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Doadores precisam atualizar seus cadastros


Por BÁRBARA RIOLINO

26/07/2015 às 07h00- Atualizada 28/07/2015 às 09h04

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Ao lado dos pais, Marco e Ione, Bella espera por um doador de medula (Olavo Prazeres/24-07-15)

A campanha #JuntosPeloPaulinho motivou muitas pessoas a se tornarem doadoras de medula óssea, ampliando os dados do Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), que abriga informações de voluntários cadastrados em todo o país. Ao contrário de Paulinho, 5 anos, que encontrou a chance de cura da leucemia no irmão mais novo, muita gente não tem a mesma sorte e precisa recorrer a este banco, abrigado desde 1998 no Instituto Nacional de Câncer (Inca).

É o caso da menina Isabella, 5 anos, que, sem parentes compatíveis, está em busca de um doador. Para ela, o Redome é a única solução. O problema, porém, é que muitos destes doadores cadastrados não atualizam com frequência seus dados, o que acaba dificultando na hora de localizá-los.”A atualização deve ser feita a cada mudança, seja de endereço ou de telefone”, destaca a chefe do setor de Captação e Cadastro de Doadores da Fundação Hemominas, Lidiane Laroca. Ela ressalta que a mudança no cadastro, agora, está mais fácil, pois pode ser feita pela internet.

Conforme Lidiane, o primeiro cadastro do doador ocorre quando ele vai pela primeira vez ao hemocentro e, ao informar seus dados, é realizada a coleta do material. O segundo contato só vai acontecer se o doador for compatível com algum paciente. Neste caso é feito novo exame para confirmação, chamado de “tipificação confirmatória”. “Depois disso, os dados ficam disponíveis para consulta no Redome, e aos cuidados do Inca, para todo o Brasil e no exterior”, comenta Lidiane.

No Redome constam informações como nome, endereço, resultados de exames e características genéticas do doador. Conforme a Fundação Hemominas, entre 2010 e 2014, foram cadastrados 401.390 candidatos à doação de medula óssea no estado.

Resultado positivo

A mobilização em prol do Paulinho, segundo a chefe de captação, ajudou a elevar o registro de candidatos no Hemominas e, consequentemente, o comparecimento de doadores de sangue. “Para o cadastro de medula óssea, recebemos uma média de dez candidatos por dia.

Em maio e em junho, a média passou para 80”, comentou. Também nestes dois meses, o comparecimento diário de doadores de sangue esteve perto do ideal: entre 110 e 130 voluntários por dia. “Em julho, porém, o estoque de O e A negativos voltou a ficar baixo em alguns dias. O comparecimento caiu para a média de 60 doadores diários.” Para Lidiane, campanhas como a #JuntospeloPaulinho contribuem muito para o Hemocentro, mas é preciso mais. “Infelizmente no Brasil só há mobilização e sensibilização com uma causa quando ela está ligada a um rosto. Isso até nos ajuda, mas o que as pessoas precisam entender é que a doação, sobretudo a de sangue, é necessária e imediata”, reforça.

Paulinho, responsável pelo aumento de candidatos a doadores, permanece internado no Hospital Samaritano, em São Paulo, fazendo tratamento preparatório para a realização do transplante de medula. Exames mostraram que seu irmão, Arthur, 2 anos, é 100% compatível.

Sem familiares compatíveis, Bella procura um ‘anjo’

Na ausência de irmãos e parentes compatíveis, a pequena Isabella, que completa 6 anos em agosto, está em busca de um “anjo” que possa ajudá-la a vencer a leucemia. Ela estampa a campanha #UmAnjoparaBella, que pretende mobilizar a população para encontrar um doador compatível. Ou seja, diferente de Paulinho, sua chance de cura está no Redome.

“Fizemos testes na família toda, mas ninguém foi compatível. Nossa esperança está neste anjo, que temos muita esperança de encontrar”, destaca o pai de Isabella, o servidor público Marco Antônio Picoli, 49 anos. Bella foi diagnosticada com leucemia em dezembro de 2013 e, desde então, iniciou o tratamento e muitas sessões de quimioterapia.

Em julho de 2014 ela fez novos exames, que apontaram a remissão do câncer. Foi iniciado o período de manutenção, que deveria durar dois anos, mas, em maio deste ano, a surpresa: Bella teve uma recaída, e a doença voltou. “Tivemos que iniciar tudo outra vez. Ela continua recebendo medicamentos, mas tem indicação imediata para o transplante. Quanto mais rápido encontrarmos o doador, melhor”, disse o pai.

Marco revela que, quando a doença volta, tudo fica mais difícil, pois o organismo pode criar resistência aos remédios e dificultar o processo. “É como se tudo que foi feito deixasse de ser suficiente. Queremos encontrar o doador logo para que Bella volte ao convívio dos amigos e da família, possa ter uma vida de criança como ela merece.”