Dengue faz 3ª vítima fatal este ano
Em menos de um mês, três pessoas morreram vítimas de dengue grave em Juiz de Fora. O que impressiona é o número de vítimas fatais em tão pouco tempo. Em todo o ano passado, por exemplo, apesar de a cidade ter enfrentado uma epidemia, houve apenas um óbito. Em 2014 e 2013, foram cinco e quatro mortes, respectivamente. A última vítima foi Elizabeth Andrade de Souza, 65 anos, que foi a óbito na manhã de ontem, no Hospital Albert Sabin. A idosa era moradora do Alto dos Passos, na Zona Sul, assim como a adolescente de 13 anos, que também teve dengue grave e faleceu no último sábado. A primeira morte foi de uma idosa de 73 anos, moradora da Zona Norte, que morreu em 23 de janeiro.
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Conforme o infectologista Guilherme Côrtes, a recorrência de quadros mais graves da doença pode ter sido causada pela introdução de um sorotipo mais virulento na cidade ou pela exposição recorrente ao vírus, quando uma mesma pessoa tem mais de uma vez a moléstia. “No caso do município, onde houve três mortes, não podemos deixar de considerar que duas dessas três pessoas eram idosas e já deviam ter certas doenças, o que aumenta o risco de complicações. A concentração dos casos no Alto dos Passos demonstra que a transmissão da doença nessa região está alta.”
No último boleto epidemiológico divulgado pela Secretaria de Saúde, Juiz de Fora havia registrado 1.653 casos de pessoas com doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. Segundo o médico do Hospital Albert Sabin Eduardo Valle, no local houve um aumento de 20% no número de consultas em decorrência da epidemia, causando o congestionamento da urgência e emergência do hospital e o aumento no tempo de espera dos pacientes. “O hospital estava preparado para realizar 4.500 atendimentos confortavelmente. A previsão para esse mês é de sete mil atendimentos. Por isso, contratamos mais 14 médicos para cobrir as escalas.”
O infectologista Guilherme Côrtes destaca que a doença é dinâmica, necessitando de acompanhamento médico e monitoramento da evolução com exames de hemogramas e plaquetas. “A dengue é previsível, por isso é preciso ficar atento aos sintomas. Nos primeiros sinais de alerta, é preciso iniciar hidratação venosa, pois a oral não adianta mais. Se não agir nesse momento, se não hidratar o suficiente, a doença pode evoluir para choque, que é o primeiro sinal de dengue grave (ver quadro).” O especialista enfatiza que a população não está dando a devida atenção à doença. “Dengue não é só mais uma virose comum. É uma doença grave, que mata.”
A Secretaria de Saúde apenas confirmou o óbito por dengue, sem se manifestar a respeito. Já o superintendente Regional de Saúde, Oleg Abramov, disse que o município tem 24 horas para realizar a notificação junto a Secretaria de Estado de Saúde. Após, é realizada investigação das circunstâncias da morte. Ele ainda ressaltou que ações estão sendo promovidas para combater o mosquito vetor. “Nós estamos preparando as ações pesadas com os carros UBV. Existe um protocolo a ser seguido, e agora entramos em período de alta transmissão. Como os recursos são escassos e a demanda é grande, tudo tem que ser feito seguindo protocolo. Realizamos os treinamentos com agentes e com o Exército, além de cedermos nosso laboratório para 200 municípios. Também estamos acompanhando a contratação dos novos agentes de endemias pela Prefeitura, que será positivo para o combate.”
Fumacê
Mesmo com chuva, as atividades do fumacê tiveram início ontem, nos Bairros Santa Cecília, Mundo Novo e Alto dos Passos, na Zona Sul. Hoje os carros percorrem as ruas de Santa Luzia e São Mateus, das 17h às 21h.









