Pesquisa da UFJF aponta óbitos em queda e elevada transmissão de Covid-19
Apesar da redução do número de vítimas fatais, número de casos continua alto, inclusive com índice de transmissão recorde
Estudo realizado por pesquisadores do grupo “JF Salvando Todos”, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), aponta que a cidade ainda apresenta um nível elevado de transmissão da Covid-19, apesar de ser observada uma tendência de queda nos números de casos e óbitos decorrentes do coronavírus. As informações foram divulgadas na 51ª edição do boletim informativo da plataforma.
“Acreditamos que o principal fator que influencia essas reduções é o avanço da vacinação contra a Covid. Apesar dessa tendência, o nível de transmissão continua elevado. Mesmo que a vacinação aumente a probabilidade de casos menos graves, não é recomendável mantermos este nível alto, uma vez que um grande número de casos pode levar ao surgimento de novas variantes ou de novas sub variantes da Omicron”, avaliou o pesquisador Marcel Vieira, coordenador geral do JF Salvando Todos, por meio assessoria de comunicação da UFJF. Ainda segundo ele, é importante que se mantenha todos os cuidados com os quais já estamos acostumados, como o uso de máscaras, sobretudo em ambientes fechados, o distanciamento e a higienização.
Médias móveis de casos e vidas perdidas em queda
Como aponta o estudo, segundo a classificação adaptada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a partir dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, o nível de transmissão de coronavírus pode ser considerado elevado quando são registrados entre 50 e 99,99 casos por 100 mil habitantes. Sendo assim, o nível de transmissão em Juiz de Fora no período da 14ª semana epidemiológica (3 a 9 de abril de 2022) recebeu a classificação de elevado, uma vez que foram registrados 77,23 casos por 100 mil habitantes.
Entre as médias móveis de sete dias, duas apresentaram redução em relação à semana epidemiológica anterior: a referente aos novos casos de Covid-19 e a relacionada ao número de óbitos (diminuição de 13,9% e 66,67%, respectivamente). A referente aos novos casos regrediu de 74 casos (registrados em 27 de março) para 63,71 (observados em 9 de abril); já a média móvel de sete dias para o número de óbitos regrediu de 1,29 óbitos (dado de 27 de março) para 0,43 óbitos por dia (registro de 9 de abril). A média móvel de casos suspeitos evoluiu de 145 por dia (em 27 de março) para 161 casos por dia (em 9 de abril), indicando um aumento de 11,3%.
Rt maior do que 1 por dois dias
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma das condições para considerar uma pandemia sob controle é registrar o Número de Reprodução Efetivo (Rt) abaixo de 1, consistentemente, por pelo menos duas semanas. Pela primeira vez desde o início da pandemia, Juiz de Fora registrou o Rt superior a 1 (Rt > 1) por dois dias, com máximo de 1,45 no dia 4 de abril, com o índice voltando a cair logo em seguida, mostra a pesquisa.
Leve redução da taxa de letalidade; número de leitos em queda
Calculada a partir da divisão do número de óbitos desde o início da pandemia pelo número de casos registrados ao longo do mesmo período, a taxa de letalidade registrada no dia 9 de abril em Juiz de Fora foi de 3,42%. Anteriormente, em 2 de abril e 26 março, a taxa foi de 3,43% e 3,45%, respectivamente.
De acordo com os números oficiais divulgados pelo Painel Covid-19 da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), em 12 de abril, o município contava com 11 pessoas hospitalizadas pela doença (uma redução de 59,3% em relação aos 27 pacientes registrados em 29 de março) e três leitos de UTI ocupados por pessoas internadas devido à Covid-19 (representando uma queda de 70% em relação à ocupação de 10 pessoas registrada duas semanas antes, em 27 de março).
46% da população juiz-forana recebeu três doses de vacina
Ainda segundo o estudo, até dia 9 de abril, foram aplicadas 502.514 primeiras doses de vacinas, 458.479 segundas doses, 263.493 terceiras doses e 4.682 quartas doses em Juiz de Fora. Como o município conta com uma projeção populacional de 577.532 habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os pesquisadores consideram que 87,1% da população da cidade receberam a primeira dose, 79,39% receberam as duas doses, 45,62% receberam a terceira dose e 0,81% recebeu a quarta dose.
Na 14ª semana epidemiológica (3 até 9 de abril), foram aplicadas 629 primeiras doses, 3.650 segundas doses, 6.688 terceiras doses e 2.805 quartas doses, totalizando 13.772 doses e representando um aumento de 119,58% de doses aplicadas em relação à semana anterior.









