Inverno deve ser mais rigoroso este ano em Juiz de Fora

Climatologista explica que estação terá frentes frias mais frequentes e chance de sensação térmica negativa; saiba quais bairros costumam ser mais frios 


Por Nayara Zanetti

19/06/2025 às 06h30

Tempo inverno mais frio Felipe Couri 1
(Foto: Felipe Couri)

O inverno tem início nesta sexta-feira (20), e o fim do outono mostrou uma prévia do que esperar da estação em Juiz de Fora neste ano. No último dia 13, a cidade registrou a menor temperatura de 2025, com os termômetros marcando 8,8 graus. A expectativa é a de que o frio seja mais rigoroso. Diferente do ano passado, que teve a influência dos fenômenos El Niño e La Niña, a previsão para os próximos meses é de frentes frias mais frequentes e temperaturas ainda mais baixas. 

A climatologista e professora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Cássia Ferreira explica que o inverno deve ser mais intenso entre os meses de junho e julho, já que, historicamente, em agosto e setembro são observadas temperaturas mais elevadas do que as registradas no passado no município. 

“No ano passado, nós tivemos um inverno um pouco atípico, com temperaturas bem mais altas praticamente durante toda a estação. Neste ano, não teremos interferência dos fenômenos El Niño e La Niña, estamos sob uma condição de neutralidade, o que permite um inverno mais típico de Juiz de Fora, com mais episódios de frio.”  

Período de seca e baixas temperaturas 

O inverno tem início às 23h42 do dia 20 e se encerra no dia 22 de setembro às 15h19. O juizforano deve se preparar para viver uma estação com características típicas, com predomínio da falta de chuvas, presença de nevoeiro ao amanhecer e aumento da amplitude térmica diária – quando há uma diferença significativa entre a temperatura mínima, registrada por volta das 6h, e a máxima, registrada perto das 17h. O período de maior seca deve acontecer no final de do inverno, entre agosto e setembro, quando as temperaturas também aumentam. O tempo seco é favorável para a ocorrência de incêndios, além da intensificação da poluição do ar.  

“A umidade relativa do ar também tende a diminuir. No verão, a média fica em torno de 80% e no inverno cai para cerca de 50%. Em um longo período sem ocorrência de frentes frias ou de precipitação, essa umidade tende a cair ainda mais. No ano passado, registramos vários episódios abaixo de 30%, que é quando precisa de uma atenção maior em relação à saúde da população”, informa Cássia.   

A meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) Anete Fernandes reforça que é esperada a atuação de massas de ar frio com intensidade moderada ou forte, causando declínio acentuado das temperaturas. No território de Minas Gerais, Anete diz que, no decorrer do trimestre julho a setembro, as chuvas são escassas, normalmente associadas ao avanço de sistemas frontais e praticamente restritas ao sul e à faixa leste do estado. 

“A circulação dos ventos, em baixos níveis da atmosfera, favorece o transporte de umidade do oceano para o interior do continente, mantendo maior nebulosidade na faixa leste, assim como a formação de nevoeiro ou névoa úmida, devido à combinação entre disponibilidade de umidade e temperaturas amenas ao amanhecer”, acrescenta a especialista. 

São Pedro, Alphaville, Bandeirantes e Humaitá tendem a ser os bairros mais frios  

Apesar das temperaturas registradas pelo Inmet, o frio não é sentido da mesma forma em toda a cidade. As características geográficas locais explicam porque alguns bairros de Juiz de Fora costumam ser mais gelados. O professor de Geografia que tem pesquisas focadas em climatologia, Renan Tristão, monitora desde 2017 o clima da cidade. Hoje, o projeto Tempo e Clima JF acompanha onze bairros, sendo eles: Bandeirantes, Marumbi, Bairu, Santa Cândida, Vila Ideal, São Pedro, Cascatinha, Aeroporto, Spina Ville, Alphaville e Pedra Bonita. 

De acordo com Renan, os bairros mais altos tendem a registrar temperaturas menores, como é o caso de Alphaville e São Pedro, na Zona Oeste. Na Zona Rural, devido a uma área maior de vegetação, isso também acontece, tendo como exemplo Humaitá. Além disso, o Bandeirantes tem apresentado mínimas significativas, como na última sexta-feira em que o aparelho do projeto registrou 7 graus, a temperatura mais baixa do dia. O professor diz que a característica de vale do bairro é a responsável pelo resultado. 

“Nós acompanhamos os bairros que possuem estação meteorológica. No nosso projeto, somos proprietários de apenas duas (Bandeirantes e Marumbi). As demais são estações particulares ou públicas. Isso nos permite ter uma grande cobertura de informações. No entanto, na Zona Norte não existe nenhuma estação e, para monitorar essa região, pretendemos instalar uma lá”, detalha Renan. 

Sensação térmica de 3 graus negativos

Além da questão da temperatura, existe outra variável que pode impactar na intensidade sentida do frio. A chamada sensação térmica indica como sentimos a temperatura. Para fazer esse cálculo, é preciso considerar parâmetros como temperatura, vento e umidade. Já a temperatura é o valor real para o momento, registrado no termômetro, explica a meteorologista do Inmet. Na madrugada da quinta-feira (12) da última semana, a sensação térmica no campus da UFJF atingiu -3 °C, impulsionada por rajadas de vento de quase 45 km/h, enquanto a temperatura ficou em 9 graus. A medição foi feita pela estação do 5º Distrito de Meteorologia do Inmet instalada no local. 

“Falamos sobre sensação térmica para explicar que o vento, por exemplo, pode aumentar a sensação de frio, como se estivéssemos expostos a temperaturas menores. Vale dizer que a sensação térmica é momentânea, não é algo que dura horas ou todo o dia, apenas naquele momento para uma data, temperatura e velocidade de vento”, finaliza Anete.