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Paciente teve indisposição


Por KELLY DINIZ

28/04/2015 às 06h00

O médico Marcos Moura e o subsecretário de Vigilância em Saúde, Rodrigo Almeida, esclarecem diagnóstico (FELIPE COURI/27-04-15)

O médico Marcos Moura e o subsecretário de Vigilância em Saúde, Rodrigo Almeida, esclarecem diagnóstico (FELIPE COURI/27-04-15)

O paciente que deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Norte, no último sábado, com suspeita de ebola, teve indisposição e mal-estar, segundo o Departamento de Vigilância em Saúde. Na manhã de ontem, a Secretaria de Saúde informou que o paciente estava sendo medicado contra a malária, mas, após exames, esta hipótese também foi descartada. O brasileiro, de 56 anos, não precisou ser encaminhado ao Hospital Regional João Penido e encontra-se em casa, com quadro estável de saúde. O subsecretário de Vigilância em Saúde, Rodrigo Almeida, ressaltou que, apesar de ter sido liberado, o paciente continua sendo monitorado. “Foram realizados vários exames que apontaram um quadro de normalidade. Mesmo assim, na manhã de hoje (ontem), ele retornou para novos exames e averiguação do diagnóstico.”

Após ser descartada a suspeita de ebola, ainda no sábado, o paciente, que havia fugido da unidade, retornou à UPA à noite para passar por reavaliação. O médico epidemiologista que o examinou nesse segundo momento, Marcos Moura, contou que o paciente não apresentava nenhum sintoma de ebola e o seu histórico não tinha vínculo com possível contato com a doença. “Eu tive muita tranquilidade em liberá-lo. Não havia nada que levasse a constatar uma doença contagiosa. Ele é funcionário de uma empresa multinacional e recebe acompanhamento regular, realizando exames periódicos. Inclusive foi examinado antes de vir para o Brasil.”

Para o infectologista Rodrigo Daniel de Souza, houve despreparo e falta de informação no atendimento realizado pela UPA. “Em nenhum momento esse paciente poderia ser enquadrado como ebola. Ele não tinha vindo de uma área de infestação. Falta preparo não só da equipe que atendeu o paciente, como de toda a comunidade médica. Se o caso tivesse ocorrido em outra unidade, aconteceria a mesma situação.” Ainda segundo o infectologista, desde o início do último surto do ebola, no ano passado, ocorreram 26.079 casos da doença no mundo. A maioria aconteceu em Serra Leoa, Guiné e Libéria. Uma pequena quantidade, que, segundo Rodrigo Daniel, não passa de 20 casos, ocorreu em Mali, Senegal e Nigéria. “Não teve nenhum caso na Angola (país onde o paciente estava), que fica a mais de três mil quilômetros desses países que são o foco de preocupação. Mas essa falsa hipótese gerou uma grande oportunidade para as equipes de saúde se prepararem para agir numa situação assim.”

A subsecretária de Urgência e Emergência, Adriana Fagundes, informou que ontem foi revisto todo o fluxo de atendimento em casos de suspeita de doença contagiosa nas unidades de urgência e emergência.

Sobre o leito que não foi utilizado no João Penido, a subsecretária explicou que a vaga foi reservada para caso o paciente precisasse ficar em observação, o que não foi necessário. “Se fosse um caso de ebola, o que não é, o paciente ficaria retido na UPA, e a remoção seria feita imediatamente pelo Corpo de Bombeiros. Ele não entraria em nenhuma unidade hospitalar de Juiz de Fora.”

Excesso de cautela no caso

O subsecretário de Vigilância em Saúde, Rodrigo Almeida, afirmou que houve um excesso de cautela necessário até que a situação fosse esclarecida. “Optamos por analisar a real situação, para então abrir a UPA e liberar as pessoas sem risco de contaminação por ebola.” Segundo a médica do Departamento de Vigilância Epidemiológica, Sônia Rodrigues, o protocolo adotado foi o correto. “No Protocolo Internacional de Biossegurança, com a suspeita de uma doença contagiosa, como o ebola, obrigatoriamente o médico deve tomar as providências de biossegurança, o que foi feito.”

No entanto, nas cinco horas em que a unidade ficou fechada, pacientes foram prejudicados por falta de atendimento ou perderam vagas em unidades hospitalares pela impossibilidade da transferência. A filha de uma paciente de 88 anos, que estava em observação na UPA Norte desde a última quarta-feira, contou que a mãe havia conseguido vaga no Hospital Universitário (HU) e seria transferida no domingo à noite. No entanto, a transferência não aconteceu. “Fomos avisados que a transferência não poderia acontecer porque o elevador do HU estava quebrado, e ela não poderia subir nem de maca e nem de cadeira de rodas pela rampa. ” A idosa foi transferida para o HU na tarde de ontem.

Conforme a Diretoria de Comunicação da UFJF, a não transferência no domingo não teve relação com a suspeita de ebola. A assessoria informou que o elevador estava quebrado e, por isso, o HU teve que elaborar um plano de contingenciamento para o transporte interno dos pacientes. A previsão é que hoje o conserto seja finalizado.