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Projeto de professora juiz-forana sobre suicídio é reconhecido nacionalmente

Projeto se destacou no quesito Boas práticas no uso de linguagens de mídia para diferentes áreas de conhecimento


Por Tribuna

23/10/2018 às 17h46

A Campanha Educativa: sim. O melhor é falar sobre o suicídio, desenvolvida pela professora de Língua Portuguesa Lucilene Hotz Bronzato em 2017, em turmas do nono ano do Ensino Fundamental do Colégio de Aplicação João XXIII, já havia ganhado a etapa estadual da 11ª edição do Prêmio Professores do Brasil, no ciclo entre o sexto e nono ano. Agora, o projeto também foi reconhecido dentro da premiação por temáticas especiais, no quesito Boas práticas no uso de linguagens de mídia para diferentes áreas de conhecimento no ensino fundamental e no ensino médio.

“Eu não esperava ganhar o estadual, muito menos uma premiação nacional. Também não esperava a repercussão do prêmio, que, acredito, tenha a ver, infelizmente, com a temática. Muitas escolas e instituições têm me convidado para conversar com outros professores e com a comunidade. Tenho convite para participar de dois programas da TV Escola. Enfim, uma série de desdobramentos não previstos nem imaginados”, disse Lucilene.

O trabalho sobre suicídio e depressão começou a partir da sugestão dos alunos. Como o conteúdo programático para o nono ano inclui a argumentação, ela costuma pedir que os estudantes indiquem temas e, naquele ano, a saúde mental, com foco nos dois problemas, foi a opção mais citada. A professora se preparou para abordar o assunto com a seriedade e o cuidado que ele demanda, por meio de matéria vinculadas à imprensa e materiais disponibilizados pela Sociedade Brasileira de Psicanálise.

As primeiras aulas foram marcadas por silêncios difíceis e por um debate denso e complexo. A resposta, no entanto, foi um engajamento muito além do esperado por parte dos alunos, que desenvolveram uma campanha que ecoou por toda a escola. O susto inicial causado pela escolha do tema foi superado por uma ação de valorização da vida, que agora recebe reconhecimento em nível nacional, pelo Ministério da Educação.

“Analiso isso como um bom sinal: a sociedade não está alheia a esse problema tão sério que é o suicídio e se responsabiliza socialmente por ele, ainda que de modo tímido. As redes sociais têm muita força, principalmente entre os mais jovens. É nas redes que adolescentes aprendem formas cruéis de se automutilarem e de tirarem a própria vida. Nossa responsabilidade é fazermos o contrário: exaltar o valor da vida. Essa é uma tarefa urgente e de todos”, destaca a docente. A campanha ainda pode levar o prêmio nacional, que será anunciado no dia 29 de novembro.