Beco do Sabão segue com riscos e bloqueios mais de um mês após chuvas em Juiz de Fora
Travessia no Centro de Juiz de Fora permanece interditado e sem energia em parte da via após chuvas
A Travessa Irmão Heraldo, conhecida como Beco do Sabão, que liga a Avenida Sete de Setembro à Rua Cesário Alvim, no Centro de Juiz de Fora, é uma das centenas de vias que sofreram com as consequências das fortes chuvas de fevereiro na cidade. Após mais de um mês da tragédia, o local ainda apresenta dois pontos de deslizamento que atingiram parte dos imóveis, além da suspensão do fornecimento de energia elétrica em parte do beco, após a queda de um poste, e da incerteza entre os moradores que não foram evacuados sobre a segurança na região em caso de novas chuvas.
Valéria de Souza é aposentada e moradora da região. Segundo ela, a Defesa Civil só foi ao local para vistoriar as casas cerca de três semanas após as chuvas e orientou que os moradores que permanecessem nas residências deveriam deixá-las em caso de chuva ou caso ouvissem algum barulho atípico, como um estalo, por exemplo. “A gente não tem como sair daqui porque os entulhos não deixam. A Prefeitura não veio limpar, liberar a rua, então nós estamos presos, acuados aqui no meio da confusão”, relata.
Segundo Valéria, os moradores já acionaram a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) e a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), mas não foi apresentada uma solução para o Beco do Sabão. “Tem algumas árvores na Rua Palmira Pessoa que precisam ser cortadas, porque quando venta, a gente fica com medo de terminar de puxar o resto. Eles não dão nenhuma justificativa, só falam que é outro setor, outro órgão”, diz a aposentada.
A situação do Beco do Sabão também prejudica os comerciantes da região. Edna Lopes possui um estabelecimento na via e não consegue receber nem despachar mercadorias, já que o acesso está obstruído pelos deslizamentos. “Meu trabalho está sendo braçal neste último mês. Eu tenho que ir na transportadora, coletar no carro, trazer pra cá e descarregar. E isso impacta financeiramente, porque o tempo que eu estou fazendo o trajeto, minha loja não está produzindo”, conta.
Procurada pela Tribuna, a Cemig informou que aguarda a liberação da Defesa Civil para que as equipes possam atuar na remoção do referido poste. “O acesso ao local por meio de veículos pesados, como caminhões, permanece interditado em razão das chuvas dos últimos dias de fevereiro. A companhia informa, ainda, que mantém contato com os órgãos da Defesa Civil que monitoram a situação no local para atuação após liberação de acesso”, cita a nota.
A Tribuna também questionou a Prefeitura sobre a situação no Beco do Sabão. Em nota, o Executivo informou que a retirada da terra só poderá ser feita quando a Defesa Civil atestar segurança para a realização do serviço. A Administração municipal acrescentou que a situação do poste e o restabelecimento da energia são de responsabilidade da Cemig.












