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Moradores reclamam da frequência da falta d’água


Por EDUARDO MAIA

13/10/2015 às 10h00

Implantado no início de 2014 e ampliado este ano em decorrência da escassez hídrica, o rodízio de abastecimento de água da Cesama tem sido questionado por moradores de alguns bairros de diferentes regiões da cidade em relação à sua periodicidade. A Tribuna tem recebido reclamações que destacam que o tempo de corte de água tem sido superior ao estipulado no cronograma divulgado pela companhia. Em alguns casos, os moradores alegam ficar até três dias sem água. A situação ocorre no momento em que a Cesama percebe a necessidade de manter a medida de interrupção no abastecimento, considerando que ainda não é possível um prognóstico antes da entrada do período chuvoso. Em alguns casos, a companhia atribui o problema a regiões mais altas, como também perdas de água no sistema e ao consumo pouco consciente.

Moradora da Rua Maria Lanziotti Barra, no Bairro Santa Cruz, Zona Norte, uma empregada doméstica de 57 anos, que preferiu ter o nome preservado, conta que a água demora a chegar em sua casa quando termina o dia do rodízio na terça-feira. “Está faltando água por mais de um dia. Se faltou hoje, só vai cair amanhã à noite ou na madrugada do outro dia”, lamenta. Ela diz que a situação se complica ainda mais pelo convívio com crianças, as quais necessitam de banho e alimentação, inclusive recorrendo a uma mina d’água para suprir a falta do insumo. “Já chegaram a mandar um caminhão-pipa, mas agora não mandam mais”, destaca.

Já Gilberto Furtado, morador do Bairro Amazônia, também na Zona Norte, alerta sobre a falta de abastecimento em sua localidade. “Ficamos sem água às terças, às vezes, na quarta, e, muitas vezes, aos sábados também. Sou a favor do racionamento, mas no nosso bairro a interrupção chega a três dias numa semana. Sem água, está ficando difícil de suportar”, reclama.

Caso parecido é enfrentado pelos moradores do Cidade Alta. No Bairro São Pedro, próximo ao condomínio Portal da Torre, moradores relataram dificuldades no condomínio Jardim de Minas, que passaram sem abastecimento em alguns finais de semana atrás. O advogado Rondinelli Galdino, 31, explica que já foram várias as denúncias por parte de vizinhos. Já na José Lourenço Kelmer, o analista de sistemas Pablo Cardoso, 31 também se indigna com a situação. “Atualmente está tudo certo, mas tivemos uma semana em que a Cesama simplesmente cortou nossa água nos dias que não eram de racionamento no São Pedro. Sabemos que tem ocorrido o corte para racionamento às segundas, quartas e sextas. Porém, tivemos um sábado e domingo sem água. Sem mais nem menos, sem aviso, sem nada, totalmente desprevenidos”, diz.

Problemas pontuais em algumas áreas

Em entrevista à Tribuna, o diretor de desenvolvimento e expansão da Cesama, Marcelo Mello do Amaral, explica que a demora do retorno da água não pode ser atribuído apenas ao rodízio, mas a problemas pontuais de determinadas regiões. Ele esclarece que a retomada do abastecimento pode, em alguns casos, levar mais tempo que o previsto inicialmente. “Diferentemente da distribuição de energia elétrica, que é restabelecida em poucos minutos, o processo de retomada de água não funciona dessa forma. Seguimos um plano de racionamento da agência reguladora, com tempo mínimo e máximo de retomada, mas a situação em bairros mais altos pode ser mais demorada”, explica, em referência a áreas consideradas pontos extremos da rede de tubulação, como os bairros Santa Cruz e Amazônia, na Zona Norte.

