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Ataques em Paris têm 129 mortos e 352 feridos, diz novo balanço


Por Agência Lusa e Agência Brasil

14/11/2015 às 18h30

Após o amanhecer, foi possível ver as marcas deixadas pelos atentados (Foto: Elizabeth Koechlin Bertrand/ Fotos Públicas)
Após o amanhecer, foi possível ver as marcas deixadas pelos atentados (Foto: Elizabeth Koechlin Bertrand/ Fotos Públicas)

Balanço divulgado na tarde deste sábado (14) pelas autoridades francesas informa que os atentados de sexta-feira em Paris fizeram 129 mortos e 352 feridos, 99 dos quais estão em estado grave. O balanço foi divulgado em entrevista coletiva pelo procurador de Paris, François Molins, que acrescentou que “sete terroristas morreram durante a sua ação criminosa”, seis dos quais homens-bomba. Um deles já foi “formalmente identificado”, disseram as autoridades.

As primeiras conclusões da investigação sugerem que “pelo menos três equipes” de terroristas perpetraram os atentados. Eles usaram vários veículos, um dos quais com placa da Bélgica e alugado por um francês. Em dos ataques, o casa de shows Bataclan, onde morreram pelo menos 89 pessoas, os terroristas gritaram frases relativas à Síria e ao Iraque. Nos seis ataques, foram contabilizadas várias centenas de disparos de calibre 7,62 mm, segundo o procurador, que indicou que os atacantes utilizaram metralhadoras ‘kalashnikov’.

Molins confirmou que foi encontrado um passaporte sírio junto ao corpo de um dos atacantes que perpetraram o ataque ao Estádio de France. Também confirmada foi a informação de que um dos terroristas foi identificado como sendo um cidadão francês, de 30 anos, residente em Courcouronnes, nos arredores de Paris, e conhecido das autoridades por pequenos delitos cometidos entre 2004 e 2006. As autoridades detiveram neste sábado de manhã três pessoas, uma das quais na fronteira entre a França e a Bélgica.

 

Até agora, não há brasileiros entre os feridos do Bataclan, diz cônsul

A cônsul do Brasil em Paris, Maria Edileuza Fontenele Reis, visitou hoje (14) no hospital os dois brasileiros feridos nos ataques da sexta-feira à noite e constatou que eles estão fora de perigo. As famílias dos dois, que moram em São Paulo e estavam com um grupo no restaurante Le Petit Cambodge, já estão a caminho de Paris. Embora a identificação das vítimas ainda não tenha sido concluída, a cônsul diz que, até o momento, o governo brasileiro só foi informado sobre a existência dessas duas vítimas. “Esperamos que não haja outras vítimas”, afirmou.

O consulado estima que cerca de 80 mil brasileiros vivem na França, mas o número pode ser ainda maior, já que nem todos se comunicam com as autoridades brasileiras. Em nota na página no Facebook, o consulado brasileiro recomenda que os cidadãos brasileiros que moram na França, especialmente em Paris, “façam contato com seus familiares no Brasil para tranquilizá-los”. Pede ainda “que os cidadãos restrinjam a circulação pelas ruas da capital francesa e pelo país, até que a situação se normalize”.

 

Estado Islâmico reivindica ataques que Hollande qualificou como “ato de guerra”

O grupo extremista Estado Islâmico (EI) reivindicou, em comunicado, os atentados terroristas. “Oito irmãos, com coletes explosivos e espingardas de assalto, visaram os locais escolhidos cuidadosamente no coração de Paris”, indicou o comunicado dogrupo terrorista. “Que a França e aqueles que seguem seu caminho saibam que serão alvos do Estado Islamico”, acrescentou a organização extremista sunita.De acordo com o comunicado, os ataques de Paris foram uma resposta aos “bombardeamentos dos muçulmanos na terra do califado”, termo que o grupo utiliza para designar as regiões do Iraque e da Síria controladas pelo grupo.

A França participa na coligação internacional que realiza ataques aéreos contra os jihadistas do Estado Islâmico no Iraque e na Síria. O presidente francês, François Hollande, já tinha atribuído os ataques ao grupo terrorista, que qualificou como um “ato de guerra” cometido por “um exército terrorista” contra a França.

François Hollande pediu aos franceses “unidade e sangue-frio”, ao mesmo tempo em que decretou o “luto nacional por três dias”, na sequência dos ataques terroristas de sexta-feira. O presidente da França acrescentou que falará segunda-feira (16) no Parlamento francês, para informar sobre as medidas que adotará.

 

“Somos todos franceses”, diz Dilma em carta a François Hollande

A presidenta Dilma Rousseff enviou neste sábado uma carta de solidariedade ao presidente da França, François Hollande. No texto, a presidenta repudia os atos terroristas, classificando-os como “covardes“. “Recebi com profunda consternação a notícia dos covardes atentados terroristas. Neste momento de choque e tristeza, os corações e mentes dos brasileiros estão com os feridos e as famílias das vítimas fatais“, diz o documento.

Dilma ainda expressa solidariedade ao povo e governo da França e “condena esses atentados de forma veemente”. “Estou certa de que a nação francesa saberá enfrentar com altivez e determinação esse momento difícil, e dele sairá mais forte e coesa”, afirma.