Um olhar sobre o eclipse da Lua
Dentre as centenas de juiz-foranos debruçados à beira do Mirante Salles de Oliveira, Nina Halfeld, ligeiramente assustada, estava, ainda, afastada da multidão, ao lado de sua bicicleta. “Mas não estou aqui por causa do eclipse”, reage, irremediavelmente, ao apresentar-se. Pedala, com certa frequência, até o Morro do Imperador para testemunhar o pôr do sol. Diante da fila de veículos largados na Estrada Gentil Forn, Nina pegou-se acompanhada ao fim de tarde.
Aponta ela, tanto quanto animada, o borrão laranja, imperceptível a olho míope nu. “É a primeira vez que acompanho um eclipse. Se acompanhei antes, era muito pequena”. À moda para guiar a sua bicicleta, Nina, já acomodada, acompanharia ao eclipse até os primeiros incômodos do frio cortante. “Dei sorte”. Alan Fernandes, em contrapartida, arrastou o filho homônimo, à sua revelia, como companhia; queria o pai “tirá-lo do celular. Ele veio com a roupa que estava”. A esposa, ansiosa em fim de expediente, convidou-o a assistir a lua avermelhada, sem saber da fuga do marido. Alan entregou-se; alegou que não sabia que a esposa “gostava do eclipse”. De Santa Terezinha, Alan conseguira, em ocasião anterior, ver a Lua de seu apartamento, apesar do céu nublado. “Fiquei com preguiça de subir.”
Solitários, acompanhados; pretos, brancos; crianças, idosos. Em amálgama tornou-se o mirante. Câmeras reproduziam-se ao monte. De celulares e, inclusive, profissionais. Poucos os que observavam, vidrados, o cobre a olho nu. Garrafas de vinho e cigarros. Cachorros, alguns. “É a primeira vez que vejo o mirante cheio assim em dia fora de evento”, solta o fotógrafo companheiro de casa, assim como Magali Bastos, distante do mirante e próxima à capela junto a fotógrafos. “Até para estacionar o carro foi difícil. Paramos na subida. Eu achei bonito essa quantidade de gente aqui.”
Flávio Mattos, contador, mas motorista, explicava-a como lidar com os acasos de uma câmera fotográfica. Fora, em determinada ocasião, seu professor de fotografia noturna. “Eu já fiz fotos de outros eclipses lunares, mas esse é especial; em nenhum outro a lua estava avermelhada.” Tudo o que é fotografável apetece Flávio. Assim como a Lua agrada Magali. Saiu o mirante do Imperador como alternativa à pedra de Simão Pereira. Mas o tempo é curto; tão curto quanto a aparição da Lua de Sangue. O eclipse mais longo do século dos últimos 18 anos.
























