Invasores provocam destruição em escola


Por MARCOS ARAÚJO E MICHELE MEIRELES

22/03/2016 às 07h00- Atualizada 22/03/2016 às 08h52

Vândalos também deixaram pichação em muro (Reprodução Facebook/21-03-16)

Vândalos também deixaram pichação em muro (Reprodução Facebook/21-03-16)

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A Escola Estadual Professor Sebastião Patrus de Sousa, localizada no Bairro Santa Terezinha, Zona Nordeste, foi alvo de arrombamento e vandalismo no último final de semana. O cenário encontrado no local, após a ação criminosa, era de devastação. A direção da instituição classificou a ocorrência como desoladora e assustadora, face aos danos, sujeira e pichações deixados no estabelecimento, marcando a vulnerabilidade da escola, que já foi arrombada outras vezes no passado, mesmo sendo localizada próxima da sede da 1ª Delegacia Regional da cidade.

O que aconteceu no Patrus de Sousa, como a escola é conhecida, não é diferente do que outros estabelecimentos de ensino de Juiz de Fora já viveram. Este ano, deste 1º de janeiro, dez registros, entre arrombamentos e vandalismo, foram feitos contra instituições de educação, conforme levantamento realizado pela Tribuna com base nos Registros de Eventos de Defesa Social (Reds) (ver quadro).

São histórias espalhadas em diversas regiões do município, nas quais escolas das redes municipal e estadual são invadidas, muitas vezes, durante o fim de semana, deixando um rastro de prejuízos financeiros e pedagógicos. No caso da Patrus de Sousa, ontem o colégio não interrompeu as aulas. Mas a direção relatou que foram levados, pelo menos, oito computadores, impressoras, uma TV de 41 polegadas e equipamento de data show. O que chamou a atenção também foi o cenário encontrado: diversas portas foram destruídas, cortinas arrancadas, armários quebrados, muita sujeira e pichação nas paredes. Além disto, todo o sistema de alarme da escola foi danificado.

A vice-diretora da instituição, Vanessa Alvim, relatou que os diretores do colégio foram avisados do ocorrido, na manhã de domingo, pela empresa de alarme. A informação era de que todo o sistema de segurança havia sido violado. Ela contou que um funcionário da firma de alarme afirmou que, na madrugada de sábado, diante da suspeição de que estava ocorrendo um crime na escola, a Polícia Militar foi acionada, por volta de 1h, porém, teria informado que não haveria viatura disponível para ir ao local. A assessoria de comunicação da 4ª Região de Polícia Militar (4ª RPM) não confirmou ter recebido este acionamento.

“A escola já foi arrombada outras vezes, mas nunca como desta vez. Foi muito mais que um arrombamento, foi um ato de vandalismo ousado. Quando chegamos, foi assustador a forma como encontramos o colégio, parecia um pesadelo”, disse a vice-diretora, acrescentando que acredita que os criminosos tiveram muito tempo para agir e que o setor mais afetado foi o administrativo.

Merenda precisou ser inutilizada

O vandalismo na Escola Estadual Professor Sebastião Patrus de Sousa ganhou repercussão nas páginas do Facebook, nas quais foram postadas fotos da situação. Nos comentários, havia pedidos de ajuda à comunidade para denunciar atitudes criminosas. As imagens mostram o local todo revirado, e uma das fotos exibe uma sala com paredes, armários e chão sujos com tinta de impressora. Em outra, aparece uma porta arrancada e os suportes das cortinas danificados.

Segundo a vice-diretora, Vanessa Alvim, os arrombadores também mexeram na merenda e ejacularam em diversos pontos da instituição. Em uma pichação na parede, aparece a frase “Santa Terezinha é o bixo favela (sic)”. Dezenas de pessoas se manifestaram na página, mostrando indignação diante do fato. “Muitas das coisas levadas eram usadas por professores nas aulas, eram materiais que beneficiavam todos. Um dos computadores furtados foi o do departamento pessoal, que continha toda nossa prestação de contas e dados dos funcionários. Além da parte física, ainda temos muita coisa para colocar no lugar. O estrago foi feio”, afirmou a vice-diretora. Ainda não há suspeitos do crime. Um amplificador que foi levado da escola foi encontrado próximo a uma empresa de transportes, na Avenida Brasil, na manhã de ontem.

Sobre o não acionamento da viatura policial até a escola, como foi denunciado, a assessoria da 4ª RPM informou que a situação foi verificada junto ao sistema do Centro de Operação da PM (Copom), não tendo sido registrado chamado por nenhum dos policiais que trabalha no centro na madrugada. O único acionamento com empenho de viatura na região que consta no Copom é do dia 18, última sexta-feira. A assessoria ainda informou que ontem, ao verificar uma denuncia de tráficos de drogas, policiais encontraram um notebook e um rádio que foram reconhecidos pela diretora da escola como sendo produtos furtados no estabelecimento. Neste caso, o boletim de ocorrência ainda estava em aberto na noite de ontem.

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Diretores encontraram salas com papéis revirados, gavetas abertas e materiais destruídos (Reprodução Facebook/21-03-16)

Investimento crescente em segurança

Com relação à Escola Estadual Professor Sebastião Patrus de Sousa, a Secretaria de Estado de Educação (SEE) informou que a a Superintendência Regional de Ensino (SRE) de Juiz de Fora, responsável pela coordenação da escola, está acompanhando o caso e oferecendo o suporte necessário à direção. A SRE orientou a direção do colégio a fazer um levantamento de todos os materiais furtados para que seja solicitada a reposição dos mesmos.

Sobre a segurança patrimonial nas escolas da rede estadual, a SEE afirmou que esta é uma preocupação constante e que atende a todos os pedidos de instalação de equipamentos de segurança encaminhados pelas Superintendências Regionais de Ensino. Em 2015, foram investidos cerca de R$ 817 mil em compra de mobiliários e equipamentos em geral para as escolas do município de Juiz de Fora, sendo a maior parte desses recursos destinada à segurança, como câmeras, alarmes, sensores de movimento e monitores.

Já na rede municipal, a Secretaria de Educação da Prefeitura afirmou que realizou inúmeras obras para melhorar a qualidade do serviço prestado à população, bem como ampliar a segurança das escolas municipais com compras e colocação de portas, grades, portões, construção de muros, ampliação de muros já existentes, obras estas realizadas durante o ano passado e que continuam sendo realizadas neste ano, mediante necessidade.

As escolas também possuem recursos que podem ser destinados para a instalação de vigilância eletrônica. A Prefeitura também ressaltou que, além de investir nas obras de melhoria e conservação do patrimônio público, há um sistema de parceria com a Polícia Militar e a Polícia Civil que contribuem para a prevenção de furtos e roubos na rede municipal. As escolas realizam juntos com os alunos e a comunidade campanhas de conscientizações sobre a temática.

A Polícia Militar também enfatizou que a atenção é voltada não só para a prevenção, mas também visando a uma repressão qualificada com apoio à sociedade em geral e com policiamento das instituições de ensino.