No Paineiras, buscas por menino de 9 anos continuam com auxílio de cães e contenção de pedras

Mesmo com orientação de evacuação em ruas do bairro, alguns moradores se recusam a sair de suas casas


Por Elisabetta Mazocoli e Nayara Zanetti

27/02/2026 às 10h34- Atualizada 27/02/2026 às 13h41

No Bairro Paineiras, as buscas continuam na manhã desta sexta-feira (27) pelo corpo de um menino de 9 anos, desaparecido após o deslizamento na Rua do Carmelo. O Corpo de Bombeiros contou que as procuras estão sendo realizadas com o auxílio de cães farejadores e a contenção de pedras no barranco, para evitar novos problemas. A maior dificuldade, no momento, é a chuva, que não dá trégua na cidade desde segunda-feira (23). 

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(Foto: Felipe Couri)

Ao todo, foram seis vítimas no  Paineiras, sendo quatro desta mesma família. Durante a procura pelo corpo soterrado, os bombeiros explicaram que os cuidados envolvem a passagem no terreno bastante íngreme e a lama que se formou a partir das chuvas. Para a atuação, estão presentes os cães Flecha e Anjo — o primeiro é uma cadela de um ano e nove meses, que está atuando pela primeira vez em buscas do tipo. “A maior dificuldade é a chuva que não para e a lama sobre o terreno. Isso dificulta a percepção do odor, e o cachorro tem mais dificuldade de trabalhar”, explica Cabo Couto, do Corpo de Bombeiros

Mesmo diante do cenário devastador, há moradores que ainda não saíram de suas casas. Daire Lopes, de 62 anos, mora em um prédio na Rua do Carmelo, que teve orientação de evacuação. No entanto, ela contou à Tribuna que não pretende sair de seu apartamento e que está mantendo sua rotina, pois acredita que sua casa não será atingida. Mas reconhece que a negligência em relação ao bairro é persistente. “Foi uma tragédia anunciada. Tinham casas sendo vendidas ali há pouco tempo”, diz.

prédio no Paineras
Prédio na Rua do Carmelo. Rua teve orientação de evacuação pela Defesa Civil (Foto: Felipe Couri)

O Bar do Célio fica a poucos metros de onde a tragédia ocorreu, e a família responsável observa de perto as movimentações. Célio Oliveira Silva, de 75 anos, estava na sua casa, no Bairro Morumbi, quando soube dos efeitos das chuvas. “Tem 70 anos que estamos aqui e nunca tinha acontecido nada do tipo”, afirma. Além do bar, ele também trabalha com uma mercearia, e o impacto financeiro foi sentido, pois manteve o bar fechado ao longo da semana diante dos eventos. “A minha média de faturamento é de R$350 a R$400 por dia. Então, já estou no vermelho”, conta.

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