à embaixada brasileira, mas não houve sucesso. “Lá, estão em uma casa com outras mulheres e estão tranquilas, mas loucas para voltar. Sabemos que o voo de lá para cá custa de cerca de R$ 11 mil e não temos arcar com esse custo extra, uma vez que já estavam pagos a ida e a volta. Se não houver a intervenção da embaixada, esse regresso pode ser muito difícil”, ressalta.

Além dos nomes citados ao longo da reportagem, fazem parte do grupo Regina Máxima de Lima Nogueira, Thaynan Miranda Amorim e Juliana Duarte Fernandes.

Itamaraty afirma que trabalha para assegurar retorno

Questionada pela Tribuna sobre a situação das mulheres em Bangkok, a assessoria do Itamaraty informou que a Embaixada do Brasil, em Bangkok, continua trabalhando para assegurar o retorno de todos os brasileiros atingidos pelas restrições de movimentação, e negociando com todas as empresas aéreas pelas quais os brasileiros retidos possam retornar ao país.

Ainda conforme o Itamaraty, após gestões da embaixada em Bangkok, a Ethiopian Airlines ofereceu vôo extra Bangkok/Adis Abeba/São Paulo, para o dia 28 de março, no último sábado, ao custo de cerca de US$ 1.600. Todovia, “infelizmente, o voo terminou por ser cancelado por falta de interesse dos passageiros. Outras soluções estão sendo estudadas”.

O Itamaraty afirma que, com o apoio da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Ministério do Turismo, já atuou para possibilitar o retorno, até o dia 28 de março, de mais de 8.300 brasileiros ao redor do mundo. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, negociações com o governo e com as companhias aéreas estão em andamento para viabilizar solução que permita a todos os nacionais não residentes o mais rápido retorno possível ao Brasil.

Ainda pontua o Itamaraty que “a excepcionalidade da situação e as dificuldades impostas pelo isolamento decretado pelas autoridades em vários países desaconselham qualquer previsão, mas está trabalhando, ininterruptamente, para lograr o retorno de nossos compatriotas. Casos específicos de fechamento de espaço aéreo são analisados individualmente para viabilização de solução que permita lograr o objetivo da repatriação, como foi o caso de Cusco, com voo da FAB, e em Quito, com voo fretado”, finalizou.

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