Região central tem mais de 200 roubos de celular

Duzentos e três roubos de celular foram registrados pela Polícia Militar nos nove primeiros meses deste ano apenas na região Central de Juiz de Fora. A área engloba os bairros Granbery, Santa Helena, Paineiras, Jardim Glória, Santa Catarina, Vale do Ipê e Morro da Glória, além do Centro, onde aconteceram 124 crimes. A grande maioria dos delitos foi registrada em apenas cinco vias consideradas mais movimentadas: avenidas Rio Branco, Getúlio Vargas e Brasil, além das ruas Santo Antônio e Halfeld. O telefone móvel aparece como o alvo favorito dos bandidos em metade dos assaltos e eleva as estatísticas, fazendo de estudantes e mulheres suas principais vítimas. Para combater a modalidade criminosa e orientar os pedestres sobre as medidas de autoproteção, a 30ª Companhia da Polícia Militar realizou uma ação preventiva e educativa na tarde de ontem no Calçadão da Rua Halfeld. A iniciativa já visa a prevenir os roubos no fim de ano, quando aumenta a circulação de dinheiro e de pessoas.
A presença dos policiais militares junto com o mascote PM Amigo Legal chamou a atenção de populares e comerciantes na Halfeld. “Foi mais uma ação preventiva voltada a orientar a população sobre alguns cuidados que deve adotar para minimizar a oportunidade do infrator de cometer o crime e, consequentemente, a probabilidade de o cidadão se tornar vítima”, pontuou a assessoria do 2º Batalhão. A unidade, também responsável pelo policiamento das zonas Nordeste, Leste e Sudeste da cidade, contabiliza 395 roubos de celular de janeiro a setembro e destaca que 51% dos crimes aconteceram na área central, onde é maior o fluxo de pessoas.
De acordo com o comandante da 30ª Cia, capitão Herivelton Soares, grande parte dos crimes ocorre no período noturno. “Muitos usam o celular andando pela madrugada. O infrator fica só esperando a oportunidade para atacar.” Ele ainda destacou outros pontos de incidência criminal, como a Avenida Olegário Maciel, a Rua Tiradentes e o entorno do Mergulhão. “Identificamos essas vias e percebemos que um dos facilitadores para os autores são as vítimas que não tomam os devidos cuidados de autoproteção.”
Mulheres e estudantes
O capitão Soares informou que as mulheres e os jovens estudantes estão na mira dos ladrões de telefone. “A maioria das vítimas confirma que percebeu alguém olhando ou seguindo, mas continua fazendo o uso do celular. Desconfiam, mas prosseguem, como se não fosse acontecer com elas.” Já o meio utilizado pelos assaltantes costuma ser a própria intimidação, quando afirmam que estão armados, além do uso da arma branca, como faca, canivete e outros objetos pontiagudos. “Há também casos de agressão, mas estamos até aumentando o número de apreensão de facas. Só na semana passada foram dez”, observou o oficial.
O comandante lembrou que o celular aparece como alvo dos criminosos em mais da metade dos roubos a pedestres, e os crimes já equivalem a quase 50% de todos os assaltos registrados pela 30ª Companhia. Segundo ele, este ano foi percebido um aumento de 10% a 15% dessa modalidade. “Por isso queremos o apoio da própria população. Quem vê um suspeito deve fazer contato com a PM. E quero dar dica em relação aos alunos, que devem sair em grupo das escolas e ir direto para casa.”
Depois da passagem pelo Calçadão, cada militar seguiu para o seu setor de patrulhamento nas principais vias do Centro, onde deu continuidade ao trabalho preventivo. “A iniciativa se justifica pois, apesar de todas as ações de orientação realizadas pela PM, ainda é comum percebermos comportamentos no cidadão que facilitam a ocorrência desta modalidade delituosa, principalmente na região Central da cidade”, concluiu a assessoria do 2º Batalhão. Entre as dicas estão não expor o telefone ao andar pela rua, não deixar o aparelho sobre mesas e fazer ligações em locais protegidos.
Vale lembrar que os roubos acontecem mediante grave ameaça ou violência e que muitos furtos também ocorrem. “O celular é uma moeda de fácil troca. Os ladrões o vendem para o receptador ou para o próprio lojista, que acaba comprando para revender mais barato ou retirar peça. Muitos também o repassam a preços bem menores para comprar drogas”, lembrou o capitão Soares. “Praticam o furto ou o roubo porque sabem que tem quem compre.”









