Ouça agora

Lixo exposto pela seca é retirado de mananciais


Por Tribuna

18/10/2014 às 06h00

Marcelo Mello, da Cesama, mostra o encontro das águas vindas do Ribeirão do Espírito Santo com a de Chapéu D'Uvas

Marcelo Mello, da Cesama, mostra o encontro das águas vindas do Ribeirão do Espírito Santo com a de Chapéu D’Uvas

Com a forte seca e a consequente redução no nível dos mananciais, o destino incorreto dado aos resíduos sólidos na cidade está ainda mais aparente. Quem transita pela Avenida Brasil, por exemplo, já deve ter notado o forte odor proveniente do Rio Paraibuna e a quantidade de lixo que surgiu em seu leito. Nas represas de João Penido, na Zona Norte, e São Pedro, na Cidade Alta, a situação não é diferente, e os entulhos também estão cada vez mais evidentes. Por conta disso, ao longo da semana, profissionais do Demlurb aproveitam o recuo da água para realizar a limpeza dos locais. Os resíduos ficam, normalmente, no fundo dos reservatórios, onde têm sido recolhidos garrafas de plástico, brinquedos, calçados, sacolas de supermercado, peças de carro e sofás, que agora se misturam com as algas do fundo do curso d’água. Até agora, pelo menos 800kg de detritos já foram retirados.

Conforme o diretor operacional do Demlurb, Paulo Delgado, o trabalho será estendido até a chegada do período chuvoso. “Acaba sendo um serviço mais lento, porque tem muito lixo espalhado.”Em relação ao Rio Paraibuna, Paulo explica que normalmente a limpeza é feita pela Cesama de forma rotineira, mas garante que o Demlurb está dando apoio aos trabalhos.

Racionamento

Ontem foi o primeiro dia de racionamento de água em Juiz de Fora, medida que tem continuidade a partir de segunda-feira. Também ontem, foram realizadas vistorias ao longo dos 17 quilômetros da adutora que liga a barragem de Chapéu D’Uvas à Estação de Tratamento de Água (ETA) Walfrido Machado Mendonça, na Zona Norte. Segundo a Cesama, foram revisadas as ventosas do cano, que exigiam a parada momentânea do bombeamento. A água de Chapéu D’Uvas começou a chegar na casa dos juiz-foranos na última quinta.

Temperaturas

O calor não deve dar trégua neste fim de semana e, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Juiz de Fora e toda a região da Zona da Mata vão continuar enfrentando temperaturas acima dos 30 graus. O meteorologista do 5º Distrito do Inmet, Luiz Clemente Ladeia, explica que a elevação segue a tendência registrada durante a semana, mas novos recordes, conforme o da última terça-feira – 36,2 graus – e segunda maior temperatura – 34,6 graus, ocorrida ontem – não devem tornar a acontecer. “Acredito que, para a Zona da Mata, os termômetros não devem ultrapassar a marca dos 36 graus, enquanto em Juiz de Fora, a máxima não deve passar dos 35.”

O especialista explica que a predominância da massa de ar quente e seco sobre o Sudeste, principalmente em Minas Gerais, deve ser minimizada entre domingo e segunda, quando a frente fria que atravessa o Sul do país, chega à região, deslocando-se sobre a massa de ar quente, possibilitando a ocorrência de chuvas ocasionais a partir de terça-feira. “As chuvas devem minimizar o tempo seco, pois eleva-se a umidade relativa do ar, porém, não resolve o problema dos mananciais e a falta d’água.” A boa notícia é que outubro deve ser encerrado com temperaturas mais amenas.