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Servidores de saúde acuados após mais uma agressão


Por DANIELA ARBEX

23/07/2016 às 07h00

Servidora, de 31 anos, teve o cabelo puxado e o rosto arranhado diversas vezes

Servidora, de 31 anos, teve o cabelo puxado e o rosto arranhado diversas vezes

A violência contra profissionais de saúde que trabalham na Prefeitura está levando servidores a se afastarem dos seus postos de trabalho. A insegurança que ronda unidades de atenção primária à saúde (Uaps), levando ao fechamento de uma delas por três dias, conforme reportagem publicada ontem pela Tribuna, atinge também os departamentos de saúde. Na quinta-feira, uma técnica de enfermagem lotada no Departamento de Saúde da Criança e do Adolescente foi brutalmente agredida por uma mulher que esperava para vacinar o filho, um bebê de 2 meses. Ao ser orientada pela servidora a dirigir-se à sala de vacinação, ela atacou a funcionária com tapas no rosto. A servidora ainda teve o cabelo puxado e o rosto arranhado diversas vezes. Após registrar boletim de ocorrência, a técnica fez exame de corpo de delito e passou pelo Setor de Psiquiatria no HPS. Traumatizada, ela está de licença médica e não se sente em condições de voltar ao trabalho, pelo menos nos próximos dias.

“Eu estava marcando a vacinação e o teste do pezinho. Quando pedi a essa mãe que se dirigisse à sala de vacinação, ela me chamou de sonsa e me deu um tapa no rosto com o bebê no colo. Depois agarrou meu cabelo e me arranhou. Estou muito abalada e não consigo sequer me olhar no espelho. Estou me sentindo muito mal e sem conseguir entender o que aconteceu, porque não a destratei em nenhum momento. É um choque”, disse, chorando muito, J., 31 anos, contratada da Prefeitura desde 2014.

O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserpu), Amarildo Romanazzi, mostrou-se preocupado com a recorrência dos casos. Segundo ele, o número de trabalhadores agredidos e ameaçados é alto, mas nem todos os episódios chegam ao conhecimento da entidade. O diretor do Sindicato dos Médicos, Geraldo Sette, confirma a subnotificação e afirma que muitos profissionais deixam de registrar ocorrência por não acreditarem na punição dos autores de violência. “Vemos essa situação com muita preocupação. Os relatos de violência estão aumentando, e isso está desestabilizando os servidores de uma forma séria. Oficialmente, não temos um levantamento do número de casos – o que estamos providenciando -, mas há registros de médicos que trocaram de Uaps após situações com o emprego de arma de fogo. Embora o servidor não fosse o alvo e, sim, o usuário que estava procurando atendimento, o médico quase foi atingido pelo tiro no Bairro Progresso. Há dois meses, uma médica foi agredida no PAM-Marechal, mas não quis registrar ocorrência por motivos pessoais”, revelou.

Ontem a servidora ameaçada com faca no assalto ocorrido no pátio da Uaps da Vila Esperança I no último dia 13 esteve no Sinserpu para concluir o preenchimento do Comunicado de Acidente de Trabalho (CAT). Por conta do episódio, o posto de saúde do bairro ficou fechado por três dias. Também a técnica de enfermagem atacada no Departamento de Saúde da Criança e do Adolescente na quinta-feira fez abertura do CAT.

Reunião na segunda

Em função da gravidade dos casos, representantes do Sinserpu e do Sindicato dos Médicos se reúnem na próxima segunda-feira, às 11h, no auditório do Sinserpu, para discutir as ocorrências e cobrar um posicionamento da Prefeitura. A ideia é realizar uma audiência pública sobre o tema.

Secretário vai priorizar os postos

Para o Sinserpu, a falta de segurança nos locais de trabalho é um agravante. Segundo o presidente Amarildo Romanazzi, apenas o HPS conta com guardas municipais. Outras unidades, como a Regional Leste, já tiveram a presença dos guardas, mas, hoje, funcionam sem esse apoio. O secretário de Segurança do município, José Armando Pinheiro da Silveira, disse ontem que as unidades de saúde receberão prioridade máxima a partir de agora. “Não posso deixar o posto de saúde fechar porque os funcionários estão com medo de apanhar. Vamos dar um reforço nas unidades mais frequentadas. Minha ideia é colocar também uma ronda nesses locais para ver se a gente ajuda a manter a ordem. Não posso ficar omisso, embora tenha que dar um jeito de esticar o cobertor”, afirmou o secretário, referindo-se ao número reduzido de guardas municipais. Dos 150 contratados, apenas 98 estão trabalhando.

Segundo ele, uma parte dos guardas está de licença. Outros agentes estão de férias, e há os que deixaram os postos de trabalho, porque passaram em novos concursos públicos. Ainda de acordo com o secretário, na próxima segunda-feira, ele se reunirá com o comando da Guarda Municipal para deslocar agentes de locais, na tentativa de ajudar os servidores e os usuários das unidades de atendimento. “Embora a Guarda não tenha a função de fazer a repressão, eles podem auxiliar a população. O nosso plano é abrir concurso para completar o quadro e contratar novos guardas, mas, em função do período eleitoral, temos que esperar. Estou estudando se há brechas na legislação para a contratação de servidores”, explicou.