Três lixeiras danificadas diariamente em JF

Flagrante de destruição foi registrado na noite de segunda-feira na Rua São Mateus
Diariamente quase três lixeiras públicas precisam ser reparadas em Juiz de Fora, devido principalmente à ação de vândalos que destroem esses equipamentos públicos em toda a cidade. No último fim de semana, um grupo com cerca de cinco rapazes promoveu uma quebradeira de coletores de lixo na Rua São Mateus, no bairro homônimo, Zona Sul. Segundo relato de moradores que preferiram não ser identificados, um dos jovens estava visivelmente alterado e arrancou, a chutes, pelo menos três lixeiras de suas hastes, espalhando todo o lixo pelo chão. O mesmo indivíduo ainda chutou várias portas de estabelecimentos comerciais e prédios residenciais, atraindo a atenção de moradores, que acordaram assustados durante a madrugada de sábado, pouco antes das 3h.
Outro integrante do mesmo bando ainda arremessou um dos dispositivos contra um carro, que passava pela via. O grupo desceu a Rua São Mateus e chegou a passar em frente ao posto da Policia Militar (PM) do bairro, aos gritos. Menos de cinco minutos depois, uma dupla de rapazes continuou a bagunça, chutando os coletores de lixo para o meio da rua. Após alguns instantes, três viaturas da PM passaram pelo local, mas não conseguiram localizar os autores.
O diretor de operações do Demlurb, Paulo Delgado, conta que estas situações são muito comuns em áreas onde há concentração de atividades noturnas, como bares e festas. É o caso de São Mateus, onde a reposição dos equipamentos acontece semanalmente. Fora isso, segundo ele, regiões onde há muitas lanchonetes também sofrem com a depredação, já que alguns catadores danificam as lixeiras para pegar resíduos, como latinhas. "Mas, sem dúvida, os vândalos configuram o maior problema", comenta Paulo. Para evitar a situação, o setor tem efetuado campanhas educativas e passou a colocar adesivos nas caixas coletoras com as penalidades cabíveis para o caso de vandalismo.
Conforme o diretor, a questão é crônica. Em média, 20 lixeiras precisam ser reparadas semanalmente na cidade. Para dar a dimensão dos estragos, ele conta, que, de um total de 500 novos equipamentos instalados desde janeiro, 300 já tiveram que ser recuperados. Quando há necessidade de troca, cada exemplar envolve um custo de reposição que chega a R$ 170, incluindo custos de transportes e instalação. Em um cálculo rápido, o diretor de operações estima que o Demlurb gasta, em média, até R$ 10 mil por mês com reparos em caixas coletoras. No final de um ano, o montante pode chegar, então, a R$ 120 mil. "Quem paga essa conta são os próprios cidadãos."
Punição
Como consta no artigo 163 do Código Penal, o crime de dano é agravado quando cometido contra o patrimônio da União, estado ou município. O autor pode ser penalizado com detenção de até três anos, além de pagar multa. No final de 2010, por exemplo, um engraxate de 45 anos foi preso e encaminhado ao Ceresp, após destruir uma lixeira no Calçadão da Rua Halfeld, no Centro. De acordo com a PM, ele teria dado chutes na estrutura e arrancado com a mão o cano de metal que fixava o equipamento ao solo. O caso foi denunciado por pedestres, culminando na prisão em flagrante do suspeito. Na ocasião, como não tinha condições para arcar com a fiança de R$ 1 mil oferecida pelo delegado de plantão na Polícia Civil, ele foi encaminhado ao Ceresp, onde ficou durante quase um mês.
Depredação incomoda comerciantes
De acordo com comerciantes da Rua São Mateus, ocorrências como a de sábado são rotineiras. Para o proprietário de uma papelaria, Sérgio Evandro Silva, o caso das lixeiras pode ser visto como parte de um contexto de vandalismo que assola o bairro. A porta do estabelecimento dele, por exemplo, está coberta por pichações. Ele relata ainda que, quase todos os dias, o local amanhece cheio de urina. "Depois de uma recente operação que a polícia fez nos bares da região, o problema até diminuiu, mas os transtornos ainda permanecem", diz, pontuando que a região carece de um patrulhamento mais intenso durante a madrugada.
O comerciante Nilo Lawall, dono de uma farmácia, também reclama. De acordo ele, a situação é pior entre quinta-feira e domingo, quando há mais movimentação noturna. Ele calcula que, em média, a cada três meses, precisa fazer reparos na fachada do estabelecimento, por conta de pichações. Além disso, como as caixas coletoras são quebradas praticamente toda semana, a calçada de sua loja precisa ser limpa toda manhã, já que é o comum o lixo que estava dentro dos dispositivos ser espalhado pelo chão. Lawall também defende reforço no policiamento.
*Colaborou Guilherme Arêas







