Crise hídrica castiga cidades da região
A crise hídrica vivenciada na região Sudeste do Brasil está causando consequências drásticas em municípios mineiros. Cidades vizinhas a Juiz de Fora estão sofrendo há meses com o desabastecimento de água potável. Somente na última semana, Ubá, Visconde do Rio Branco e Viçosa decretaram situação de emergência, em virtude do agravamento do quadro. Além disso, moradores de Astolfo Dutra e Ewbank da Câmara também vivenciam os efeitos da seca.
Um dos casos mais graves ocorre na cidade de Ubá (a cem quilômetros de Juiz de Fora), onde o problema afeta a maior parte do município, conforme moradores. Caixas d’água de várias residências estão vazias há semanas, e a situação chegou ao ponto de a população procurar familiares em outros municípios para realizar atividades básicas, como tomar banho e lavar roupa. “Quando a água cai, o que tem ocorrido raramente, muitas vezes, ela não tem forças para encher a caixa”, comenta a moradora Rosane Ferreira. Outra, que preferiu não se identificar, conta que está frequentando um clube, da qual é associada, para poder aproveitar a ducha. Há relatos de estabelecimentos comerciais que fecham as portas em determinados dias pela falta d’água bem como denúncias de qualidade ruim do líquido que é entregue.
A Prefeitura da cidade prorrogou a situação de emergência. Isso dispensa ações de licitação e contratos de aquisição de bens necessários às atividades de resposta ao desastre. A medida também visa a coibir o abuso dos consumidores na utilização da água. O Executivo também informou que o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) propôs uma ação civil pública requerendo liminar para que sejam adotadas medidas imediatas para redução dos efeitos da crise hídrica. O processo destaca a conduta da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), responsável pelo abastecimento na cidade, mediante a perfuração de poços. Por meio de assessoria, a companhia informou que, para garantir o abastecimento dos moradores durante o período crítico, foram colocados em operação cinco poços, e outros dez serão equipados e inaugurados em até 30 dias. A situação foi oficializada durante audiência pública realizada na última quarta-feira. A companhia também informou que executa obras nas redes de distribuição de água e utiliza caminhões-pipa no apoio ao abastecimento.
Punição para desperdício
Em Viçosa, a situação da escassez de água não é diferente. Na última semana, a Prefeitura solicitou à Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, a inscrição da cidade no programa “Operação Caminhão Pipa 2015”. O objetivo é preparar um plano de contingência para o município caso a estiagem se prolongue por mais 30 dias. O Executivo alega que os reservatórios e sistemas de captação de água da cidade estão em “níveis alarmantes de falta de água, à beira de um colapso total”. Segundo a Comissão Especial de Acompanhamento da Crise Hídrica da cidade, 15% das residências estão afetadas pelo desabastecimento. A Prefeitura também decretou estado de emergência, além de instituir um plano de contingência, uma comissão de acompanhamento da crise hídrica e um projeto de lei que torna mais severa a punição para pessoas que cometem uso indevido ou desperdício de água.
Conforme o Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Viçosa (SAAE), a vazão atual de entrada do Ribeirão São Bartolomeu é de 30 litros por segundo. O SAAE capta desta bacia 35 litros por segundo, e a UFV capta para abastecimento próprio cerca de 10 litros por segundo. A soma das duas captações e a ausência de chuvas geram um déficit diário de 15 litros por segundo. Atualmente a represa possui 18% de água para uso imediato e 39% de somado o volume morto da represa, que deve começar a ser captado nos próximos dias, se não houver chuva considerável até lá.
Proibições
Em Visconde do Rio Branco, a Prefeitura também decretou situação de emergência, com proibição de lavação de calçadas, vias públicas, veículos, quintais e o abastecimento de piscinas com água tratada, entre outras situações de desperdício. A Copasa informou que iniciou o rodízio como medida emergencial para garantir o fornecimento de água aos moradores durante o período crítico. Além disso, a empresa colocou poços profundos em operação e conta com o apoio de caminhões-pipa para auxiliar no abastecimento de água. Conforme a companhia, o mesmo vale para a cidade de Astolfo Dutra.







