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Número de católicos cai 9,2% em JF


Por Eduardo Valente e Júlia Pessôa

30/06/2012 às 07h00

O número de católicos em Juiz de Fora sofreu retração de 9,2% nos últimos dez anos conforme pesquisa realizada em 2010, durante o Censo Demográfico do IBGE, e divulgada ontem. O índice observado na cidade segue tendência nacional, já que, no Brasil, o número de pessoas que se declararam católicas caiu 8,94%. Ao mesmo tempo, aumentou o percentual dos autodeclarados evangélicos. No município, este crescimento foi de 6,68% e, no Brasil, de 6,75%. Na pesquisa de religiosidade, um diferencial de Juiz de Fora na comparação com a média do país é o aumento (cerca de 1%) no número de pessoas que declararam seguir a doutrina espírita. Um total de 5,3% dos pesquisados na cidade afirmou seguir a crença. Já no Brasil, os seguidores do espiritismo não passam de 2,02% da população.

Conforme o vigário geral da Arquidiocese de Juiz de Fora, padre Luiz Carlos de Paula, o resultado da pesquisa não surpreendeu a Igreja. No entanto, o religioso destaca que hoje o comprometimento e a participação das pessoas que seguem a religião é maior. "Agora nossas igrejas estão cheias porque existe mais confiança no que é ser católico. Percebemos que há uma busca pela religião e pelo sagrado. Muitos encontram estas respostas na igreja católica e, outros, embora tenham sido batizados em nossa fé, não receberam ensinamentos mais profundos e procuram soluções em outros lugares."

Já o secretário do Conselho de Pastores de Juiz de Fora, pastor José Helvécio, afirma que o crescimento do número de evangélicos é notório. "O resultado desta pesquisa nos alegra. Não porque houve um crescimento no número de evangélicos, mas pelo fato de as pessoas estarem procurando conhecer Deus. Nossa religião, de um modo geral, preza muito pelo ensino da Bíblia como regra de conduta e fé." O pastor também comentou o fato de grande parte dos evangélicos do município se declarar pentecostal (54%). De acordo com o ele, este segmento tem maior participação nas mídias, como rádio, televisão e jornais. "Eles também oferecem respostas mais rápidas aos problemas do dia a dia do cidadão."

O pós-doutor em Teologia e professor da pós-graduação em Ciências da Religião da UFJF, Faustino Teixeira, também avalia que o resultado do estudo está dentro do esperado. Ele afirma que o "catolicismo é um doador universal de fiéis, principalmente para os pentecostais, que crescem aceleradamente em todo o Brasil". Outro aspecto destacado pelo especialista é que as outras religiões têm maior poder de sedução. "Existe uma inadequação do catolicismo com as expectativas dos fiéis. Isso porque há uma dificuldade de comunicação da mensagem. Nos últimos 30 anos, o mundo se modernizou, e a igreja retrocedeu o seu diálogo."

Sobre a possibilidade de o Brasil vir a ter mais evangélicos que católicos, o estudioso afirma que é uma possibilidade. Ele destaca, porém, o fato de a nação ainda ser hegemonicamente cristã. "Percebo que a diversidade religiosa não é assim tão grande no país, como achávamos. O Brasil é um país cristão, com forte crescimento daqueles que se declaram sem religião."

 

Mais espíritas que a média nacional

Apesar de ter crescido na mesma proporção de Minas e do Brasil (aproximadamente 1%), como apontam os dados do IBGE, a comunidade espírita de Juiz de Fora compreende uma fatia maior da população. Cerca de 5% das pessoas declararam seguir a doutrina, enquanto no estado e no país percentual gira em torno de 2%. Para a presidente da Aliança Municipal Espírita de Juiz de Fora, Consolação Muanis, estes números podem estar relacionados à grande quantidade de centros espíritas existentes na região. "Temos 44 somente em Juiz de Fora, e mais 11 na subregião, o que indica que há mais espaços para debater e estudar a doutrina." Ainda segundo Consolação, outro fator que influencia na atração de mais adeptos está relacionado ao próprio espiritismo. "Estamos em uma era em que as pessoas não se contentam mais com explicações místicas, fantásticas, dogmáticas. Por unir ciência e filosofia e fornecer explicações lógicas para muitas perguntas, o espiritismo tem sido buscado por muitas pessoas."

Foi o que aconteceu com a bacharel em psicologia Nelma Christina Barbosa de Castro, que era católica e se converteu ao espiritismo há alguns anos. "O catolicismo não conseguia responder diversos questionamentos que tinha, então, precisei buscar outro caminho. Lendo e tendo pessoas que já eram espíritas como referência, me encontrei na religião. Eu era católica participante, falava em missas, organizava eventos… Fui me distanciando da Igreja à medida em que deixava de acreditar nas coisas que eu mesma falava." Consolação avalia, ainda, que o aumento da abordagem da doutrina em livros, novelas e filmes também contribui para que mais pessoas se interessem por esta fé. "Para muitos, são estes produtos que motivam a procura de um centro ou outra instituição espírita."

O pós-doutor em teologia Faustino Teixeira destaca que o crescimento dos adeptos do espiritismo deve ser ainda maior do que os números indicados no Censo do IBGE. "O brasileiro é um povo que gosta de lidar com os espíritos e a espiritualidade. Então ocorre um fenômeno que chamamos dupla pertença – a pessoa fala que é católica, mas frequenta ou acredita em algo da doutrina espírita, como a reencarnação."

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