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Gangues se enfrentam e depois invadem HPS


Por Eduardo Valente e Marcos Araújo

15/06/2012 às 07h00

Facas apreendidas pelos policiais militares

Facas apreendidas pelos policiais militares

Os corredores do Hospital de Pronto Socorro (HPS) foram invadidos por integrantes de duas gangues de jovens na tarde de ontem, amedrontando pacientes e funcionários. Antes de entrar na unidade, os dois grupos se confrontaram na porta, onde um jovem de 18 anos foi esfaqueado nas costas. O golpe teria perfurado o pulmão direito do rapaz, que precisou passar por cirurgia. O conflito teve a participação de seis jovens, sendo quatro adolescentes, com idades entre 15 e 16 anos.

De acordo com a Polícia Militar, os envolvidos são moradores do Ipiranga e Jardim Gaúcho, ambos bairros da Zona Sul. Na terça-feira, os mesmos grupos haviam se envolvido em uma briga no ponto de ônibus da Avenida Rio Branco, entre as ruas Marechal Deodoro e Mister Moore, no Centro. Na ocasião, um garoto de 17 anos, morador do Jardim Gaúcho, foi esfaqueado, sendo encaminhado ao HPS. Conforme o pai do jovem internado, o bando teria ido ao hospital para matá-lo. Porém, o grupo do adolescente internado teria se dirigido ao local para impedir uma nova agressão. No entanto, o fato acabou em mais violência.

Segundo um funcionário do HPS, a confusão foi rápida, sendo impossível evitar que os adolescentes entrassem pelos corredores do hospital. "A briga começou ainda do lado de fora, e, de repente, correram para dentro com facas na mão. Felizmente havia policiais militares na recepção, que conseguiram impedir que eles encontrassem o rapaz internado."

Com exceção do jovem esfaqueado ontem, que permaneceu no HPS, os outros foram conduzidos à delegacia para registro da ocorrência. Até o fechamento desta edição, eles ainda estavam sendo ouvidos pelo delegado de plantão. Entre as testemunhas estavam o pai do jovem esfaqueado na terça-feira e o pai de outro garoto, 16, que seria membro da gangue rival. Amigos de infância, eles tentavam entender o que ocorria. "Nos conhecemos há muitos anos. Sabíamos da rixa entre nossos filhos, mas não sei explicar qual o motivo. Espero que tudo acabe bem", disse um deles, 42, morador do Ipiranga.

De acordo com a PM, a ocorrência foi registrada como rixa. As duas facas que teriam sido usadas, de aproximadamente 15 centímetros de lâmina, foram apreendidas e entregues ao delegado de plantão. A assessoria de comunicação do hospital informou que o jovem esfaqueado ontem passou por cirurgia de emergência e foi submetido a uma drenagem no tórax. Ele permanece internado na enfermaria, e o estado de saúde é considerado estável.

 

‘Estes grupos passaram dos limites’

O tumulto no HPS deixou funcionários, pacientes e direção da unidade estarrecidos com a situação. De acordo com o diretor geral do hospital, Clorivaldo Rocha, o fato da tarde de ontem mostra o quanto a vida humana tem sido desrespeitada. "É com tristeza que temos que assistir a uma cena dessas, em que não há respeito com uma instituição responsável pelo salvamento de vidas. Considero que estes grupos passaram dos limites, dando mostras da falta de valor moral", afirmou indignado o diretor, ressaltando que, atualmente, o HPS é referência para 1,6 milhão de pessoas em toda a região.

"Este tipo de situação é imprevisível, mas pode acontecer de novo, uma vez que Juiz de Fora vivencia uma realidade de constantes confrontos, com pessoas baleadas e esfaqueadas, o que reflete nas demandas do hospital. Hoje (ontem) fomos expostos a uma violência externa, que precisa ser combatida pelos órgãos de segurança pública. Eles devem trabalhar de forma a prevenir este tipo de ocorrência, que deve ser tratada na sua raiz, para que não exploda na porta de uma instituição que tem a função de salvar pessoas."

Mortes

A rivalidade entre gangues na Zona Sul de Juiz de Fora, além de resultar em atos de violência na região central da cidade, como vem sendo noticiado pela Tribuna, ocasionou a morte de um adolescente, de 14 anos, no último dia 9. O garoto foi assassinado a tiros na cabeça, no Santa Efigênia. Segundo a PM, o crime, assim como a tentativa de acerto de contas ontem no HPS, teria relação com a briga de gangues dos bairros Ipiranga e Jardim Gaúcho. Outra morte provocada por rivalidade entre gangues foi registrada na última semana, na Zona Norte.