Cinco pessoas morreram soterradas em cinco anos
O período chuvoso começa e junto com ele o medo das enchentes e dos deslizamentos de terra invade os juiz-foranos, principalmente aqueles que moram próximo a uma das 713 áreas de risco do município. E o medo não é à toa. Nos últimos cinco anos, cinco pessoas morreram soterradas por desabamentos causados pelas chuvas. Este ano, os dois primeiros óbitos foram registrados no final da noite de terça-feira, quando mãe, 35 anos, e filho, 6, foram soterrados no quarto da residência onde moravam, no Bairro São Mateus, Zona Sul.
Até então, a última morte por soterramento em Juiz de Fora havia ocorrido no Natal de 2013 (ver quadro). O deslizamento de terra em uma encosta atingiu moradias na Rua Miguel Marcos Peres, no Bairro Jardim Natal, Zona Norte. Em uma das residências estava uma mulher de 53 anos que ficou soterrada. Seu corpo foi localizado sete horas depois pelo Corpo de Bombeiros. Já em dezembro de 2012, dois homens, 19 e 28 anos, morreram ao serem atingidos por uma parede que caiu durante um temporal na obra onde eles trabalhavam. O fato aconteceu na Avenida Brasil, próximo ao Parque de Exposições, no Bairro Jóquei Clube, Zona Norte. O rapaz mais novo morreu no mesmo dia, e o homem mais velho ficou internado por quatro dias, não resistindo aos ferimentos.
Mais duas vítimas
Ainda em 2012, no dia 18 de março, duas jovens de 19 anos morreram soterradas no Bairro Linhares, região Leste. No entanto, o deslizamento de terra que atingiu a casa onde as jovens estavam não teria relação com as chuvas. A suspeita é que o acidente foi provocado por um vazamento de água na rede de abastecimento da Cesama, em uma rua acima de onde a terra começou a descer.
2016 começou com chuvas fortes
O ano de 2016 começou com fortes chuvas. Em 20 de janeiro, o cômodo de uma casa do Bairro Jardim de Alá, Zona Sul, foi destruído por um muro de arrimo. O local estava preparado para abrigar mãe e filho recém-nascido, que não receberam alta hospitalar, como era esperado. As chuvas daquela semana comprometeram até mesmo o itinerário dos ônibus, já que havia muitos pontos de alagamentos, desmoronamentos de encostas e buracos em vias públicas. Ao todo, 16 linhas foram afetadas, na época.
Em 29 de fevereiro, outra chuva inundou a cidade. Em Santa Luzia, na Zona Sul, o córrego transbordou. Residências e lojas foram atingidas, deixando prejuízos para a comunidade. No Cascatinha, também na Zona Sul, um muro de divisa de um imóvel caiu, e a água invadiu a área de lazer da residência. Dois moradores foram arrastados por mais de 20 metros pela água, junto com escombros. Eles sofreram escoriações leves. Um veículo que estava na garagem foi levado e bateu no portão da casa.
Em 11 de março, a direção da Escola Estadual Delfim Moreira suspendeu as aulas por causa de alagamentos em salas de aula e na biblioteca. No dia 17 de março, um barranco deslizou na Rua Doutor Maurício Guerra, entre os bairros São Bernardo e Bosque dos Pinheiros, na Zona Sudeste. Um pedreiro de 60 anos foi soterrado enquanto trabalhava na obra de um prédio. Os próprios operários deram os primeiros socorros até a chegada do Corpo de Bombeiros. O homem sobreviveu.









