Homem que matou 5 pessoas da mesma família é indiciado por homicídio qualificado por meio insidioso

Polícia Civil conclui inquérito e cita meio cruel utilizado no crime, “que tornou impossível a defesa” das vítimas


Por Pâmela Costa

16/01/2026 às 11h14- Atualizada 16/01/2026 às 12h50

Jonathas dos Santos Souza, o homem de 42 anos que matou o pai, a madrasta, as duas irmãs e o sobrinho de cinco anos no Bairro Santa Cecília, no último dia 7, vai ser indiciado por homicídio qualificado por meio insidioso.

O inquérito, conduzido pela delegada titular da Delegacia Especializada em Homicídios da Polícia Civil, Camilla Miller, foi concluído na véspera do fim do prazo de dez dias para investigação do caso. Em atendimento à imprensa nesta sexta-feira (16), ela destacou que a investigação causou o “indiciamento com as qualificadoras de utilização de meio insidioso e cruel, bem como o meio que tornou impossível a defesa dos ofendidos”.

Ainda segundo a delegada, os laudos periciais que faltavam ser elaborados foram devidamente juntados aos autos, e o procedimento vai ficar à disposição da Justiça e do Ministério Público, que deverão receber o inquérito ainda hoje. A pena prevista para homicidio qualificado é de 12 a 30 anos. 

Entenda o caso

Segundo as investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Homicídios, o crime teve início por volta das 6h09 de quarta-feira (7). Quando acordou, Jonathas, que morava sozinho no Bairro Santa Terezinha, decidiu executar o crime e se paramentou. Em seguida, deslocou-se de madrugada até a residência da família e aguardou a saída de um parente. Ao abordar uma das irmãs que saía para trabalhar, ele a agrediu e forçou a entrada no imóvel.

Dentro da casa, ele utilizou uma faca tática para desferir múltiplos golpes contra as vítimas. No ataque foram mortos seu pai, de 74 anos (ex-pastor da Igreja do Nazareno); a madrasta, de 63 anos; duas irmãs, de 44 e 47 anos; e um sobrinho de 5 anos, que possuía Transtorno do Espectro Autista (TEA) e foi atacado enquanto estava na cama. O principal alvo do crime era o pai que estava em tratamento oncológico, conforme mostraram as investigações, mas a intenção era matar todos que estavam na residência, concluiu a delegada.

A delegada revelou, ainda, que Jonathas tentou invadir o apartamento de um irmão, localizado no último andar do mesmo prédio. Como a porta estava trancada e o suspeito não ouviu barulhos no interior, ele desistiu da tentativa. Ele não continuou porque não teve oportunidade; quem ele encontrasse pela frente, ia exterminar”, afirmou a delegada em entrevista à Tribuna de Minas.

Após os homicídios, câmeras de segurança registraram o suspeito deixando o local às 6h22. Ele retornou ao seu apartamento por volta das 7h30, onde lavou a faca e as roupas usadas no crime. Por volta das 7h40, ele acionou a PM pelo 190 dizendo ter encontrado todos os familiares mortos dentro de casa. O irmão também disse que não ouviu barulho ou movimentação suspeita durante a madrugada.

Homem está preso desde o dia do crime

A prisão ocorreu cerca de 20 minutos após a Polícia Militar ser acionada. Ele foi encontrado em seu apartamento no Bairro Santa Terezinha, onde retornou após assassinar a família. No local, a faca e as roupas usadas durante o crime já haviam sido lavadas.

Em depoimento à Polícia Civil, Jonathas confessou o crime com um discurso, até então, organizado, mas, ao ser questionado sobre a motivação, passou a ter falas “fantasiosas” e confusas, chegando a mencionar dívidas. Embora não tivesse passagens pela polícia, Jonathas era descrito pela família como uma pessoa de comportamento volátil.
Segundo a delegada, a família também relatou que ele apresentou uma mudança de comportamento há cerca de um ano e meio e, desde o ano passado, parentes tentavam encaminhá-lo para tratamento psiquiátrico, mas sem sucesso. Ele negou ter problemas psicológicos à polícia e, até o momento, ainda não há laudos oficiais que atestem qual é o seu estado mental.

A prisão em flagrante foi convertida em preventiva na sexta-feira (9), após audiência de custódia realizada por videoconferência pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

Os comentários nas postagens e os conteúdos dos colunistas não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é exclusiva dos autores das mensagens. A Tribuna reserva-se o direito de excluir comentários que contenham insultos e ameaças a seus jornalistas, bem como xingamentos, injúrias e agressões a terceiros. Mensagens de conteúdo homofóbico, racista, xenofóbico e que propaguem discursos de ódio e/ou informações falsas também não serão toleradas. A infração reiterada da política de comunicação da Tribuna levará à exclusão permanente do responsável pelos comentários.