Golpe contra professores era articulado em JF Criminosos usavam ‘laranjas’ para abrir contas

Só em Juiz de Fora, foram mobilizados cerca de cem policiais civis, para cumprir os mandados de prisão. Suspeitos foram para a delegacia (Marcelo Ribeiro/24-04-15)
A Polícia Civil desarticulou ontem uma quadrilha que aplicava golpes contra professores universitários aposentados e pensionistas em Minas e no Rio de Janeiro. O bando, que chegava a faturar R$ 5 mil por dia, tinha base em Juiz de Fora, onde 16 pessoas foram presas e um adolescente apreendido. De acordo com as investigações, os estelionatários já teriam feito, pelo menos, 500 vítimas e estariam agindo há dois anos. Conforme a Polícia Civil, a forma como o golpe era arquitetado e realizado dificultava a desconfiança sobre o crime. O prejuízo das vítimas pode chegar a mais de R$ 5 milhões.
A manobra, batizada de “Apub”, é uma menção à Associação dos Professores Universitários do Brasil (Apub), à qual a maioria das vítimas fazia parte. Mais de cem policiais civis foram mobilizados em Juiz de Fora, onde foram cumpridos 25 mandados de prisão e 22 de busca e apreensão em vários pontos. Já em Belo Horizonte, uma equipe de dez policiais atuou no cumprimento de um mandado de prisão e três de busca e apreensão.
A titular da Delegacia Leste de Belo Horizonte, delegada Gislaine de Oliveira Rios Xavier, explicou que o golpe era aplicado por telefone e consistia em duas etapas: um dos chefes do bando, de Belo Horizonte, angariava as vítimas em potencial. Em seguida, repassava os nomes a um “cabeça” de Juiz de Fora. Este fazia contato telefônico com elas. “Primeiro, ele se passava por gerente da Caixa Econômica Federal e dizia que havia um depósito de uma antiga ação de reajuste de salário que obteve êxito. Para retirar a quantia, a pessoa deveria entrar em contato com um advogado da Associação dos Professores Universitários do Brasil. Em seguida, este mesmo homem se passava por este advogado e combinava os valores dos depósitos para viabilizar o saque da quantia depositada em juízo. O valor a ser depositado variava de cinco a dez salários mínimos”, comentou.
Segundo a delegada Gislaine de Oliveira Rios Xavier, para não causar desconfiança, os golpistas tinham dados reais das vítimas, deixavam um número de telefone disponível para que os professores retornassem o contato inicial, tinham endereço fixo de um suposto escritório e faziam contratos.
Para abrir as contas nas quais os valores seriam depositados pelos professores aposentados e pensionistas, outros dois criminosos, também de Juiz de Fora, contratavam “laranjas”. “Eles tinham uma divisão de tarefas muito bem feita. Estes laranjas deixavam os cartões e as senhas com estes chefes para que eles fizessem as transações”, explicou.
Gislaine pontuou que as investigações tiveram início após diversas vítimas procurarem a Delegacia Leste em Belo Horizonte para denunciar o golpe. Ela afirmou que o grupo atuou em praticamente todas as cidades mineiras que têm universidades federais ou estaduais. “Só em Belo Horizonte temos 32 inquéritos abertos, mas acreditamos que o número seja muito maior. As vítimas são todas de nível superior, pessoas muito esclarecidas, que ficam até inibidas em declararem que caíram no golpe. Com as prisões, acreditamos que novas vítimas irão procurar a polícia”, destacou, acrescentando que ficou claro que a associação não tinha nenhuma relação com o golpe.
Conforme ela, as apurações apontaram que o chefe preso em Juiz de Fora, no Bairro Quintas da Avenida, conseguiu uma vida de luxo com o crime. Em sua casa, avaliada em R$ 2 milhões, foram apreendidos relógios, joias, uma caminhonete Hilux, cerca de R$ 1.330 e três mil euros. Durante a ação, também foram apreendidos drogas, uma arma, três computadores, dois notebooks e dez celulares. Os quatro homens considerados líderes do grupo serão encaminhados para o Ceresp em Belo Horizonte. Os demais ficarão presos no Ceresp de Juiz de Fora, enquanto o adolescente seria encaminhado para a Vara da Infância e Juventude.









