Área de risco no JK preocupa moradores
As lonas no barranco atrás da Rua Adelaide Campos Rezende, no Bairro JK, Zona Sudeste, dão indício de que a área é propensa a deslizamentos. No local, dois lotes, onde há quatro moradias, permanecem interditados parcialmente desde o acidente ocorrido em março de 2008, quando um desmoronamento de terra na Rua José Teodoro dos Santos atingiu os fundos das casas na via que fica logo abaixo, a Adelaide Campos Rezende. Na ocorrência, uma moradia foi destruída por completo, e um homem ficou soterrado por quase duas horas. Na época, mais de dez casas chegaram a ser interditadas até a completa demolição do imóvel que ficava no alto do morro.
Quatro anos depois, o clima na área ainda é de tensão. Os fundos da residência do vigilante Ivanir Sebastião Ribeiro, onde mora com a esposa e dois filhos, é sempre motivo de atenção. Só ficamos tranquilos para usar o terraço, onde as crianças brincam, no período seco. Ele mora no segundo pavimento da casa e sua mãe, no primeiro. A idosa, 80 anos, utiliza apenas os cômodos da parte da frente da residência. Ela não fica tranquila dentro de casa. Na época, a terra invadiu o quarto dos fundos. Depois do acidente, lonas vinílicas foram colocadas pela Defesa Civil para tentar conter novos deslizamentos no barranco. No entanto, conforme Ivanir, ocorreram outras duas movimentações de terra, mas de pequenas proporções. A Defesa Civil vem e arruma a lona. Mas quando dá um problema, a gente não dorme, reclamou a esposa dele, Cláudia Cavalcante.
Na casa ao lado, de dois andares, moram seis pessoas, entre elas, duas crianças. A família ocupa apenas a parte de cima do imóvel, que possui um recuo em relação ao primeiro piso. A parte inferior só é utilizada durante o dia, quando é possível vigiar o barranco. Com o desmoronamento, perdemos tudo que ficava na parte debaixo da casa, disse a pensionista Ernestina Maria da Silva. A moradora ficou traumatizada com o acidente e, desde então, dorme na residência de uma irmã. Qualquer barulho deixa meu coração acelerado.
Contenção
Os moradores foram informados que o problema no Bairro JK seria sanado com obras de contenção na encosta. O processo licitatório foi aberto no fim do ano passado para a escolha da empresa que faria o serviço, tanto no JK quanto em outros oito bairros da cidade. Mas a Prefeitura revogou a concorrência pública devido às denúncias envolvendo a empreiteira vencedora, a Delta Construções Ltda, citada em gravações da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal e sob suspeita de ligações com o empresário e contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Nossa esperança era essa licitação, lamentou Ivanir.
A assessoria de comunicação da Comissão Permanente de Licitação (CPL) informou que será publicado um novo edital para realização da licitação, mas ainda sem data prevista. Segundo informações da Secretaria de Obras, as intervenções de contenção devem atender primeiramente as áreas no Bairro Santa Tereza, onde, há quatro anos, houve a demolição de 13 casas e interdições que permanecem até hoje. A informação é de que o Bairro JK será contemplado na sequência. As obras devem ser realizadas ainda nos bairros Borboleta, Ladeira, Parque Guarani, Santa Cruz, Santa Rita, Três Moinhos e Vila Fortaleza. De acordo com o edital da licitação, o valor para a execução dos serviços é de aproximadamente R$ 16 milhões, com recursos oriundos da segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). As obras fazem parte do Plano Municipal de Redução de Riscos de Juiz de Fora.







