Ouça agora

Vendedores ambulantes fazem protesto no Centro de Juiz de Fora

Trabalhadores criticaram opressão da fiscalização municipal; manifestação teve origem após ação na Praça da Estação, segundo camelôs


Por Gabriel Silva, sob supervisão do editor Eduardo Valente

26/08/2021 às 11h12- Atualizada 26/08/2021 às 19h55

Vendedores ambulantes fizeram protesto pelas ruas da região Central de Juiz de Fora na manhã desta quinta-feira (26). De acordo com os trabalhadores, a manifestação teve origem após ação de repressão aos camelôs irregulares na madrugada de quinta, em um estacionamento próximo à Praça da Estação, no Centro. Posteriormente, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) confirmou a operação e informou se tratar de um “depósito para mercadorias irregulares”, que culminou na apreensão de “grande quantidade de ovos, além de legumes e frutas”, que foram doados. Os manifestantes criticaram ainda a falta de emissão de novas licenças e a retirada dos produtos pelos agentes municipais.

Após se reunir na Praça da Estação, o grupo de aproximadamente 50 pessoas caminhou pela Avenida Getúlio Vargas até chegar à Avenida Rio Branco. Por volta das 11h, os ambulantes mantinham fechada a pista da Avenida Rio Branco no sentido Centro/Manoel Honório. A retenção no trânsito era observada a partir da interseção com a Avenida Itamar Franco.

O tráfego normalizou após o grupo chegar à Câmara Municipal, onde os manifestantes passaram a criticar a administração da PJF e pediram o aparecimento de algum vereador. Durante todo o trajeto, os ambulantes fizeram barulho com apito, panelas e com gritos de “queremos trabalhar”.
A principal reclamação dos camelôs na manifestação foi a respeito da agressividade nas ações de fiscalização. Houve ainda quem reivindicasse um novo processo licitatório ou um local para que pudessem realizar as vendas de mercadorias. “O pessoal da fiscalização nos vê como ladrões. A gente é trabalhador, nós não estamos roubando. Já está difícil ter serviço em Juiz de Fora, a Prefeitura poderia pelo menos colocar um lugar para a gente trabalhar”, dz Cintia Arantes, que vende itens diversos em vias da região central.

Os trabalhadores ainda relataram a tomada de mercadorias por parte dos agentes da fiscalização. “Nós não temos nem o direito de pegar a mercadoria e guardar. Eles chegam tomando e jogando no caminhão de lixo”, diz Emily Leandra, uma das ambulantes que realizaram todo o trajeto entre a Praça da Estação e a Câmara Municipal.

A vendedora Marileia Vieira relatou ter perdido R$ 4.500 em mercadorias na operação desta quinta. Atuando há dois anos nas ruas juiz-foranas, ela afirma já ter solicitado regularização, mas compõe o grupo de pedidos que aguardam por análise nas gavetas da Prefeitura há mais de uma década. “Eu fiquei desempregada durante a pandemia, tenho que pagar aluguel de R$ 620 no (Bairro) Bandeirantes e eles não estão dando espaço para a gente trabalhar. A minha intenção é que ela (Prefeitura) arrume um lugar para a gente trabalhar”, reivindica.

Os vereadores Maurício Delgado (DEM), Laiz Perrut (PT) e Carlos Alberto Bejani Júnior (Podemos) foram até a porta da Câmara conversar com os vendedores ambulantes. Em seguida, eles formaram um grupo, com quatro representantes, para entrar e conversar com o presidente da Casa, o vereador Juraci Scheffer (PT). Os representantes também irão participar de diálogo com a Prefeitura, segundo nota do Executivo.

manifestacao ambulantes
Manifestantes foram recebidos por um grupo de vereadores na Câmara Municipal; representantes dos trabalhadores também participarão de reunião com secretária da PJF (Foto: Leonardo Costa)

Prefeitura planeja diálogo para sexta

Por meio de nota, a PJF informou que a secretária de Sustentabilidade em Meio Ambiente e Atividades Urbanas (Sesmaur), Aline Junqueira, irá se reunir com representantes dos vendedores ambulantes na sexta-feira (27). A Prefeitura ainda informou que o Grupo de Trabalho (GT) que discute a situação dos camelôs está analisando o levantamento do perfil dos trabalhadores, realizado ao longo dos últimos meses, para revisar a legislação que abrange o comércio ambulante no município. Segundo a PJF, 706 pessoas foram cadastradas.

A respeito das ações empreendidas pela fiscalização da PJF, a Administração municipal informou que trabalha para “impedir a distribuição de mercadorias e evitar a precarização da mão de obra”. A operação desta quinta, segundo a Prefeitura, “interditou um estacionamento no Centro que servia de depósito para mercadorias irregulares. O proprietário já havia sido notificado na semana passada e orientado de que contribuir para a realização de atividades não autorizadas poderia resultar em autuação e interdição”.

“A PJF, através de um trabalho integrado de inteligência, está monitorando desde a compra até a entrega de produtos irregulares em Juiz de Fora. O monitoramento mostrou que veículos e outros estabelecimentos estão distribuindo e servindo de apoio ao comércio irregular”, argumenta a Prefeitura. Ainda conforme o Executivo, os alimentos apreendidos na ação desta quinta foram doados ao Educandário Carlos Chagas, às Aldeias Infantis SOS e à Sociedade Beneficente Sopa dos Pobres.