117 registros de abuso e maus-tratos
O número de crianças e adolescentes abusados e submetidos a maus-tratos em Juiz de Fora cresce a cada dia, aumentando a preocupação com a necessidade de mecanismos que possam coibir esta situação e garantir proteção para as vítimas. O último levantamento do Centro de Referência Especializada em Assistência Social (Creas) Infância e Juventude aponta que, de janeiro a abril deste ano, houve 117 registros de abuso, exploração sexual, abandono, negligência e violência física contra pessoas com até 17 anos. O total de registros é 67% maior que os atendimentos realizados no mesmo período de 2011. Ao longo de todo o ano passado, 250 crianças e adolescentes foram acompanhados, sendo as vítimas do sexo feminino mais vulneráveis à violência sexual. Em Minas Gerais, nos últimos três anos, o Disque Direitos Humanos (0800 031 1119) recebeu cerca de nove mil ligações referentes a casos de violência contra crianças e adolescentes. Desse total, 22%, o que representa cerca de duas mil denúncias, foram relativas a crimes sexuais.
Em Juiz de Fora, um dos casos mais recentes aconteceu na quarta-feira, quando um taxista, 58 anos, foi conduzido para o Ceresp, sob suspeita de molestar duas meninas, 7 e 11, no Bairro Nossa Senhora das Graças, Zona Nordeste. Ele teria atraído as garotas para seu veículo, com a promessa de comprar balas. Com as crianças no interior do automóvel, o suspeito teria passado a mão no corpo delas. O homem acabou sendo preso em flagrante.
Para marcar o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, comemorado hoje, serão realizadas diversas atividades. A Diretoria Regional da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), a Polícia Militar e os Creas Norte e Centro promoverão blitz educativa, na Avenida JK, em frente ao quartel do 27° BPM, na Zona Norte. Serão feitas abordagens aos motoristas e distribuição de panfletos, entre 8h30 e 11h30. Já a equipe do Creas Infância e Juventude segue promovendo palestras sobre o tema em diversos locais da cidade e trabalhando na formação de grupos capazes de auxiliar no combate à violência contra crianças e adolescentes em suas comunidades. A coordenadora da unidade, Andréa Foscarini, conta que será oferecida uma capacitação, com objetivo de montar uma rede de multiplicadores, para divulgar como funciona o acolhimento de denúncias e como se dá o apoio técnico e jurídico às vítimas.
Denúncias
Andréa Foscarini aponta que o aumento do número de vítimas acompanhadas pelo órgão deve-se ao maior conhecimento do trabalho oferecido pelo setor. As denúncias significam que a população e toda a rede de atendimento às vítimas têm cumprido seu papel. Os casos estão sendo trazidos, para que providências sejam tomadas, dando voz a essas crianças. As comunicações são recebidas nos Conselhos Tutelares, escolas, UAPs e por meio do disque denúncia: 0800 283 7991.
Polícia vai ouvir mais testemunhas
O Núcleo de Ações Operacionais da Polícia Civil já instaurou inquérito para apurar o caso de suspeita de abuso contra duas meninas, 7 e 11 anos, no Bairro Nossa Senhora das Graças. A delegada responsável, Sheila Oliveira, afirmou que novas testemunhas serão ouvidas, inclusive o pai de uma vítimas, que teria visto as garotas dentro do carro. Segundo a PM, quando as crianças brincavam na rua, o taxista teria se aproximado e chamado as duas para entrar no carro, com o objetivo de comprar balas.
Com as garotas no interior do veículo, o suspeito teria passado a mão no corpo delas. Em depoimento na delegacia, a menina mais velha relatou que o homem teria tirado a camisa. O suspeito teria passado a mão na barriga dela, subindo até o peito, fazendo a mesma coisa com a amiga. No final, ele teria pedido às crianças que não contassem nada para suas mães e outras pessoas. Ele fugiu, mas foi localizado pela PM, sendo levado para delegacia, onde negou as acusações. Entretanto, a prisão foi confirmada.







