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Escola é estratégica na luta contra drogas


Por MARCOS ARAÚJO

16/10/2015 às 07h00- Atualizada 16/10/2015 às 09h21

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Olhar a escola como local estratégico para o combate ao uso de drogas é a consideração que a professora Pollyanna Santos da Silveira vai fazer hoje, durante palestra no 1º Encontro Regional de Políticas sobre Drogas, no Teatro Pró-Música. “É importante que a escola e a comunidade entendam a importância da prevenção. As crianças e os adolescentes devem ser chaves neste processo, pois, cada vez mais, o consumo tem começado mais cedo”, adverte a pesquisadora.

A instituição de ensino não tem como agir no tráfico de entorpecente que acontece fora do seu portão, pois esta é uma atribuição do Estado. Contudo, conforme a palestrante, que é professora visitante do Programa de Pós-graduação da Faculdade de Psicologia da UFJF, a escola tem que zelar por um ambiente saudável e de proteção, já que crianças e adolescentes passam a metade do dia nela. “Precisamos discutir como fazer esta prevenção de uma forma efetiva, que vai além das palestras, de estratégias muito focadas no problema, porque, na verdade, é preciso focar mais em fatores de proteção, para que haja indicadores melhores. Para isso, é preciso que a escola se envolva e que o jovem, o adolescente e a criança sejam protagonistas neste processo”, pontua Pollyanna. Além dela, haverá outros palestrantes no evento, que começa às 8h e segue até as 17h, com a presença do subsecretário de Estado de Políticas sobre Drogas, Rafael Miranda.

Prevenção

Como ressalta a professora Pollyana Silveira, no Brasil, não é comum programas de prevenção na escola. “O que existe é a cultura do medo, estratégias de resistência com o mote “diga não às drogas”. E isso, na maioria das vezes, não funciona. Na verdade, quando se cria um ambiente saudável, há uma tendência a aumentar a percepção dos jovens e das crianças sobre o risco do uso de drogas, diminuindo as conseqüências decorrentes do consumo. E se porventura vierem a fazê-lo, que tenha consequência mínima. Também é preciso pensar em retardar o início do consumo, trabalhando com o desenvolvimento de habilidades de conhecimento, relacionamento interpessoal e comunicação, entre outros. Com isso, a escola acaba tendo um ambiente saudável.”

O objetivo do 1º Encontro Regional de Políticas sobre Drogas é trazer para a discussão soluções para a questão do uso de drogas em Juiz de Fora e mais 141 municípios da Zona da Mata e pautar a política pública destas cidades para ações de prevenção. O evento é promovido pelo Conselho Municipal de Políticas Integradas sobre Drogas (Compid) da Prefeitura em parceria com a Secretaria de Estado de Políticas sobre Drogas (Sepod) e UFJF. A expectativa é que 500 pessoas participem do encontro. Os interessados podem se inscrever na hora, desde que haja vagas disponíveis.

‘Problema precisa ser visto pelo prisma dos direitos humanos’

De acordo com a presidente do Conselho Municipal de Políticas Integradas sobre Drogas (Compid), Maria José Figueira Pereira, ao final do encontro, espera-se produzir um documento no qual será descrita a experiência do evento para dar um suporte ao Governo do Estado no pensamento sobre as políticas públicas para o setor. “Nossa expectativa é que todos os participantes possam ampliar o olhar e ter instrumentos de forma que consolide uma rede de proteção, de garantias de direito e auxiliando de fato a construção de uma política pública para promoção de saúde no que se refere ao álcool e outras drogas”, destaca Maria José.

Conforme a presidente do Compid, o problema provocado pelo consumo de drogas tem que ser visto sob o prisma dos direitos humanos. “Hoje penso que toda a questão que envolve a droga tem que ter uma visão à frente, pensando na inserção dos direitos humanos como pressuposto que vai orientar as demandas originárias do fenômeno droga.”

Sobre a rede que existe em Juiz de Fora para atendimento de dependentes químicos, Maria José dá exemplo do bom funcionamento, mas observa que é preciso sempre evoluir. “Precisamos ter um olhar crítico sobre ela, para reformulá-la. Vejo projetos interessantes na cidade, como aqueles inseridos no programa JF+Vida, da Prefeitura, que é desenvolvido junto com o Governo federal dentro do programa “Crack é possível vencer”, com oficinas intersetoriais e diálogo entre os setores” (ver quadro).