Palácio Tiradentes quer evitar aliança em JF
A ameaça do deputado federal Júlio Delgado (PSB) de deixar a disputa pela Prefeitura de Juiz de Fora e sua propensão para caminhar com a pré-candidata do PT, Margarida Salomão, incomodaram o Palácio Tiradentes. O parlamentar recebeu, na manhã de ontem, ligação de um influente integrante do primeiro escalão do governador Antonio Anastasia (PSDB), querendo saber o alcance de sua movimentação. O entendimento do Governo de Minas, que também é compartilhado pela cúpula tucana local, é de que o esvaziamento do páreo juiz-forano deve favorecer apenas a petista. Nesse sentido, a ordem é tentar evitar qualquer conjectura que favoreça, no primeiro ou no segundo turno, uma aliança entre PT, PMDB e PSB. Os três partidos são aliados em nível nacional e têm recomendação de suas cúpulas para, havendo possibilidade, caminharem juntos nas eleições municipais.
Mesmo com a movimentação dos petistas para tentar atrair os peemedebistas e socialistas, as pré-candidaturas de Júlio e do deputado estadual Bruno Siqueira (PMDB), bem como as ligações de ambos com o Palácio Tiradentes, colocam qualquer possibilidade de entendimento no campo do improvável, principalmente no primeiro turno. O cálculo feito até então era de que bastava 30% do eleitorado para alcançar o segundo turno. A persistência do PT, que contou com interferência até do ex-presidente Lula, conforme revelou a Tribuna, começou a dar frutos. Além da sinalização de descontentamento de Júlio, a articulação do ex-prefeito Tarcísio Delgado (PMDB) pela formalização da tríplice aliança conseguiu, pelo menos por ora, colocar o assunto no campo das possibilidades. Atraindo, dessa forma, a atenção dos tucanos, que buscarão a reeleição do prefeito Custódio Mattos (PSDB).
A situação, no entanto, está longe de um desfecho. Embora sua sinalização para deixar o páreo, considerada por aliados mais como um desabafo, Júlio ainda não jogou a toalha. Ele segue nas articulações na condição de potencial candidato. Bruno, por sua vez, em nenhum momento cogitou a possibilidade de deixar a disputa. Ao contrário, em mais uma demonstração de força, trouxe ao município, no último sábado, o presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp. O dirigente defendeu a candidatura própria, mesmo fazendo ressalvas quanto à necessidade de unidade. O mote de lançar nome próprio para prefeito, aliás, tornou-se uma espécie da mantra para boa parte dos peemedebistas presentes no encontro do último sábado. Os adeptos da aliança com o PT não apareceram. Se as duas posições se mantiverem até a convenção, a decisão ficará a cargo dos 44 integrantes do diretório.







