Orientações para redigir um bom texto
Faltando poucos dias para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ainda tem aluno que fica de cabelo em pé só de pensar na prova de redação, programada para o dia 9 de novembro. É dela o maior peso na nota final: sozinha, vale mil pontos, o mesmo valor de cada uma das outras duas provas que abrangem todas as demais matérias. O tema também preocupa, é sempre uma incógnita, exigindo que o aluno, além de escrever bem, tenha conhecimento geral sobre vários assuntos, sobretudo os da atualidade. Para reduzir a ansiedade que antecede a tão esperada prova, a Tribuna reuniu um time de professores para dar orientações que podem fazer a diferença na hora da redigir o texto.
Ainda que o tema da redação seja sempre um mistério, o teor do que será cobrado não é nenhum segredo. Em todos os exames anteriores, os alunos precisaram debater sobre questões sociais atuais, que afetam diretamente a vida da sociedade. De acordo com a professora de português e redação do curso Cave, Vanessa Lage, isso mostra que a prova vai muito além de apenas avaliar. “A educação atual tem papel de formar jovens interventores, agentes sociais, capazes de transformar o mundo onde vivem. O exame quer saber como o jovem brasileiro pensa e quer que ele reflita sobre seu papel na transformação social.”
Já que não tem como adivinhar, o estudante deve estar preparado para surpresas e para clichês. Dentre os assuntos recorrentes na imprensa, os professores destacaram a questão do uso consciente e sustentável da água. Racismo, violência, redução da maioridade penal, papel das redes sociais, liberação da maconha e manifestações sociais também foram apontados como questões que merecem a atenção.
Orientações
“A redação é decisiva, como se fosse uma prova eliminatória. Quem tem uma nota baixa nela, mesmo que tenha boa pontuação nas outras disciplinas, não consegue vagas em cursos mais disputados, como medicina”, observa a supervisora pedagógica do ensino médio do Colégio Santa Cataria, Mariângela Guedes. Segundo ela, a vantagem desse peso é também resgatar o valor da língua portuguesa. “Hoje as pessoas falam mal, leem pouco. A importância dessa prova é que ela pode reativar o bom português.”
Os estudantes têm que estar por dentro dos acontecimentos atuais e dos problemas sociais discutidos pela imprensa e nas redes sociais. Esse conhecimento poderá servir como argumentos na hora de elaborar a redação. “Lendo, o aluno estará estudando”, observa a professora de português e redação do curso Cave, Vanessa Lage. De acordo com ela, o candidato tem que ser um bom leitor, sobretudo nessas últimas semanas. “Em editoriais de jornais e revistas, que são exemplos de textos opinativos, a estrutura textual e os vocabulários devem ser observados.” A professora sugere, ainda, que os alunos tenham um caderno para anotar ideias, nomes e palavras com as quais tenham dificuldades. “Falo para eles reescreverem essas palavras difíceis várias vezes, é assim que memoriza.”
Para a construção do texto dissertativo-argumentativo, gênero exigido pelo exame, é importante o autor saber se posicionar e convencer o leitor de que suas ideias são válidas. “A redação deve ser encadeada da seguinte forma: apresentação de uma ideia, seguida do desenvolvimento, que vem com os argumentos, da intervenção, que é a solução do problema apresentado, e, por fim, vem a conclusão”, esclarece a professora de língua portuguesa do Colégio Academia, Andréa Virginia Feres Reis.
Para quem não tem mais tempo de mergulhar nos livros, jornais e revistas, assistir aos telejornais também pode ser uma boa opção para se inteirar do que está acontecendo no mundo. E, se mesmo sabendo tudo, na hora da prova bater o famoso “branco”, o candidato deve parar o que está fazendo e tentar se acalmar. “Em caso de pânico, peça para sair da sala. Vá ao banheiro, lave o rosto, respire fundo. É necessário diminuir a ansiedade para retomar a energia e fazer uma boa prova”, recomenda Mariângela.








