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Seis meses sem definição sobre prédio ameaçado


Por EDUARDO VALENTE

20/07/2016 às 07h00- Atualizada 20/07/2016 às 10h28

Cento e setenta e um dia se passaram desde que a Defesa Civil interditou um prédio na Rua Custódio de Rezende Bastos, no Bairro Jardim dos Alfineiros, Zona Norte, deixando 15 famílias desalojadas. Desde então, não houve avanços significativos quanto à situação destas pessoas, que tiveram que deixar os imóveis. Alguns alugaram casas e apartamentos na região, arcando com todos os custos até o momento, enquanto outros permanecem abrigados com parentes. As rachaduras na estrutura da edificação permanecem e, agora, os moradores ouvem boatos que a empresa responsável por estabilizar a construção ameaça retirar as escoras colocadas devido ao não pagamento do serviço. A Tribuna não conseguiu contato da empreiteira responsável por esta intervenção, e o advogado da construtora Sanlus Domine Engenharia Ltda., que ergueu o prédio, informou ontem, por telefone, que nem ele nem seus clientes irão se pronunciar sobre os problemas.

Porta-voz dos moradores afetados, o cozinheiro industrial José Fernandes da Silva, 39 anos, afirmou que não há qualquer perspectiva de se chegar a um acordo. “Apesar da determinação judicial, pagamos aluguel do nosso bolso e, agora, ouvimos esta conversa que a empresa terceirizada ameaça retirar as vigas, também por falta de pagamentos.” Segundo ele, todas as famílias já retiraram os pertences de dentro dos apartamentos. Materiais de acabamentos, como janelas, pias e torneiras, estão sendo furtados. Isso porque, segundo ele, a construtora também não cumpriu a determinação de manter um vigilante no prédio para resguardar o patrimônio. Ainda de acordo com José Fernandes, a esperança, no momento, nem é de voltar a morar no prédio, mas receber de volta todo o investimento já pago.

Sobre os boatos, o advogado Pedro Mourão, que representa as famílias, afirmou que até o momento não recebeu qualquer informação oficial sobre a possibilidade da retirada das vigas. “Mês passado recebi um telefonema de um rapaz que se identificou como representante da empresa contratada para colocar as escoras. Na época, ele se queixou comigo que a empresa não estava pagando o aluguel para manter as vigas, mas em momento algum falou da retirada das estruturas”, informou.

Justiça

Conforme o advogado, o processo segue o trâmite na Justiça, embora as determinações dadas não estejam sendo cumpridas. “Eu pedi o agravamento da multa, ou seja, o aumento do valor, porque os R$ 500/dia estipulados parecem não estar surtindo efeito. Todas as conversas que eu tenho com o advogado da construtora são na tentativa de chegar a um acordo e conseguir a indenização dos moradores. Teríamos novo encontro esta semana, mas o advogado me ligou (segunda-feira), dizendo que esta semana não seria possível. O fato é que, embora não seja especialista no assunto, a impressão é que as rachaduras estão aumentando.”