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Controle de pandemia no Brasil precisa de 2 milhões de vacinados por dia, diz UFJF

Nota técnica de pesquisadores da UFJF, em parceria com da UFSJ, estima que esquema de vacinação intenso poderia salvar cerca de 200 mil vidas em um ano


Por Tribuna

20/02/2021 às 15h18

Vacinar o maior número de pessoas o mais rápido possível é mais importante do que a eficácia da vacina para ter a pandemia de Covid-19 sob controle. Essa é a conclusão de nota técnica publicada pelo Programa de Pós-Graduação em Modelagem Computacional (PGMC-UFJF), que simula diferentes cenários considerando a eficiência da vacina e diferentes taxas de vacinação. De acordo com o estudo, com base em dados do Ministério da Saúde, se a taxa atual de vacinados por dia for mantida, levaria mais de dois anos para obter 70% da população vacinada. Em contrapartida, o estudo verificou que vacinando dois milhões de pessoas por dia, a pandemia estaria controlada após um ano da vacinação, independentemente da eficácia da vacina.

Conforme os pesquisadores, o modelo computacional utilizado é o mesmo que vem sendo aplicado nas pesquisas feitas pelo grupo desde o início da pandemia, com uma mudança: o parâmetro da taxa de vacinação foi adicionado. De acordo com Rodrigo Weber, um dos autores do documento, o modelo é simples e tem apenas três parâmetros: a taxa de vacinação ou imunização (velocidade com que as pessoas são imunizadas pela vacina), a eficiência da vacina (probabilidade de uma vez vacinado estar imunizado) e o tempo entre a vacina e a imunização.

Aumento na taxa de vacinação

De acordo com as simulações realizadas, com uma taxa de vacinação de 100 mil pessoas por dia, a doença não seria totalmente controlada após o intervalo de tempo de 365 dias, independentemente da eficácia da vacina, já que o número de casos ativos (85.135) ainda seria alto. Em contrapartida, vacinando dois milhões de pessoas por dia, os casos ativos iriam variar de cerca de oito mil – com uma vacina 50% eficaz – a 201 – para uma vacina com 90% de eficácia. Segundo a nota, esses resultados indicam que, nesse ritmo, a pandemia estaria controlada, após um ano da vacinação, independentemente da eficácia da vacina.

As simulações indicam que caso se mantenha uma taxa de imunização entre um a dois milhões de pessoas por dia, cerca de 200 mil vidas brasileiras seriam salvas em um ano. De acordo com Weber, esse cenário respeita a capacidade de produção de vacinas do Instituto Butantan e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), além de estar dentro da capacidade de aplicação das vacinas pelo SUS. “Para salvar essas vidas temos que conseguir atingir a meta de vacinação de cerca de 100 milhões de brasileiros até o final do mês de maio, início de junho. Quanto mais postergarmos essa data, mais vidas serão perdidas e menor será o impacto da vacina no número de óbitos ao longo do ano”, afirma.

De acordo com apontamentos da nota, os efeitos da vacinação só são percebidos depois de aproximadamente 80 dias. Com a vacinação de 100 mil pessoas por dia e uma vacina 50% eficaz, índice semelhante ao adotado hoje no Brasil, o modelo prevê 43.686 mortes a menos que o cenário sem vacinação. Um esquema de vacinação intenso poderia, potencialmente, controlar a pandemia no Brasil em 365 dias e salvar milhares de vidas. O estudo ainda mostra que vacinando dois milhões de pessoas por dia, o Brasil teria 191.110 óbitos a menos com uma vacina 50% eficaz, e 226.473 com uma vacina 90% eficaz.

A nota foi feita em parceria com o departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ).