Ouça agora

Abandono de animais cresce no início de ano


Por BÁRBARA RIOLINO

27/01/2016 às 07h00- Atualizada 27/01/2016 às 08h07

Diana foi adotada no início do ano por Amilcar:

Diana foi adotada no início do ano por Amilcar: “A gente não resiste e acaba colocando dentro de casa” (Olavo Prazeres/11-01-16)

Quando nos dispomos a cuidar de um animal, precisamos ter em mente que vamos dar a ele atenção e um lar cheio de carinho, já que a permanência deles em nossa vida será por muitos anos. Infelizmente, nem todos pensam desta forma e, na primeira oportunidade, optam por abandoná-los à própria sorte. A cada ano, principalmente entre os meses de dezembro e janeiro, quando muitos estão envolvidos nas festas de final de ano e nos preparativos das férias, o problema aumenta. Na primeira semana do ano, para se ter uma ideia, o Corpo de Bombeiros de Juiz de Fora já registrou sete ocorrências envolvendo captura e resgate de cães perigosos ou agressivos pela cidade.

“O nível de estresse e de agressividade do animal nem sempre está ligado à fome, mas ao abandono. Esta condição faz com que eles se sintam ameaçados pelas pessoas. Uma vez que desconhecem o ambiente em que estão, acabam por oferecer riscos”, explica a tenente Priscila Adonay, assessora de comunicação da corporação. Em todo 2015, a corporação realizou a captura e encaminhamento de 71 cães nestas condições.

Além do abandono, é nesta época do ano que muitos fogem de casa. Assustados pelos fogos de artifício ou por terem de conviver com residências vazias, os animais tomam as ruas. “É um período péssimo para eles, principalmente para cães mais idosos e de raça. Embora isto seja uma constante, notamos que entre o final de 2015 e o começo de janeiro houve mais casos”, explica a presidente da Sociedade Juizforense de Proteção aos Animais e Meio Ambiente, Maria Elisa de Souza.

“É muito comum, também, o abandono de fêmeas grávidas ou com filhotes. Da segunda quinzena de dezembro para cá, recolhemos mais de 30 filhotes, entre gatos e cachorros, que estavam em situação de risco”, estima Elisa. “O abandono, infelizmente, é geral, e ocorre principalmente em estradas e em locais bem distantes de suas residências. Quando vamos atender este tipo de caso, detectamos que as pessoas deixam eles para a morte. Isto resulta em atropelamentos, que chegam a quase um por dia.” O animal que sobrevive, segundo Elisa, leva pra sempre a marca do abandono. “Independente de ser uma pessoa ou um animal, o abandono marca e dói da mesma forma”.

 

Uma nova chance

Enquanto muitos cães e gatos esperam uma nova chance para serem adotados e ganharem um novo lar, alguns têm sorte em encontrar pessoas dispostas a dar a eles uma nova perspectiva de vida. O comerciante Amilcar Alvarenga de Araújo, 52 anos, começou 2016 com uma novidade na família: a cadelinha Diana, que apareceu na rua de seu estabelecimento nos primeiros dias do ano. “Em 22 anos de loja, aqui no São Mateus, já vi muitos animais abandonados nas ruas. A Diana é o quarto que eu adoto. A gente não resiste e acaba colocando para dentro de casa.”

Segundo Amilcar, quando Diana apareceu na rua, ela não apresentava sinais de maus-tratos, o que leva a crer que ela se enquadra nesta situação: fugiu ou foi abandonada. “As pessoas não têm muita noção do que é ter um animal. Acham que é um bicho de pelúcia, mas quando começam a fazer xixi ou cocô, soltam na rua. O animal sabe quem gosta dele e quem não, por isso, vejo que é ele quem escolhe a gente. Aí, a gente vê a carinha e não resiste”.