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UFJF conclui sindicância sobre caso de assédio


Por MARCOS ARAÚJO

27/07/2016 às 08h27- Atualizada 27/07/2016 às 09h28

Depois de 29 dias de trabalhos, foi concluída ontem a sindicância aberta pela UFJF para apurar o caso de assédio contra uma aluna envolvendo um professor de 61 anos da Faculdade de Odontologia. O docente foi denunciado por uma estudante do curso, de 23 anos. Segundo a jovem, ela teria sido trancada em uma sala reservada, onde o professor a teria agarrado pelos braços e a forçado contra a parede, ocasião na qual ele teria dito que a universitária era uma reles acadêmica e que ela não teria lugar entre doutores. A acadêmica ainda foi ameaçada de reprovação. Desde o episódio, o docente estava de licença médica, mas o prazo terminaria ontem. Todavia, conforme a assessoria de comunicação da UFJF, é possível que o período de afastamento seja renovado a partir de hoje.

Ainda de acordo com a assessoria da universidade, a sindicância foi concluída e encaminhada para a Reitoria, que, por sua vez, a enviou para a Procuradoria da instituição com pedido de urgência para parecer jurídico, a fim de que possam ser definidos os próximos passos do processo. Não foi divulgado o que já foi apurado, o que deverá acontecer após a universidade ter em mãos a avaliação jurídica. Não há prazo definido para tanto, mas, como foi solicitada urgência, a instituição espera que em breve possa se manifestar a respeito.

Conforme o vice-presidente da Associação de Docentes de Ensino Superior de Juiz de Fora (Apes/JF), Agostinho Beghelli Filho, o órgão já teve ciência do encerramento da sindicância, contudo ainda não havia sido informado a respeito do teor do documento. “Estamos acompanhando o processo, para garantir que o trabalho seja transparente. A Apes irá aguardar os detalhes do parecer da sindicância para poder se manifestar.”

Estudante

A denúncia da estudante foi formalizada no dia 23 de junho, quando ela procurou a direção da Faculdade de Odontologia. Na ocasião, a jovem, que deverá formar no final do ano, também relatou ter sido assediada pelo suspeito quando estava no quinto período e que tinha conhecimento de que o docente assediava outras alunas. Segundo ela, os fatos nunca foram denunciados, porque o professor a ameaçava de não se formar.

Ontem, ao saber do encerramento da sindicância, a universitária disse que se sentia aliviada. “É bom saber que o processo está andando e que não vão deixar morrer. Espero que realmente não deixem, pois foi muito grave, e não é de hoje que vem acontecendo isso em relação a este professor.” Todavia, ela afirmou que, depois que fez a denúncia, notou uma diferença no comportamento de algumas pessoas na faculdade. “Meu relacionamento não tem sido o dos melhores com algumas pessoas, porque muita gente está com medo de ser prejudicada em relação aos fatos. Algumas pessoas estão me excluindo, me tratando mal, mas estou conseguindo levar”, desabafou.

Ela esclareceu que a disciplina cursada com o professor denunciado era ministrada ainda por mais três docentes. Depois do afastamento dele, os outros assumiram toda a disciplina. A estudante ainda afirmou que teve conhecimento de que mais pessoas procuraram a sindicância para denunciar outros abusos cometidos pelo mesmo professor.

Coletivos acompanham desdobramentos

A integrante do Coletivo Maria Maria, núcleo da Marcha Mundial das Mulheres, Laiz Perrut, que também é aluna no Mestrado em História da UFJF e diretora de Combate às Opressões da Associação de Pós-graduando (APG) da UFJF, afirmou que todos os desdobramentos da denúncia vêm sendo acompanhados por ela, que ontem esteve na Ouvidoria da UFJF para se informar a respeito da sindicância e de seu encerramento. “Esperamos que, no mínimo e muito rápido, seja aberto o processo administrativo contra o professor. Temos relatos de que foi um trabalho que realmente apurou os fatos. Sabemos que tiveram outras estudantes e mulheres fazendo mais denúncias contra o mesmo professor. Percebemos que a UFJF teve uma sensibilidade para apurar o caso e dar seu andamento”, ressaltou Laiz.

Ela ainda destacou a importância da coragem da aluna em fazer a denúncia e o trabalho da comissão de sindicância para inibir novos casos de assédio na universidade. “Quando se leva para a frente uma denúncia desta e se dá uma resposta para sociedade e para a comunidade acadêmica, outras mulheres são encorajadas a denunciar. “É um caso emblemático para que possamos avançar dentro da UFJF a questão de assédio. A divulgação desta denúncia e das providências que estão sendo tomadas é de extrema importância.”