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Sargento morto pode ter sido vítima de latrocínio


Por MARCOS ARAÚJO E SANDRA ZANELLA

20/01/2015 às 07h00

Corpo de Carlos Augusto dos Reis foi sepultado ao som de corneta e sob salva de palmas no Parque da Saudade

Corpo de Carlos Augusto dos Reis foi sepultado ao som de corneta e sob salva de palmas no Parque da Saudade

Sob uma salva de palmas e ao som da corneta, foi sepultado, na tarde de ontem, às 15h45, no cemitério Parque da Saudade, o sargento da Polícia Militar Carlos Augusto dos Reis, 44 anos, alvejado com três tiros, na madrugada do último sábado, na Rua Pétala Misteriosa, próximo ao número 300, no Bairro Estrela Sul, na Zona Sul. A suspeita é de que o militar tenha sido vítima de latrocínio – roubo seguido de morte -, e as investigações estão sendo realizadas pela Delegacia Especializada de Repressão a Roubos. Um suspeito está no Ceresp, e outros estão sob investigação.

A cerimônia do sepultamento contou com a presença de familiares, amigos da Polícia Militar e membros da Polícia Civil e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). De acordo com o comandante da 32ª Companhia da PM, capitão Ricardo França, que retirou a bandeira do Brasil de cima do caixão antes do sepultamento, o sargento, que era lotado na 32ª Cia da PM no Bairro Santa Luzia, estava na corporação há cerca de 25 anos e era tido como profissional exemplar. “É com muito pesar e tristeza no coração que entregamos a Deus o nosso amigo e companheiro de profissão e ficamos também sensibilizados pela perda do amigo e fragilizados, uma vez que ele morreu em decorrência da profissão. Estava em horário de folga, mas foi reconhecido como policial. Nessas horas, percebemos as fragilidades de um sistema precário de segurança pública, como estamos expostos e como é difícil nossa profissão de defender a sociedade, já que, às vezes, nem a nós mesmos conseguimos defender”, afirmou o comandante sob muito tristeza. Sobre o crime, o militar ainda ressaltou: “Já temos autores identificados, e a resposta vai ser dada à altura. Ele era um profissional de extrema qualidade e competência, muito dedicado e jamais deu as costas para problemas e dificuldades”, destacou o capitão. O sargento deixou dois filhos, um rapaz e uma moça, e a esposa.

Investigação

De acordo com a delegada responsável pelo caso, Patrícia Ribeiro, desde o ocorrido, investigadores estão atuando nas ruas junto com policiais militares para identificar e deter todos os envolvidos. Segundo ela, ainda no sábado, um homem, 49, foi preso em flagrante e está no Ceresp. Outros dois suspeitos, de 25 e 28, chegaram a ser ouvidos pela Polícia Civil no domingo, mas foram liberados porque não estariam em situação de flagrante. Um deles seria filho do homem preso. A delegada não descarta a participação de um quarto criminoso.

A vítima estava no horário de folga e sem farda, possivelmente em uma moto. Segundo o boletim de ocorrência, o policial foi surpreendido por três bandidos, que saíram encapuzados de um matagal de acesso ao Bairro Jardim Laranjeiras. Pelo menos dois dos criminosos estavam armados com revólver. Durante revista na vítima em busca de objetos de valor, um dos assaltantes teria sentido uma arma na cintura de Carlos Augusto e gritado para o comparsa, avisando que ele estava armado, recebendo ordens para atirar. Depois de alvejar o PM com um tiro no rosto e outros dois no tórax e abdômen, o trio fugiu, levando a carteira do policial com documentos e a pistola que ele estaria portando na cintura.

Os ladrões fugiram de volta pelo matagal e foram vistos embarcando em um carro tipo sedan de cor escura no Jardim Laranjeiras. A vítima chegou a ser socorrida por uma pessoa que teria presenciado parte da ação criminosa e foi encaminhada ao Hospital de Pronto Socorro (HPS), mas não resistiu e morreu no domingo. A moto Yamaha que seria do policial foi encontrada abandonada perto de uma rotatória.

Recorrência de crime traz preocupação

O presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara Municipal, Wanderson Castelar (PT), mostrou preocupação com a morte do PM diante do segundo caso de investigação de latrocínio na cidade em menos de uma semana. Ele lembrou que, no dia 13, um dentista, 67, foi encontrado morto em via pública com tiro no peito, com a carteira jogada sem dinheiro, perto da casa onde morava na Rua das Calcedônias, no Bairro Marilândia, na Cidade Alta. “É preocupante, porque está ocorrendo uma novidade em relação às características dos crimes de homicídio, um novo tipo de motivação.”

A delegada Regional, Sheila Oliveira, garantiu que todos os esforços estão sendo feitos para elucidação do crime envolvendo o policial militar.

Segundo caso com tiro

A morte do sargento Carlos Augusto não foi o primeiro caso de pessoa baleada em assalto no Estrela Sul. Em setembro do ano passado, um casal foi rendido por três criminosos quando estava no interior de um carro parado na Avenida Luz Interior. O motorista, um fisioterapeuta de 26 anos, tentou arrancar com um Ford Fiesta para escapar da ação criminosa, mas acabou sendo surpreendido por um disparo e alvejado no rosto.

Em agosto, outro assalto com o mesmo modus operandi já havia acontecido na Rua Pétala Misteriosa. Na ocasião, um casal conversava do lado de fora de um carro, quando foi surpreendido por dois homens. Um deles portava uma arma longa e o outro um revólver. Eles anunciaram o assalto e levaram R$ 150, dois relógios e um casaco de couro. A dupla fugiu a pé e não foi localizada.