Equipe de foguetemodelismo da UFJF faz sucesso em campeonato continental
Supernova Rocketry foi premiada como “equipe modelo” da Latin American Space Challenge
Em um ano absolutamente atípico, a equipe acadêmica de foguetemodelismo Supernova Rocketry alcançou uma vitória digna de comemoração: os alunos da Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) foram destaque na Latin American Space Challenge (LASC), faturando o prêmio Conduct Award na competição latino-americana, feito inédito nos cinco anos de história do grupo. O período distante da estrutura universitária não significou inércia para os estudantes, que também planejam aventuras em terras distantes a partir de 2021.
Não é a primeira vez que a equipe disputa a LASC. Em 2019, inclusive, a Supernova teve ótimo resultado, com o quarto lugar geral e o prêmio de melhor performance de voo daquele ano. A edição de 2020, no entanto, aconteceu em um formato diferente e desafiador. Com a impossibilidade de realização presencial da disputa, a organização da competição continental arquitetou a realização completamente on-line.
Normalmente, a LASC avalia as equipes em aspecto teórico, quando os projetos dos foguetes são submetidos a análise; e prática, quando os projéteis são lançados. Na edição digital do evento, a parte teórica foi mantida, mas a prática ocorreu em formato de hackathon, modelo em que os alunos são estimulados a solucionar problemas. “A organização da competição passou desafios para que as equipes. Dentro de uma semana, era preciso desenvolver uma solução abordando aspectos técnicos a partir de um modelo de negócio de uma empresa de verdade”, explica o presidente da Supernova e estudante de Engenharia Elétrica, Pedro Cardoso.
Estiveram na competição 26 equipes de quatro diferentes países. Na classificação geral, o time juiz-forano ficou na 12ª posição, recebendo elogios do corpo de jurados pelo projeto original, “fora da caixinha” nas palavras dos avaliadores. O maior destaque veio do prêmio Conduct Award, que é dado ao grupo que demonstra maior profissionalismo e conduta exemplar, além de avaliar aspectos como sinergia, parceria e espírito de equipe.
“Quando fomos anunciados como vencedores dessa categoria, estávamos em uma chamada pelo computador e ficamos extasiados, comemorando muito. Eu mesmo demorei a cair a ficha”, conta Pedro Cardoso. Os desafios ainda aconteceram em um período de retorno às aulas pelo ensino remoto emergencial adotado pela UFJF, de modo que os membros da Supernova ainda tiveram de conciliar as atividades com os estudos. “Com o prêmio, nós conquistamos a nossa visão de ser referência internacional naquilo que fazemos”, avalia o presidente.
Nas alturas
O período de distanciamento entre os membros do grupo tampouco impediu planos para alçar voos ainda mais altos. Para ser mais exato, um vôo de três quilômetros. Os membros da Supernova estão engajados em fabricar o foguete que alcança o maior apogeu da história do projeto, chegando a três mil metros de altura. No dia 16 de dezembro, o projeto ganhou o apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB) – vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação – e da Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologias Espaciais (Funcate), entidade sem fins lucrativos que apoia o desenvolvimento da ciência e da tecnologia no Brasil.
O foguete com apogeu de três quilômetros promete lançar a Supernova a um novo patamar, com a possibilidade de disputar competições mundiais de foguetemodelismo. Para concluir o complexo trabalho, os patrocínios das instituições são considerados fundamentais. “Esse apoio é muito significativo para nós, principalmente porque a prática de foguetemodelismo não é tão difundida em Juiz de Fora. Logo, nós temos um desafio maior de conseguir patrocínio, ainda mais financeiro”, analisa Pedro Cardoso.
Expansão em 2021
Atualmente, a Supernova reúne 26 pessoas, sendo que alguns membros foram adicionados já durante o período de distanciamento social. O grupo já planeja aumento na equipe para o próximo ano, com um novo processo seletivo, além de ter a expectativa de retorno presencial à estrutura da Faculdade de Engenharia da UFJF. “O nosso espaço de trabalho, que apelidamos de ‘salinha’, também nos deixa com muita saudade. Lá, é o espaço que usamos para desenvolver os nossos projetos, mas também é o espaço onde estamos juntos”, recorda o presidente da equipe.
Mesmo à distância, 2020 ainda é considerado um ano positivo para os estudantes, possibilitando pensamentos mais ousados. “Podemos dizer que o distanciamento nos possibilitou pensar no nosso novo projeto, que está sendo desenvolvido de maneira mais refinada e profissional. O ano de 2020 foi bem atípico, mas foi de grandes conquistas para a Supernova”, completa Cardoso.









