Paciente baleado em Uaps morre no CTI
Depois de passar duas semanas internado no CTI do Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus, morreu, no final da manhã de ontem, o paciente Flávio Otoni Rodrigues, 50 anos, baleado enquanto aguardava assistência na Unidade de Atenção Primária à Saúde (Uaps) do Bairro Santa Rita, na Zona Leste. Ele foi alvejado no tórax pelo atirador que abriu fogo contra Maxwell Ferreira Guedes, 25, executado no local na frente de mais de 50 pessoas, no dia 1º deste mês. A notícia de sua morte chocou não só seus familiares, mas os demais moradores do bairro, que até hoje permanecem sem o atendimento total no posto de saúde.
A Tribuna conversou com familiares da vítima, que estavam inconformados com a violência. Segundo eles, Flávio era um homem trabalhador e honesto e se esforçava para dar o melhor para a esposa e a filha, de 14 anos. “Ele era uma pessoa muito agradável e brincalhona, estamos todos em choque”, disse um parente. “Ele estava no momento e no local errados. É uma fatalidade, infelizmente”, relatou um amigo da família.
Às 19h50, o corpo de Flávio chegou à Capela 1 do Cemitério Parque da Saudade, onde foi realizado o velório. Na noite de ontem, o clima no local era tomado por emoção. “Aqui não existe sentimento de revolta, apenas de dor. Queremos que alguma atitude seja tomada, e que a justiça divina seja feita”, pontuou uma sobrinha. O sepultamento está previsto para hoje, às 13h30. Além da mulher e da filha, Flávio deixa cinco irmãos e os pais, já idosos.
Flávio era servidor da Prefeitura de Juiz de Fora e atuava, desde 2002, na Secretaria de Agropecuária e Abastecimento. A pasta lamentou o falecimento, dizendo, em nota, que Flávio era “funcionário efetivo da mecanização agrícola e desempenhava o papel de operador de máquinas, com aração e plantio de grãos. Era cumpridor de suas tarefas com afinco e nunca apresentou problemas no trabalho, além de ser muito querido pelos colegas”.
À Tribuna, o presidente do Sindicato dos Médicos, Gilson Salomão, lamentou o episódio e reforçou que o ofício pedindo providências urgentes em relação à segurança dos profissionais de saúde da unidade já foi encaminhado à Secretaria de Saúde, e hoje, será enviado à Polícia Militar. “Não podemos permitir que casos como este tornem a acontecer na cidade. Prezamos pela segurança das equipes e dos usuários destas comunidades. Pedimos ao Poder Público que não meça esforços para garantir a segurança e a tranquilidade destas pessoas”, ressaltou.
O titular da Delegacia Especializada de Homicídios, Rodrigo Rolli, informou que já fez os pedidos de prisão e apreensão para os suspeitos do caso, porém, aguarda retorno da Vara da Infância e Juventude e do Judiciário.
Retorno gradual
O retorno ao funcionamento da Uaps – que ficou suspenso durante uma semana por conta do ocorrido – será de forma gradual. Conforme informou a Secretaria de Saúde, o atendimento foi retomado na última quinta-feira, e está sendo feito apenas por uma equipe, composta por um médico e dois auxiliares de enfermagem. Os agentes comunitários de saúde têm realizado seus trabalhos normalmente.
Na tarde de ontem, usuários da unidade encontraram dificuldades para obter medicamentos. “Por volta das 16h, entramos em contato pelo telefone, confirmando o horário de funcionamento, até às 17h. Chegamos ao local 15 minutos depois, e a mesma estava fechada. Sempre que acontece uma situação de violência no bairro, temos este problema”, disse a paciente. De acordo com a Secretaria de Saúde, o atendimento na Uaps deve ser normalizado ainda esta semana.








