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Criança fica sozinha por mais de 6 horas


Por Tribuna

21/05/2015 às 06h00- Atualizada 21/05/2015 às 08h32

Vizinhos de uma criança que precisou ser acolhida pelo Conselho Tutelar relataram à Tribuna sobre a demora no atendimento requisitado ontem. Segundo uma moradora do Bairro Monte Castelo, Zona Norte, que preferiu não se identificar, houve um intervalo de seis horas entre a primeira chamada (9h30) feita por ela e o atendimento da criança (15h30). Ela relatou que, nas ligações realizadas pela manhã, o telefone do plantão só dava desligado, e a pessoa que atendeu no fixo orientou que ligassem para o Disque 100 (do Departamento de Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos). Após muitas tentativas, eles optaram por procurar a Secretaria de Desenvolvimento Social (SDS).

Conforme a mulher, na noite de terça-feira, o menino de 9 anos pediu socorro aos vizinhos, alegando que a mãe estava caída em casa. “Acionamos o Samu, que veio e realizou o atendimento da mulher. Disseram que procurariam o Conselho Tutelar para a criança. Ficamos mais tranquilos, mas quando foi hoje (ontem) cedo, soubemos que a mulher continuava doente e desmaiada. O Samu voltou e precisou levá-la. Resolvemos procurar o conselho, mas nos orientaram a ligar para Polícia Militar e para o Disque 100. A PM disse que não podia fazer nada a respeito. Continuamos e insistimos muito com o conselho, até que, por volta das 13h, procuramos a secretaria e relatamos o problema.” Segundo ela, a criança estava totalmente desamparada. “O menino estava sem comer, e não havia nada em casa. Demos comida e tomamos conta na medida do possível.”

De acordo com os conselheiros da Região Centro-Norte, responsáveis pelo atendimento, a informação de que houve demora não procede. Segundo eles, o conselho só ficou sabendo do caso à tarde, quando foram acionados e atenderam prontamente. Informaram, ainda, que a criança foi acolhida e está sob os cuidados da avó.

O vice-presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Lindomar José da Silva, classificou a demora como lamentável e incompreensível. “É intolerável uma criança ter que passar por isso, e ficar à mercê dos vizinhos. Não tem justificativa para isso ter acontecido, a demanda era clara. Recebemos a reclamação e vimos que estava havendo um descumprimento daquilo que preconiza a política de desenvolvimento da criança e do adolescente do município.”