Campanha de doação de cabelo
“Eu não me reconhecia, não me sentia bem com a minha autoimagem. Eu só conseguir fazer faculdade, trabalhar e dar plantão porque tive uma peruca.” O desabafo da médica Dayane Abreu, 28 anos, resume a importância do uso da peruca para que muitas mulheres consigam ter uma rotina, mesmo enfrentando um tratamento contra o câncer. A jovem descobriu um câncer de mama aos 26 anos, quando estava no último ano da faculdade e no primeiro de casamento. Após passar por quimioterapia, retirar a mama e fazer radioterapia, ela busca usar a experiência de paciente oncológica para aprimorar o trabalho como profissional. E uma de suas iniciativas está sendo a campanha de arrecadação de cabelos, que serão doados para a Ascomcer. O objetivo é facilitar o acesso a perucas para pacientes, que custam em torno de R$ 3 mil. “A Ascomcer tem uma gama pequena de perucas para emprestar e tem pacientes que não devolvem.”
Formada recentemente pela Suprema, Dayane convidou as colegas de turma para participar da doação de cabelos. “Eu acho que já estávamos todas doidas para desapegar do cabelo. Eu adorei o corte novo. Estou me sentindo o máximo”, conta Anna Carolina Jácome. Quem também quis participar da campanha foi Ester Malaquias, de 8 anos. “Eu fiquei sabendo pela minha mãe. Ela viu no site da Suprema. Eu falei: ‘Mãe, eu quero ir, quero doar para ajudar as pessoas que tem câncer.'”
O espaço Fernanda Galloletti Estúdio de Beleza foi o responsável pelos cortes e irá continuar com a campanha durante todo o mês de fevereiro. Os cortes serão realizados gratuitamente nas terças e quartas-feiras. A doação precisa ser de, no mínimo, dez centímetros de cabelo. Quem quiser participar, pode entrar em contato pelo telefone (32) 3025-4646. O salão fica no Spazio Designer, Ladeira Alexandre Leonel 221, loja 115. “Para confeccionar uma peruca, é preciso de cerca de 300 gramas de cabelo. O número de pessoas varia conforme o volume dos cabelos, mas, em média, são necessárias entre cinco e dez doadoras”, explica a proprietária do estabelecimento Fernanda Galloletti.
Retirada da mama
Como descobriu o câncer já em estágio avançado, Dayane precisou fazer a mastectomia. No entanto, ela conseguiu realizar a reconstrução imediata da mama. “Eu sai de uma cirurgia absolutamente da mesma forma que eu entrei. Mas, infelizmente, muitas mulheres saem sem nada e nem têm o conhecimento do direito à reconstrução imediata. O paciente oncológico precisa ser visto de uma maneira holística e, muitas vezes, pela própria deficiência do nosso sistema de saúde, pela carência financeira e logística, nós não conseguimos efetivar. É por elas que estou lutando.”
A colega Anna Carolina conta que a força de Dayane impulsionou a turma para tentar fazer a diferença na vida de outras pessoas. “Quando a gente estuda sem passar por aquilo na nossa vida pessoal, a gente vê tudo de uma forma muito fisiológica. Tendo uma pessoa tão querida portadora da doença, a gente passa a encarar o câncer de outra forma.”








