Empresa inicia vistoria para obra no Córrego Humaitá; Prefeitura garante canteiro de obras ainda em março

Prazo para finalização do projeto é de três meses, de acordo o Executivo municipal


Por Bernardo Marchiori e Vinicius Soares

26/03/2026 às 17h18

Quase três semanas após o anúncio da prefeita Margarida Salomão (PT), em 7 de março, da montagem de um canteiro de obras para a intervenção de macrodrenagem no Bairro Industrial, na Zona Norte de Juiz de Fora, a estrutura ainda não foi instalada. Entretanto, a empresa que venceu a licitação iniciou, na segunda-feira (23), a vistoria em todos os imóveis da região – parte das etapas preparatórias para o avanço das obras de drenagem e esgotamento sanitário previstas no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), na região da bacia do Córrego Humaitá e do Rio Paraibuna.

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Foto: Felipe Couri

Victor Araújo, engenheiro a serviço da empresa que venceu a licitação da obra, explica que, na etapa, as equipes estão fazendo o levantamento topográfico e o cadastro das redes para posterior projeto do “piscinão” e da nova rede de galeria de águas e esgoto. “É um trabalho mais cadastral antes de começar as intervenções de fato. É um serviço que precede o projeto. Estamos com uma equipe de mais de dez pessoas trabalhando para poder fazer esses levantamentos para subsidiar o projeto.”

Uma moradora da Rua Augusto Mariani, que preferiu não se identificar, conta que já teve a residência vistoriada. “Pediram para entrar aqui porque teriam que tirar foto da casa para poder montar um relatório, por conta da obra no Córrego Humaitá. Nos informaram que vão fazer um ‘piscinão’. Não deram maiores detalhes, nada de afetar a estrutura da casa ou do terreno e nem prazo de retorno.”

Segundo ela, a residência não foi diretamente atingida durante a tragédia causada pelas chuvas em Juiz de Fora no fim de fevereiro, mas as de alguns vizinhos sofreram danos. “A água veio dos fundos e chegou na esquina próxima ao imóvel, mas não entrou. Ninguém da Defesa Civil e nem da Prefeitura veio na época. Meu filho tomou a frente da limpeza no bairro. Inclusive, pediram doações de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), porque eles não tinham, e a Prefeitura também não deu nenhum suporte. Foi feito um trabalho, mas totalmente voluntário, inclusive de muita gente que não morava aqui no bairro”, relata.

Sobre a montagem do canteiro de obras, o Executivo municipal reforçou que a empresa já executa os estudos iniciais, os projetos executivos e a mobilização do canteiro, prevista para ser concluída até o fim de março.

Prazo para finalização do projeto é de três meses

Em resposta à Tribuna, a Prefeitura de Juiz de Fora informou que as vistorias cautelares da intervenção no Córrego Humaitá seguirão até que todos os imóveis envolvidos sejam registrados. “O procedimento é realizado pela empresa contratada para a obra, a Empreendimentos e Tecnologia em Construção (ETC), e é necessário para entender o estado atual dos imóveis e registrar caso ocorra algum problema estrutural após as intervenções. É um resguardo tanto pra empresa quanto para os moradores.”

O prazo para finalização do projeto, conforme a PJF, é de 90 dias, e as intervenções, com previsão de dois anos de duração, terão início após a conclusão dessa etapa. “Também já está em andamento o trabalho social junto à comunidade alcançada pela obra”, completa.

De acordo com a Prefeitura, a intervenção no Industrial tem como objetivo enfrentar um problema histórico de alagamento no Córrego Humaitá, que persiste há mais de 50 anos. Antes do início efetivo da obra, foi informado que será feita a limpeza do córrego e uma drenagem preliminar para viabilizar a execução dos serviços. A intervenção foi formalizada no dia 27 de fevereiro, quando a prefeita assinou contrato de R$ 95 milhões com a ETC.