Tiroteio em confronto de gangues

Moradores esperam que base territorial da PM, no Santa Cruz, dê mais tranquilidade à região
Uma briga entre gangues rivais provocou tiroteio e correria no Bairro Cidade do Sol, na Zona Norte, na noite de segunda-feira. A confusão aconteceu próximo a um ponto de ônibus, colocando em risco a vida de usuários, entre eles, crianças. Moradores da vizinhança se dizem amedrontados com a onda de violência. Após o tumulto, a Polícia Militar apreendeu um revólver calibre 32, três munições e dois cartuchos vazios com o mesmo calibre da arma recolhida. Cinco homens, de 19, 20, 21, 27 e 28 anos, e dois adolescentes, 15 e 16, foram conduzidos à delegacia de Polícia Civil em Santa Terezinha. A ocorrência foi registrada, na Rua Um, por volta das 21h. O local fica a cerca de 500 metros da sede do 27º Batalhão de Polícia Militar. De acordo com a PM, em patrulhamento na referida via, a equipe policial ouviu dois estampidos causados por disparos de arma de fogo. Em seguida, os militares viram uma grande quantidade de pessoas correndo.
Ainda conforme a PM, ao avistar a viatura, um homem fez sinal para denunciar que havia uma rixa no local e que alguns envolvidos efetuaram disparos de arma de fogo, fugindo em seguida. Ele contou aos militares que chegou a agredir com soco um dos integrantes do bando, para proteger sua esposa e filha, ainda de colo, que ficaram na linha de fogo. Durante rastreamento na área, alguns suspeitos foram localizados e, na presença de testemunhas, foram identificados como participantes do confronto. Eles confirmaram os disparos, mas não disseram quem seria o autor dos tiros e nem a quem eram destinados. Quando ainda em patrulhamento, dois adolescentes, 16, abordaram os policiais para contar que ficaram feridos no tiroteio. As vítimas alegaram que os fatos se deram em função de um desentendimento entre grupos rivais dos bairros Cidade do Sol e Jóquei Clube II. Novamente questionados pelos policiais, um dos suspeitos, de 16 anos, apontou, no meio de um matagal, onde estavam escondidos o revólver e as munições. A arma foi encontrada com o tambor em condições de realizar novos disparos.
Os adolescentes feridos foram levados para a Policlínica de Benfica, onde foram medicados e liberados. Todos os envolvidos acabaram na delegacia. Segundo a PM, ainda durante o registro da ocorrência, na unidade policial, os suspeitos ameaçaram as vítimas. Eles foram apresentados à autoridade policial, ouvidos e liberados. O delegado Carlos Eduardo Rodrigues, que vai assumir o caso, afirmou que um dos adolescentes assumiu a posse da arma. O policial também disse que os suspeitos indicaram um menor de idade como o autor dos disparos. "O caso será apurado, e vamos ouvir todos os citados no boletim de ocorrência", concluiu Carlos Eduardo.
Busca de mais segurança
O clima é de medo na Rua Um, na Cidade do Sol. Segundo moradores ouvidos pela Tribuna, as rixas têm sido frequentes. Uma jovem de 18 anos contou que a hostilidade entre galeras do Cidade do Sol e Jóquei Clube II é antiga. "Não existe motivo para eles brigarem, basta um olhar para o outro, e começa a confusão. A gente fica preocupada, já que tem crianças na rua." Outro morador, 32, relatou que as agressões, às vezes, começam em outro ponto da cidade, mas terminam lá. "É aqui que eles vêm para tirar satisfações, e acaba tendo tiro e correria", afirmou, lembrando que, no confronto de segunda-feira, viu oito adolescentes no meio da briga e teria ouvido o estampido de quatro tiros. Um trabalhador, 49, disse que, além dos disparos de arma de fogo, são usadas pedras contra o grupo rival. "Eles apedrejam tudo e todos. Isso acontece tanto de dia quanto de noite. Eu quase já fui vítima de uma pedrada."
No Santa Cruz
A expectativa dos moradores destes bairros e de outros da região é por mais segurança quando entrar em funcionamento a Base Territorial da Polícia Militar, na Praça Manoel Nunes, no Santa Cruz. A base faz parte do programa "Ambiente de paz". Segundo os moradores, a praça e os seus arredores são usados para o consumo de drogas e confronto entre grupos juvenis dos bairros São Judas Tadeu e São Damião, com ocorrência até de tiroteio. "À noite, eu não vou à rua, pois nunca sei o que pode acontecer. Temo pela vida dos meus três filhos. Por isso, por volta das 20h, já é bom estar todo mundo dentro de casa, porque a violência aqui é gratuita", lamentou uma promotora de vendas de 32 anos.
A base da PM na praça irá funcionar nos moldes da que foi inaugurada em Benfica, no último dia 3. As duas unidades fazem parte de uma parceria entre PM e Prefeitura que abrange ações multissetoriais direcionadas à redução da criminalidade e ao aumento da sensação de segurança da população da Zona Norte. De acordo com a assessoria de comunicação do 27º Batalhão da PM, tenente Flávio Campos, a estrutura física do posto no Santa Cruz já está acabada, mas ainda falta definição por parte da corporação e da Prefeitura para sua inauguração. Segundo ele, não há previsão para que isso aconteça. Sobre a questão das gangues em toda a Zona Norte, ele assegurou que a Patrulha de Prevenção a Homicídios trabalha para identificar os líderes desses bandos, a fim de desarticulá-los. "O trabalho é feito com uma equipe fixa, que atua diariamente, justamente para inibir crimes de ameaças, vingança e briga entre gangues."
A Secretaria de Obras confirmou que a construção da base está concluída, mas ainda falta a revitalização da praça, nos mesmos moldes da que foi realizada em Benfica.