Segundo o diretor, em ambos os casos, a companhia vem ouvindo a reclamação dos usuários e atuando. “No caso do Amazônia, fizemos manobras no sistema. Nós otimizamos de modo a promover um retorno mais uniforme da água. Acreditamos que, no próximo rodízio, isso não deva acontecer e, se houver algum resquício, será ajustado”, garante. Sobre o Santa Cruz, Marcelo diz que o abastecimento é feito por bombas d’água, as quais tiveram recentemente o horário de funcionamento alterado para que haja o retorno da água no horário de fim do rodízio, diminuindo o tempo de chegada da água às tubulações das ruas do bairro.

Em relação ao Bairro São Pedro, o diretor da Cesama explica que houve um problema registrado na parte alta do condomínio Portal da Torre, que era abastecido pela elevatória, e foi regularizado na semana passada. Em relação ao abastecimento no bairro, que depende da Represa de São Pedro, Marcelo disse que houve uma rápida recuperação do manancial com as chuvas do início de setembro, minimizando o problema da falta do insumo. No entanto, ele afirma que “o rodízio ainda está sendo mantido para atender à cidade inteira”.

Marcelo também reforça o caso de reclamações de usuários que se devem também à incapacidade de armazenamento do reservatório da residência ou àquelas que não se atêm ao cronograma de interrupção. “Temos casos de pessoas que não têm a preocupação com o rodízio e de que precisam fazer o uso consciente da água. O reservatório normalmente tem capacidade de abastecimento para 24 horas em uma residência. Em uma interrupção de oito a dez horas, teria condição de manter o abastecimento até que se normalizasse”, conclui.

Perda do produto em Juiz de Fora chega a 32%

Um dos problemas que também são considerados em relação ao abastecimento é a perda de água no sistema, de 32%, correspondente a 15,8 milhões de litros do insumo. O percentual é calculado a partir da diferença do volume de água produzido nas estações (49,5 milhões de litros em 2014) e o volume entregue na casa das pessoas. “Esse índice é proveniente do vazamento, de pontos onde há quebra de rede de abastecimento. Em mais de 90%, ela ocorre no ramal de ligação, entre a tubulação da rua e o hidrômetro nas residências. A Cesama vem atuando fortemente, investindo na aplicação de materiais mais resistentes, como um polietileno de melhor qualidade, alterando o tipo de conexão dessas tubulações”, afirma o diretor de expansão Marcelo Mello.

Marcelo explica que é preciso diferenciar a perda de água do desperdício, caracterizado pelo mau uso da água na residência do usuário. “Este índice não é contabilizado e, infelizmente, não está sob controle da Cesama. É o que a gente chama de uso não racional da água”, esclarece. Apesar de não ter o dado sobre o desperdício, uma equipe de conscientização da Cesama tem atuado em visitas aos imóveis de usuários denunciados por desperdício de água. Ao todo, a companhia já recebeu 1.032 denúncias pelo telefone 115, e o grupo já fez 1.024 visitas educativas, buscando alertar o usuário para os riscos do desperdício e a importância do uso consciente do produto. Além de atender a denúncias, a equipe leva informação a escolas, hospitais, empresas e associações sobre o sistema de abastecimento da cidade, evidenciando, ainda, formas de diminuir o consumo de água, seja em casa ou no trabalho.

 

Manifestação de interesse

Além das ações de combate ao desperdício, a Cesama pretende reduzir o percentual de perda de água no sistema através de um projeto que visa à obtenção de estudos, levantamentos, dados técnicos para diagnosticar, controlar e reduzir as perdas de água no sistema de abastecimento do município. A proposta é reunir interessados para desenvolvimento e apresentação destes estudos em um prazo de 90 dias. A manifestação de interesse deverá ser entregue à Comissão Permanente de Licitação da PJF até 20 de outubro. Segundo Marcelo Mello, já existe interesse por parte de empresas. “Uma vez apresentados os projetos, a Cesama fará uma coletânea para avaliar aquela que será colocada em prática após a licitação.” A meta é reduzir as perdas no abastecimento ao percentual de 20%, cumprindo o proposto no Plano Municipal de Saneamento Básico de Juiz de Fora.