Laudos diferem sobre causa de deslizamento no Linhares

Lona cobre o buraco que se formou na encosta
Três meses após o deslizamento de terra que matou duas jovens, de 19 anos, no Linhares, Zona Leste, a Cesama divulgou relatório técnico sobre a ocorrência, constatando que "a tubulação de abastecimento de água foi danificada pelo escorregamento de solo (…), em nada tendo contribuído para que o mesmo ocorresse". Entretanto, no laudo pericial da Polícia Civil, consta que o desmoronamento aconteceu "devido à saturação do solo em decorrência de um vazamento de água provocado por dano na rede hidráulica da empresa Cesama, agravado por inúmeras irregularidades no terreno e por se tratar de uma área de risco." A assessoria da polícia informou que será instaurado inquérito policial para elucidação do caso também na esfera criminal. A determinação para a investigação foi dada pelo chefe do 4º Departamento da Polícia Civil, delegado Rogério de Melo Franco Assis Araújo.
O barranco atingiu três casas da Rua Roberto Hargreaves, depois de deslizar da via que fica acima desta, a Rua Vera Lúcia. De acordo com a assessoria de comunicação da Cesama, não há registros de chamada para a região no dia do incidente, 18 de março. A assessoria acrescentou, ainda, que o único serviço realizado no entorno foi na altura do número 154 da Rua Roberto Hargreaves, que não poderia ter interferido no local do deslizamento, já que o defeito foi em um ramal distinto do ponto onde estava a tubulação afetada no dia do desabamento.
Apreensão
Na casa da Rua Roberto Hargreaves onde as jovens morreram, ainda há muita terra, entulho e restos de móveis carregados pelo barranco. Uma lona cobre o buraco que se formou na encosta. O imóvel está aberto e, segundo vizinhos, os ex-moradores não retornam há meses. Mesmo depois de a Defesa Civil ter atestado que não havia riscos para os imóveis do entorno, o clima entre os moradores da região ainda é de insegurança. Para a aposentada Rosa Martoni Bertoluzzi, que teve a casa dos fundos de seu terreno soterrada, ainda há perigo. "Segura, nunca mais vou me sentir. Queria sair daqui, mas a minha casa é própria e não tenho para onde ir. A que foi destruída era da minha filha, que graças a Deus, não estava lá." Na Rua Vera Lúcia, a comunidade também se sente vulnerável. "Minha casa fica longe de onde aconteceu, mas não dá para ficar tranquila", revela a dona de casa Eliene Costa.
A Secretaria de Obras informou que, quando o acidente aconteceu, foram feitos serviços de limpeza e remoção da terra, além de demolição do restante das casas afetadas. A assessoria da pasta também afirmou que, no máximo até segunda-feira, o imóvel onde as jovens faleceram será liberado para o proprietário, para intervenções. A assessoria da Prefeitura acrescentou que as famílias que tiveram as residências atingidas pelo acidente foram incluídas no programa "Minha Casa, Minha Vida 2", que está em fase de aprovação dos loteamentos.







