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Quase metade das casas de JF sem computador


Por FERNANDA SANGLARD

27/05/2012 às 07h00

O número de casas juiz-foranas com computador quase quadruplicou em dez anos e, proporcionalmente, é maior do que a média estadual e nacional. Apesar disso, pouco mais de 50% das residências contam com o equipamento na cidade, enquanto em Minas e no Brasil, percentual é de 38%. Dados retirados da amostra dos censos demográficos realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, em 2000, 23.727 famílias tinham pelo menos um computador, o que representava 18% dos lares existentes. Já no último levantamento, de 2010, foram contabilizados 90.996 domicílios com o equipamento, o que corresponde a 53% das casas, sendo que 74 mil tinham acesso à internet. Mesmo sendo um aumento expressivo, os dados revelam que a posse desse bem ainda não é acessível a todos. Enquanto algumas famílias têm mais de um computador por pessoa (incluindo desktops, notebooks e tablets), há residências em que o aparelho ainda inexiste.

É o caso da auxiliar de serviços gerais Lillyan Ventura da Silva, 40 anos, que entrou para a estatística dos lares que não contam com o equipamento. Segundo ela, os filhos recorrem à lan house quando precisam fazer algum trabalho da escola ou querem jogar e acessar redes sociais. "Meu filho mais velho vai quase todos os dias e acabo gastando até R$ 2 por dia na lan house por causa dele, o que onera no fim do mês. Acabei de ganhar um computador e, assim que eu puder, vou instalar e tentar colocar internet, que é o mais essencial. Acho que vamos até economizar, e será uma forma deles ficarem mais em casa", conta Lillyan.

O estudante Alex Sandro de Oliveira, 16, também não tem computador em casa e, quando precisa, faz uso do equipamento em lojas especializadas ou na Biblioteca Municipal Murilo Mendes. "Uso para as atividades do trabalho, para fazer alguma pesquisa e me manter informado, porque não gosto de ficar conversando pela internet nem de usar e-mail." Já a casa do estudante Felipe Mateus, 17, representa as famílias que não tinham a máquina em 2000, mas já possuíam em 2010. Ele mora com três pessoas e tem um computador adquirido há cerca de três anos.

 

Novo perfil

A mudança no perfil da população que utiliza lan house é percebida por Marcelo Spagnolo, dono de um cyber café no Bairro Santa Luzia. "Há sete anos, quando abri minha loja, boa parte dos meus clientes não tinha computador. Hoje, a realidade é outra e, ao contrário do que muita gente pensa, a maioria das pessoas que frequentam a lan house tem. No entanto, nem todos contam com internet ou impressora em casa. Também temos clientes que vêm porque precisam utilizar um programa específico, para usar joguinhos ou para receber ajuda, porque não sabem mexer direito."

A atendente Adriana Roma, 47, e a filha Nicole Roma, 24, têm o equipamento em casa, mas usam a lan house para imprimir, quando necessário. "O computador deixou de ser visto como objeto de luxo e se tornou uma necessidade. Acho que devido à facilidade para comprar, mais gente passou a ter. Optamos por ter laptop pela mobilidade, mas como não temos impressora, a melhor alternativa é a lan house", explica Nicole.

 

Telefone fixo perde espaço para celular

Além dos números referentes aos computadores, a amostra do Censo revela outras curiosidades em relação aos bens duráveis. Dos 170 mil domicílios juiz-foranos, 98,4% contam com televisão, enquanto 97,5% têm geladeira e 65,5%, máquina de lavar roupa. Já a proporção de lares com telefone fixo caiu em dez anos. Enquanto 74,2% das famílias tinham linha telefônica em 2000, no último censo eram 65%. O responsável por essa mudança é o celular, já que, das 160 mil residências que possuem algum tipo de telefonia, em 110 mil pelo menos um morador faz uso do aparelho. Desse total, quase 50 mil lares contam só com celular, o que representa 30% das casas com telefone.

Conforme o IBGE, os avanços recentes da telefonia no país motivaram o levantamento mais detalhado no Questionário da Amostra do Censo Demográfico em 2010, com o objetivo de descrever as transformações ocorridas. De acordo com o sociólogo e professor do Departamento de Ciências Sociais da UFJF, José Alcides Figueiredo, por se tratarem de dados isolados, não é possível fazer relações mais profundas sobre o que os números representam em termos de modificação social. No entanto, ele diz ser nítida a mudança ocorrida a partir do uso do celular, e que a posse de telefone fixo parece se manter como divisor econômico.

Tanto o sociólogo quanto o estatístico do Centro de Pesquisas Sociais da UFJF (CPS) Iago Carvalho Cunha explicam que a maior facilidade na compra dos aparelhos celulares pode justificar a mudança. Segundo eles, enquanto alguns bens duráveis ainda são relevantes na determinação de classe social, outros, como televisor, rádio e geladeira, passam a ser menos significativos, já que estão nas casas de quase a totalidade da população. "O rico não compra três geladeiras. Ele compra outras coisas, ou tem acesso a outras coisas. Isso afeta também as distinções de status e estilo de vida", ressalta José Alcides.