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Enfrentando o calor no trabalho


Por Tribuna

17/01/2015 às 07h00- Atualizada 19/01/2015 às 20h59

Wanderlea se protege com chapéu, óculos e protetor solar

Wanderlea se protege com chapéu, óculos e protetor solar

Com o calor provocado pela atuação de uma massa de ar seco e quente sobre Juiz de Fora nos últimos dias, a indisposição se torna comum, principalmente nos momentos de sol a pino e durante as horas do expediente. Trabalhadores que atuam tanto nas ruas quanto em ambientes fechados relatam as dificuldades neste período e criam algumas alternativas para minimizar o desconforto térmico. A média da temperatura registrada neste mês, de 32 graus, segundo o Inmet, já supera em seis graus a média de igual período nos anos anteriores.

Motoristas e cobradores do sistema de transporte público questionam a falta de aplicação e divulgação da lei que permite o uso de bermuda pela categoria durante o horário de serviço. De autoria da vereadora Ana Rossignoli (PDT) e sancionada pelo ex-prefeito Custódio Mattos (PSDB) em 2009, o dispositivo autoriza a adoção de um padrão de bermudas. “Se fosse aplicada, proporcionaria mais conforto ao trabalhador. Mas a lei foi feita e enfiada na gaveta. Não sabemos o porquê de não ter sido colocada em prática”, reclama o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário (Sinttro JF), Adilson Antônio Rezende. A Astransp alega que cabe ao empregador oferecer o uniforme e que não é de sua responsabilidade a regulamentação e execução da lei. Já a Settra informou que vai avaliar a lei.

Funcionário da padaria Maxi Pão, o cozinheiro Nattaniel dos Santos, 27 anos, precisa lidar diariamente com temperaturas ainda mais altas, vindas do forno, da fritadeira e do fogão. Trabalhando na produção de salgados, entre 7h e 16h, ele bebe bastante água durante o seu turno. “A gente faz intervalos de dez minutos durante o expediente, saindo da cozinha para aliviar, toma bastante água ou suco. No almoço, também como mais salada e carne mais leve.”

Já a servidora do Demlurb, Wanderlea Brum, 44, procura locais com sombra e também faz pausas nos horários mais quentes do dia. “A gente usa chapéu, óculos, protetor solar. Temos um intervalo na hora do lanche, de 15 minutos. Quando é possível, a gente trabalha na sombra”. O Demlurb propõe um rodízio entre as funções de capina, roçada e varrição, com intervalos de trabalho periódicos e incentivo à hidratação. Perto do relógio de ponto dos empregados, é disponibilizado o protetor solar para uso livre.

A costureira Denise Modesto Esteves, 47, leva para o trabalho leque, creme hidratante e lenços umedecidos para secar o suor. Ela conta que, nos últimos dias, foi necessário reforçar o sistema de ventilação da malharia onde trabalha. “Meu patrão teve que colocar mais ventiladores. Inclusive estou pensando em cortar meu cabelo curtinho para aliviar o calor.”

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Em busca do alívio

Para minimizar o desconforto no local de trabalho, algumas pessoas têm recorrido a acessórios criativos e à alimentação saudável. Além do tradicional ventilador de mesa, que se conecta ao USB do computador, algumas lojas comercializam uma garrafa com hélice que borrifa água e refresca imediatamente. Na Tudo Box, na Avenida Itamar Franco, o estoque se esgotou em poucos dias. “Com essa onda de calor, a procura foi grande, e tivemos que fazer a compra de nova remessa”, explica a vendedora Layza de Moraes.

A alimentação é outro fator importante para evitar indisposição. A nutricionista Marileia Ragone aconselha evitar o consumo de produtos industrializados, gordurosos ou de alto valor calórico. Também é preciso estar atento para evitar algumas substâncias, como o sódio, na hora de preparar a comida (ver quadro).